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, Minorias retrocederam, diz especialistaNa Anpocs, cientista social critica movimentos que passaram a defender leis e punições severasChico Otavio Enviado especialCAXAMBU (MG). Faixas exibidas na última parada gay carioca pedindo a criminalização da homofobia inspiraram a crítica do cientista social Rodrigo de Azevedo, da PUC-RS. Para ele, o movimento dos homossexuais, assim como outras forças sociais, como mulheres e negros, optaram por enfrentar suas adversidades usando o mesmo modelo que atacavam no passado: a criação de leis severas e a aplicação de punições. Em mesaredonda ontem, no 31º Congresso da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs), em Caxambu (MG), ele lembrou que esses movimentos sempre acreditaram que o sistema penal não é solução, porque só os mais pobres são punidos. — Ao se aproximarem do poder, os movimentos sociais passaram a defender a punição como a melhor forma de contemplar seus direitos. Mas essa é uma falsa idéia. Não resolve, apenas relegitima o sistema penal que tanto criticaram no passado.E, com isso, eles acabaram também perdendo a capacidade de criticar — lamentou.Defensor de penas alternativas e modelos de mediação de conflitos em lugar de medidas mais severas, Rodrigo foi um dos três expositores da mesa “Políticas públicas de segurança: um fracasso?”. Segundo ele, a juíza militar Maria Lúcia Karan, que cunhou a expressão “esquerda punitiva”, foi a primeira voz a criticar a estratégia da criminalização. O cientista não poupou nem a festejada Lei Maria da Penha, que pune a violência contra mulheres, ao sustentar que leis com essa só alimentam um modelo que já se mostrou fracassado e não resolveu a violência no Brasil: — Infelizmente, quem levanta a questão corre o risco de ser chamado de machista, racista ou homofóbico.Em dez anos, 2.852 gays mortos por crime de ódio Diretor cultural do Grupo ArcoÍris, um dos organizadores da passeata no Rio, Júlio César Moreira explicou que o movimento só decidiu pedir a criminalização, com a aprovação do projeto de lei 122-06, da ex-deputada Iara Bernardes (que cria um adendo à lei do racismo, equiparando crimes de ódio aos de racismo), por não suportar mais a escalada da violência contra homossexuais sem uma resposta das autoridades. E citou um estudo do Grupo Gay da Bahia, que contabiliza a morte de 2.852 homossexuais no Brasil, em dez anos, vítimas de crime de ódio: — Sabemos que os presídios estão cheios e que a lei não tem efeito imediato, mas tem papel fundamental na questão da educação, criando novos conceitos e mostrando à população os limites do respeito ao próximo.Não vai se prender a rodo, mas algumas pessoas, para servir de exemplo e sensibilizar outras.Rio: barulho de tiro é rotina para 45% dos entrevistados A antropóloga Alba Zaluar, da Uerj, outra integrante da mesa, disse que não há solução para determinados tipos de crime a não ser a aplicação de punições.Ela explicou que defende as políticas de prevenção da violência e considera exagerada a tendência da polícia carioca de resolver o problema apertando o gatilho.Mas disse que não há como abrir mão da ação policial. — Há sujeitos que, por um histórico de abandono, já se tornaram predadores. Bem como precisamos enfrentar a violência policial, também temos de evitar que os predadores continuem causando danos à sociedade.Alba apresentou os resultados de sua recente Pesquisa Domiciliar de Vitimização, aplicada no Rio. Ela surpreendeu ao revelar que 45% dos entrevistados responderam ouvir com freqüência barulho de tiros próximo de casa. O trabalho mostrou também que 5% já perderam um parente, amigo ou vizinho por causa da violência.— É muita coisa, e não é uma distribuição homogênea. São os jovens que estão perdendo os seus amigos.

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Violência contra a mulher: canais de emergência, denúncia e proteção.

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