Comunidade tem acesso a informações sobre cuidados básicos
Heli Espíndola
er mulher não é uma tarefa fácil. Mais difícil ainda é ser mulher e fazer parte de uma comunidade carente, onde a realidade do dia a dia dificulta o acesso à informação e aos cuidados básicos com a saúde. Há cinco anos, em 2004, uma professora e pedagoga se reuniu com outros pro-fessores e profissionais de diversas áreas para fundar a Associação Fa-mília Cidadã, uma Organização Não-Governamental (ONG), para ajudar as mulheres das comunidades mais pobres de Brasília.
Com mais de 50 profissionais e voluntários, Katea Staciarin Puttin, criou o Projeto Ser Mulher, Ser Feliz, Prevenir e se Cuidar, que percorre várias cidades da capital, levando informação e estimulando as mu-lheres carentes aos cuidados básicos com a saúde. O enfoque principal do projeto, que ontem esteve na co-munidade de Itapoã, é alertar para a importância de exames preventivos de câncer, de mama e de útero, de diabetes e os cuidados para evitar a hipertensão e as doenças sexual-mente transmissíveis.
O Projeto Ser Mulher, Ser feliz, que reuniu cerca de 250 mulheres na Escola Classe 01 do Itapoã, quase todas mães e casadas, tem ainda como objetivo fazer um alerta contra a continuidade da violência doméstica no Distrito Federal. “O Itapoã é um dos locais do DF onde o índice de violência doméstica é um dos maiores”, conta a psicóloga Ma-riana Moura, integrante da ONG Família Cidadã, que fez uma pa-lestra sobre o tema Violência Do-méstica e Autoestima para as par-ticipantes do encontro.
O evento, que começou às 7h30 e terminou às 17h, teve também mesa redonda, coordenada pela agente de saúde da comunidade local, Denise Almeida de Souza, e atividades de lazer, como a coordenada pela terapeuta comunitária Vera Torres, que fez as participantes se descontraírem e rebolarem ao som do forró. Além das palestras, as participantes ganharam café da manhã, almoço e um certificado de participação que dá direito a acompanhamento médico preventivo da saúde da mulher nos dois postos de saúde do Itapoã.
Projeto muda realidade
“A gente não faz só as palestras sobre os cuidados com a saúde que elas devem ter. Nós as ajudamos a desenvolver a autoestima e a se descobrirem como mulheres”, resume a presidente da ONG Família Cidadã, Katea Puttin. A pedagoga conta que passou três meses, jun-tamente com a prefeitura comunitária do Condomínio Del Lago, sen-sibilizando as mulheres do Itapoã para participar do evento. O projeto, que tem o apoio do Ministério da Saúde, foi desenvolvido durante quatro anos na cidade do Recanto das Emas.
Segundo ela, o projeto, que oferece cursos de corte e costura industrial, tem ajudado a mudar a cabeça e a realidade de muitas mu-lheres de todo o DF. Foi o que aconteceu com Solange Maria de Souza, residente no Recanto das Emas, que conheceu o projeto há quatro anos e hoje trabalha como voluntária na ONG. Ela fazia biscuit e, depois do curso, começou a fazer malharia, produzindo camisetas. “Hoje tenho meu próprio negócio”, comemora a voluntária.
A dona de casa e mãe de um filho de dois anos, Lucilene Vieira, de 26 anos, foi ao encontro com o filho no colo para tentar se informar sobre os cuidados com a sua saúde. Tímida, ela conta que, apesar de ter alguma informação sobre os cuidados que deve tomar, só usa CAMISINHA com o seu companheiro Raimundo Nona-to, com quem está há sete anos, quando não toma PÍLULA.
Para a agente de saúde Denise de Souza, que trabalha no Posto do Itapoã com o Programa Família Saudável, a realidade das mulheres da comunidade local é assustadora. “A maioria não tem conhecimento do próprio corpo. Elas têm medo de se conhecer e de se tocar”, conta a agente de saúde, que conhece a comunidade local há quatro anos. Na sua opinião, o problema se agrava pela falta de cultura e estudo. “Elas não consideram a educação como um fator determinante no crescimento pessoal. A quantidade de analfabetas é muito grande”, informa ela.
A terapeuta Vera Torres acredita que a mulher, principalmente das comunidades carentes, ainda aceita o fato de ser apenas esposa e mãe, esquecendo dela enquanto ser humano. “Nós queremos acordá-la e fazê-la olhar para dentro de si”, aposta a terapeuta. Vera Torres acha que a liberdade e a segurança sexual da mulher está diretamente relacionada ao uso da CAMISINHA feminina que precisa ser estimulada.
“Ela precisa entender que não foi feita para servir o homem do jeito que ele quer, mas do jeito que é melhor para ela”, defende a terapeuta. Vera Torres fala, ainda, em sua palestras, sobre a Lei Maria da Penha, alertando as mulheres para a não aceitação da violência doméstica.
SAIBA +
O Projeto Ser Mulher, Ser Feliz, Prevenir e se Cuidar está percorrendo várias cidades do DF. Com o apoio do Ministério da Saúde, ele visa despertar as mulheres , para os seus direitos.
Desenvolvido pela ONG Família Cidadã, o projeto já atingiu cerca de quatro mil mulheres em todo o DF.
Nos encontros, as voluntárias da ONG fazem palestras sobre a saúde da mulher e o sexo seguro. Também acontecem oficinas e atividades de lazer e cultura.
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11/OUTUBRO/09 |
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