O arco-íris está cinza (Artigo)

0

O arco-íris está cinza (Artigo)

 

Dez de dezembro. Nesta data, no ano de 1948, foi adotada pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

 

O documento reafirmou a fé nos direitos humanos, na dignidade, e nos valores humanos das pessoas” e convocou a todos e todas a promover “respeito universal e observância do direitos humanos e liberdades fundamentais para todos e todas sem distinção de raça, sexo, língua, ou religião”. Entretanto, não é isso que observamos quando nos damos conta de como as minorias sexuais, como lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT) são tratadas.

 

 

A partir de pesquisas que revelaram dados alarmantes da homofobia no Brasil, a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), juntamente com mais de 200 organizações afiliadas, espalhadas por todo o país, desenvolveram o Projeto de Lei 5003/2001, que mais tarde veio se tornar o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 122/2006, que propõe a criminalização da homofobia.

 

 

O projeto torna crime a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero – equiparando essa situação à discriminação de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, sexo e gênero, ficando o autor do crime sujeito a pena, reclusão e multa. Aprovado no Congresso Nacional, o PLC alterará a Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, caracterizando crime a discriminação ou preconceito de gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero. Isso quer dizer que todo cidadão ou cidadã que sofrer discriminação por causa de sua orientação sexual e identidade de gênero poderá prestar queixa formal na delegacia. Essa queixa levará à abertura de processo judicial. Caso seja provada a veracidade da acusação, o réu estará sujeito às penas definidas em lei.

 

 

Apesar dos intensos esforços e conquistas do Movimento LGBT Brasileiro em relação ao PLC 122/06, ainda assim, ele precisa ser votado no Senado Federal. O projeto enfrenta oposição de setores conservadores dessa casa e de segmentos de fundamentalistas religiosos, que insistem em alegar que o projeto limita ou atenta contra a liberdade de expressão, de opinião, de credo ou de pensamento. Ao contrário, contribui para garanti-las, evitando que parte significativa da população, hoje discriminada, seja agredida ou preterida exatamente por fazer uso de tais liberdades em consonância com sua orientação sexual e identidade de gênero.

 

 

Essas críticas, em sua maioria, não têm base laica ou objetiva. São fruto de uma tentativa equivocada de transpor para a esfera secular e para o espaço público argumentos religiosos, principalmente bíblicos.

 

 

Não discutem o mérito do projeto, sua adequação ou não do ponto de vista dos direitos humanos ou do ordenamento legal. Apenas repisam preconceitos com base em errôneas interpretações religiosas.

 

 

Durante todo o mês de novembro, o Senado publicou em seu site uma enquete. Foi uma disputa acirrada. Do total de 465.326 votantes, 51,54% se declararam contrários à aprovação do projeto de lei e 48,46%, a favor. Lamentavelmente, a vitória do “não” só legitima o conservadorismo de grande parte da sociedade brasileira No entanto, esse resultado corrobora ainda mais com a nitidez com que a homofobia é difundida em todo país. O Grupo ArcoIacute;ris entende que a perda não foi por causa da falta de mobilização do Movimento LGBT ou da propalada capacidade organizativa dos religiosos fundamentalistas em propagar o ódio aos LGBT, mas sim pelo incoerente e retrógado pensamento que ainda domina corações e mentes do Brasil.

 

 

No Rio de Janeiro, o Grupo ArcoIacute;ris – que realiza a Parada do Orgulho LGBT Rio e promove uma série de projetos de prevenção de HIV/AIDS e auto-estima – trabalha arduamente com outras instituições, governos e sociedade civil a fim de esclarecer os setores mais conservadores de que vivenciar as mais variadas sexualidades é um ato extremamente saudável. Não podemos mais aceitar que lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais sejam insultados, demitidos, expulsos de casa e até mesmo assassinados( as).

 

 

A luta contra a homofobia no Brasil é árdua e é preciso perseverança para seguir em frente em prol do direito de amar e viver livremente! Não abaixemos a cabeça e sigamos adiante por um país mais plural e que respeite as minorias e as diferenças.

 

 

A luta contra a homofobia no Brasil é árdua e é preciso perseverança para seguir e frente.

 

 

 

Gilza Rodrigues

 

PRESIDENTE DO GRUPO ARCOIacute;RIS DE CIDADANIA LGBT

 

 

 

JORNAL DO BRASIL – RJ

Editoria:

Pág.

Dia / Mês/Ano:

CIDADE

 

10/DEZEMBRO/09


Descubra mais sobre Blog Soropositivio Arquivo HIV

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Artigo anteriorRemédios são 1/3 dos gastos com saúde
Próximo artigoPacientes do CRT de SP fazem arte no Museu Lasar Segall
🌟 25 Anos de História e Dedicação! 🌟 Há mais de duas décadas, compartilho experiências, aprendizados e insights neste espaço que foi crescendo com o tempo. São 24 anos de dedicação, trazendo histórias da noite, reflexões e tudo o que pulsa no coração e na mente. Manter essa trajetória viva e acessível a todos sempre foi uma paixão, e agora, com a migração para o WordPress, estou dando um passo importante para manter esse legado digital acessível e atual. Se meu trabalho trouxe alguma inspiração, riso, ou reflexão para você, convido a fazer parte desta jornada! 🌈 Qualquer doação é bem-vinda para manter este espaço no ar, evoluindo sempre. Se VC quer falar comigo, faça um PIX de R$ 30,00 para solidariedade@soropositivo.org Eu não checo este e-mail. Vejo apenas se há recibos deste valor. Sou forçado a isso porque vivo de uma aposentadoria por invalidez e "simplesmente pedir" não resolve. É preciso que seja assim., Mande o recibo, sem whats e conversaremos por um mês

SEM COMENTÁRIOS

Deixe uma respostaCancelar resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Descubra mais sobre Blog Soropositivio Arquivo HIV

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading

Descubra mais sobre Blog Soropositivio Arquivo HIV

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading

Sair da versão mobile