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Medida simples derruba a mortalidade infantil

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O Estado de S. Paulo

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28/NOVEMBRO/07

 

Uma equipe multidisciplinar acompanha as gestantes em Camacho, Minas Gerais. Região registra 7,64 mortos por mil nascidos vivos

Eduardo Kattah

A ampla e intensiva assistência às gestantes e aos recém-nascidos proporcionou à pequena cidade de Camacho, no centro-oeste mineiro, alcançar um dos melhores índices de mortalidade infantil, segundo o Ministério da Saúde. Os 3.300 habitantes do município, a maior parte vivendo na zona rural, são atendidos por uma equipe multiprofissional do Saúde da Família e há pelo menos uma década toda criança recém-nascida recebe acompanhamento da situação alimentar e nutricional. Conforme dados de 1995, Camacho e microrregião apresentam um índice de 7,64 mortes para cada mil nascidos vivos.
Aos 3 anos, completados em julho, Gabriel Batista Alves Silveira esbanja saúde e disposição para brincadeiras. A cada salto do garoto, a mãe, Marilene Batista de Oliveira Alves, de 20 anos, lembra, aliviada, da angústia que passou durante a gravidez. O exame pré-natal detectou que a jovem estava infectada com o vírus da rubéola, doença que pode acarretar conseqüências graves para o bebê, como má-formação congênita, surdez e problemas mentais, além do risco de aborto e natimortos.
"Não tive nenhum sintoma. Depois dos exames de gravidez eu nem acreditava. Fiquei assustada, com medo de meu filho nascer com má-formação, de não sobreviver", diz a mãe.
A enfermeira responsável pelo programa Saúde da Família, Fabiana Tambellini Casali, observa que o exame de rubéola só faz parte das sorologias obrigatórias do pré-natal pelo Ministério da Saúde caso a paciente apresente sintomas. "Mas em Camacho o exame foi incluído como rotina. No caso da Marilene, não havia nenhum sintoma, nenhum indício. Por isso, a importância do exame preventivo", avalia.
O feto não desenvolveu a Síndrome da Rubéola Congênita (SRC). "Foi uma gestação que exigiu muitos cuidados mas, graças a Deus, correu tudo bem. A mãe foi assistida, ficou curada e a criança passa muito bem. Ela nasceu saudável, recebeu todo o acompanhamento e não tem nenhum tipo de deficiência", diz Fabiana.
Gabriel nasceu com 3,9 quilos e 53 centímetros. "Tive todo tipo de apoio", observa a mãe. "O sistema (de saúde) melhorou muito por aqui. Todo mês vem agente, que pesa a criança, faz um acompanhamento total. Ele (Gabriel) fez todos os exames."
PROGRAMAS
Marilene, o filho e o marido, o lavrador Ulisses Alves da Silveira, de 27 anos, moram em uma casa simples, mas confortável, na área urbana de Camacho. O lavrador vive de trabalhos eventuais e precisa complementar a renda com o repasse de R$ 76 que recebe todos os meses do Bolsa-Família – que substituiu antigos programas, como o de distribuição de leite.
Para o secretário municipal de Saúde, Darci Eduardo Maia, a implementação do Saúde da Família e o monitoramento por meio do programa federal Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) foram decisivos para os resultados referentes à mortalidade infantil.
No cargo há 9 anos, Maia acredita que a continuidade do trabalho também tem influência no resultado positivo. "Não houve interrupção por questões políticas", afirma. As contrapartidas da prefeitura, segundo ele, visam a complementar os trabalhos de atenção primária.
VITAMINAS
De acordo com Fabiana, no caso das gestantes, há aproximadamente dois meses o município iniciou o fornecimento de suplementos vitamínicos, como ácido fólico e sulfato ferroso, considerados importantes para prevenir anemia na mãe e no feto, além de má-formação congênita. "Fazemos realmente um acompanhamento intensivo", insiste a enfermeira. "Há seis anos não é detectado nenhum caso de HIV em gestantes, por exemplo."
Em Camacho, conforme Fabiana, o diagnóstico mais comum é o de pacientes com hipertensão arterial crônica. Mas os casos mais graves são transferidos para hospitais de cidades-pólo.
"O pré-natal de alto risco tem de ser referenciado. Nos últimos três anos, tivemos apenas um caso", enfatiza a enfermeira.

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