Início Ação Anti AIDS Muitos homens gay seropositivos para o VIH têm síndrome de stress pós-traumático

Muitos homens gay seropositivos para o VIH têm síndrome de stress pós-traumático

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Michael Carter
Investigadores ingleses publicam na AIDS Patient Care and STDs que um terço dos homens gay seropositivos para o VIH têm síndrome de stress pós-traumático. Episódios que incluem o início da toma da terapêutica anti-retroviral, doenças relacionadas com o VIH e o testemunho de uma morte associada ao VIH foram relacionados com o desenvolvimento de sintomas associados a perturbações de stress pós-traumático. Respostas emocionais a estes episódios – em substituição da ameaça física – foram relacionadas com o desenvolvimento de sintomas de stress pós-traumático. “Uma variedade de episódios relacionados com o VIH podem ser fortemente traumatizantes para algumas pessoas” comentam os investigadores.

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Doenças com risco de vida são reconhecidas como possíveis factores de stress que podem conduzir ao desenvolvimento de perturbações de stress pós-traumático. Numa fonte bibliográfica estandardizada sobre o diagnóstico de perturbações mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 4th Edition Text Revision) tal é definido como “experiência pessoal, testemunhada ou confrontada com uma ou mais situações ou episódios que envolveram ameaça ou morte, ou prejuízo grave ou ameaça à integridade física própria ou de outros”, com uma resposta emocional do indivíduo envolvendo “medo, impotência ou horror”.

Os investigadores pretendiam observar se um vasto número de episódios relacionados com o VIH estava associado ao desenvolvimento de perturbações de stress pós-traumático. Colocaram a hipótese de a vivência de um ou mais episódios estar relacionado com sintomas de stress pós-traumático, e se a suposta ameaça ou stress emocional estaria associado a estes sintomas. Pretendiam também observar se as emoções relacionadas com a vergonha eram associadas aos sintomas de síndrome pós-traumático.

O estudo incluiu 100 homens gay seropositivos para o VIH. Estes indivíduos auto-propuseram-se, recolhendo o seu questionário através de um estudo nos serviços de saúde para o VIH ou na internet.

Os doentes tinham uma média de idade de 43 anos, com um número de anos desde o diagnóstico de oito, a maioria (95%) era caucasiana, 68% tinham educação superior, 47% estava empregada e 56% definia-se solteiro.

No total, 33% da amostra correspondia aos critérios de selecção de perturbações de stress pós-traumático.

Cerca de metade da amostra (55%) reportou que o seu diagnóstico foi um momento traumático, 40% afirmou que os sintomas de doenças relacionadas com o VIH causaram trauma e 30% afirmou estar traumatizado com a morte relacionada com o VIH. Outros episódios traumatizantes incluíram o início da toma da terapêutica anti-retroviral (19%), ter efeitos secundários (29%) e a divulgação do estatuto serológico positivo (15%).

Ter sintomas relacionados com o VIH foi associado com sentimentos de ameaça física, levando ao desenvolvimento de perturbações de stress.

Para todas as outras medidas de perturbações emocionais – medo, impotência ou horror – foram associadas a sintomas de stress pós-traumático.

A única característica sócio-demográfica associada com o aumento do risco em relatar sintomas de stress pós-traumático foi estar desempregado ou em vias de perder o emprego (p < 0.05).

Os sintomas físicos (p < 0.01) e o testemunhar uma morte associada ao VIH (p < 0.05) foram  significativamente associados aos sintomas de stress pós-traumático. Os investigadores acreditam que tais experiências podem, imediatamente, recordar “directamente a ameaça causada pelo VIH”.

Os investigadores ficaram surpreendidos com as conclusões de o tratamento anti-retroviral (p < 0.01) ser fortemente associado a sintomas de stress pós-traumático. Algumas pessoas (27%) encararam o tratamento como uma ameaça física. Os investigadores especularam que poderia haver “expectativas dramáticas sobre o que as limitações [tratamento] podiam impor nas ocupações sociais e laborais, levando ao trauma do medo, ou à percepção de falhar em…impotência nos estilos de vida.

A inclusão de emoções relacionadas com a vergonha na análise do estudo aumentou, modestamente, a proporção de doentes em que se poderia afirmar terem vivido um episódio traumático.

As pessoas que vivem com VIH podem ter longos períodos de bem-estar e estabilidade, observam os investigadores. Contudo, sugerem que receber um resultado positivo do teste ou testemunhar uma doença relacionada com o VIH ou morte pode causar “um medo intenso, impotência ou horror” que pode prenunciar o desenvolvimento de sintomas de stress pós-traumático. Recomendam que os médicos infecciologistas devem estar atentos a sintomas tais como “reviver episódios, isolamento social e fragilidade emocional.”

Nas limitações do estudo foi incluído a estrutura transversal. Os investigadores também reconhecem não terem sido capazes de controlar potenciais factores de confusão como o apoio social, stress não relacionado com o VIH, estigma, episódios stressantes e historial de problemas mentais e de saúde.

Mas, mesmo assim, os investigadores acreditam que o estudo acrescenta dados à literatura que associa o stress pós-traumático relacionado com o VIH e que este é “primeiramente associada ao medo, impotência ou horror em oposição à vergonha, humilhação ou culpa”.

Referência

Theuninck AC et al. HIV-related posttraumatic stress disorder: investigating the traumatic events. AIDS Patient Care and STDs, 24: 485-91, 2010.

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