Início Ação Anti AIDS Massificação dos exames contra AIDS em estágio inicial é fundamental

Massificação dos exames contra AIDS em estágio inicial é fundamental

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MidiaMax

Editoria: Pág.

Dia / Mês/Ano:

 

 

03/DEZEMBRO/07

02/12/2007 14:40

 
Jacqueline Lopes 

“No momento que a pessoa mantém relação sexual também se relaciona com o passado do parceiro”. A frase é da médica infectologista, coordenadora municipal do Programa DST/Aids, Gisele Maria Brandão de Freitas, 45 anos. Em entrevista ao Midiamax na campanha mundial de luta contra à Aids, a especialista frisa de forma clara e desprovida de preconceito todas as nuances da doença que embora seja grave, se tratada, há esperança de conviver com o vírus HIV de forma saudável.

A massificação dos exames, e a constatação do vírus em seu estágio inicial são fundamentais para que o tratamento por meio de medicamentos impeça a evolução do vírus HIV para a Aids, defende Gisele Freitas. Em Campo Grande estima-se que 7.251 pessoas vivem com HIV e grande parte delas desconhecem isso.

Outras 1.071 já estão no estágio de Aids – quando as células de defesa já não conseguem enfrentar o vírus. Dos 1.071 pacientes que perderam a vida por causa da doença 59 eram adolescentes. Em todo o mundo há 33,2 milhões de pessoas com HIV.

A realidade é preocupante. A cada minuto 14 pessoas se infectam com o vírus da doença. Estima-se que 2,1 milhões já morreram desde 1980. No Brasil são 474, 2 mil casos e 192,7 mil mortos. São 278.564 pessoas vivendo com a doença no País.

Midiamax – A senhora já disse em entrevista que no momento que a pessoa mantém relação sexual também se relaciona com o passado da pessoa. Como é isso?

Gisele Freitas – Muitas vezes naquele relacionamento um está sendo fiel ao outro, mas já tiveram um passado e muitas vezes não fizeram o uso do preservativo. Hoje como não existe grupo de risco, se essas pessoas não se prevenirem, não fizerem o uso correto do preservativo, elas estão correndo risco porque a gente não sabe quem tem e quem não tem o vírus do HIV. Temos pessoas que tiveram poucos parceiros e até caso de pessoa que teve um único parceiro e é hoje portadora e vive com o HIV Aids. Essa é a nossa preocupação para as pessoas não vacilarem, conversar bastante com seu parceiro, com sua parceira. O ideal sempre é a fidelidade e antes do matrimônio e de relacionar uma relação sexual seria muito importantes as pessoas fazerem o teste. Há vários anos tinham os exames pré-nupcionais que ajuda muito não apenas por causa do HIV mas pelas doenças sexualmente transmissíveis e também a hepatite B que é transmitida pelo sexo. Tem ainda os casos de crianças com sífilis congênita por causa das mães passando sífilis para seus filhos. São situações graves e que com o uso do preservativo muita coisa seria evitado.

Midiamax – Nos casos de adolescentes com HIV, qual a sua análise sobre a situação que envolve os jovens? São quantos adolescentes infectados? E os óbitos?

Gisele Freitas – De pessoas de 14 a 22 anos temos 166 casos de Aids. Em relação a óbitos de 15 a 19 anos foram 59 pessoas a óbito por causa da Aids. De 20 a 34 anos foram 1216 mortes. É muito triste ver esses dados porque são jovens perdendo suas vidas por momentos que se tivesse a atitude de fazer a prevenção mesmo estariam com a gente. Isso me preocupa bastante.

Midiamax – É mais difícil para o adolescente aceitar o tratamento?

Gisele Freitas – Isso é muito de cada pessoa. Da mesma forma que temos adolescentes que fazem o tratamento perfeitamente, alguns adultos não fazem tão bem como a gente espera. Isso nos deixa bastante tristes e porque às vezes a pessoa não tem a visão da importância do tratamento. Até mesmo por causa do preconceito e discriminação ficam com vergonha de tomar o medicamento na frente de outra pessoa e com isso há o atraso. Depende muito de cada pessoa e por isso é importante conversar muito com o paciente antes dele iniciar o tratamento.

Midiamax – Menos de 3% da população já fez o exame. E as pessoas que têm medo de fazer o teste do HIV?

Gisele Freitas – É um grande vacilo quem não faz o exame por medo. O importante é saber como está nossa saúde. Oferecemos o serviço na rede pública. Primeiro, quando você tem o diagnóstico precoce é atendido logo no serviço de referência. Muitas pessoas chegam para nós já quando o caso está avançado e muitas vezes não temos mais o que fazer. A gente vai acompanhando, fazendo os exames laboratoriais porque a gente observa se houve uma queda na imunidade e nesse caso, podemos intervir com medicamentos.

Midiamax – Quanto mais gente fizer o exame melhor para controlar a doença …

Gisele Freitas – A grande relevância de fazer o teste anti-HIV é da gente tentar quebrar a cadeia de transmissão. A partir da hora que a pessoa sabe que tem HIV a gente acredita que ela vai se proteger e proteger seu parceiro ou parceira. Isso é fundamental. A gente vê a realização do teste como ato de prevenção para não chegar a casos tão avançados de Aids.

Midiamax – Na luta contra a doença qual o pior inimigo o “amor” ou a disseminação do tráfico de drogas?

Gisele Freitas – (silêncio) Pensando na epidemiologia, falar de amor é complicado acho que é mais o sexo mesmo. O sexo não é amor, o ideal seria sexo e amor juntos, mas a gente sabe que não é isso. O nosso grande inimigo é a relação sexual desprotegida. Ainda existem muitos casos de HIV pelo uso de drogas endovenosa, mas eu não penso nessas drogas não. Penso em todas as drogas, pasta base, maconha, cocaína e até mesmo a bebida alcoólica, que deixa a pessoa num ponto impedida de lembrar que ela precisa usar o preservativo. Sob o efeito das drogas ela tem uma relação sexual e dificilmente vai lembrar do preservativo.

Midiamax – Quanto custa ao poder público fazer o tratamento e a prevenção à doença?

Gisele Freitas – Eu não estou com esses valores para você. Mas é muito melhor gastar com a prevenção porque fazendo isso lá na frente não vai precisar de recurso enorme para o tratamento. A gente sabe que é caríssimo. Se a gente for olhar em relação aos medicamentos retro virais, um deles custa US$ 18 mil por ano. Isso é um. No coquetel são vários medicamentos. Imagina quanto tudo não fica. O recurso financeiro é alto. A prevenção é a solução sem dúvida alguma.

Midiamax – Como funciona o atendimento dos casos de HIV nos postos de saúde?

Gisele Freitas – Na unidade básica de saúde a pessoa solicita o teste que é agendado para a coleta do sangue ali mesmo, mas tem que ser marcado com antecedência. Qualquer pessoa pode ir fazer. Já no CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento) a pessoa vai passar por um aconselhamento, palestra e a coleta naquele dia, no local. Essa é a vantagem do CTA porque lá mesmo já faz a coleta. Os postos são mais perto das residências, mas neles tem que fazer o agendamento.

Midiamax – Os postos também não têm a equipe capacitada como é no CTA não é?

Gisele Freitas – O CTA tem uma equipe pronta para isso, mas as unidades básicas de saúde têm uma pessoa já capacitada para fazer o aconselhamento pré e pós-teste. Midiamax – Como que fica a questão das analises laboratoriais já que houve a subnotificação dos casos de HIV por conta da demanda d
a dengue
?
Gisele Freitas – Vai melhor bastante porque já está tudo informatizado no Labcem (Laboratório Central do Município) e a demora será menor, teremos mais agilidade na entrega dos resultados.

Midiamax – Se houver uma demanda maior nos exames anti-HIV, como a rede pública quer, o Labcem não ficará estrangulado?

Gisele Freitas – É muito importante que as pessoas façam os testes sim. Por isso descentralizamos os encaminhamentos para as unidades de saúde porque não dava para ficar tudo no CTA. Imagina a população inteira no CTA? Até hoje não tivemos problemas quanto a coleta.

Midiamax – Qual o projeto para continuar a luta em 2008?

Gisele Freitas – Trabalhar muito com a prevenção, capacitar jovens e adolescentes com o Programa Saúde e Prevenção nas Escolas. A gente quer sensibilizar os pais e educadores para podermos trabalhar em conjunto e capacitar os profissionais da saúde para trabalharmos com a terceira idade, profissionais do sexo, enfim todas as pessoas vulneráveis a infecção pelo HIV.


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