Início Ação Anti AIDS O Auto da Camisinha: A peça que virou filme

O Auto da Camisinha: A peça que virou filme

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Encenada pelo grupo Hierofante há 10 anos na Torre de TV e depois levada para a África e Nova York, o auto da CAMISINHA é lançada em média-metragem

 

Em 2007, após uma apresentação da micropeça O auto da CAMISINHA, na UnB, para aproximadamente 10 mil estudantes que participavam de um encontro sobre prevenção e saúde, a companhia de teatro de Ceilândia Hierofante foi abordada por uma figura exótica. “De longe ele já chamava atenção porque vestia uma roupa bem africana mesmo, com chapéu tradicional e tudo o mais”, lembra o ator Wellington Abreu, produtor do grupo criado há 15 anos. “Era um representante do Unicef que tinha visto o espetáculo e queria nos levar para lá”, conta Abreu, que visitou São Tomé e Príncipe em outubro de 2008 para uma série de encenações. “Na África, o problema da AIDS é muito sério, existem várias campanhas, então, fomos recebidos como se fossemos jogadores de futebol”, compara.

 

Texto escrito pelo dramaturgo e autor de cordel cearense José Mapurunga, em 1997, a peça também fez sucesso no Ceará, onde chegou a ser montada simultaneamente por 30 companhias teatrais no estado. Importante veículo de propaganda no combate à AIDS, alertando com humor sobre os riscos de transmissão do vírus HIV e os métodos de prevenção, a história acaba de virar um média-metragem com o ator Gero Camilo (Os narradores de Javé e Carandiru) e o humorista Chico Anysio no elenco. Dirigido por Clébio Viriato Ribeiro e com duração de 45 minutos, o filme, já exibido em algumas praças brasileiras, será lançado também em países onde a epidemia é grave, como Moçambique, Timor Leste, Cabo Verde, Angola e São Tomé e Príncipe.

 

A experiência na África serviu de motivação para que o grupo viajasse em setembro para Nova York, onde foi uma das atrações do Brazilian Day, encontro que desde 1984 reúne brasileiros em grande festa na 6ª Avenida. O convite partiu da organização do evento. “A recepção do público foi a melhor possível”, comenta Abreu, lamentando apenas não terem tido acesso acesso ao palco principal, reservado para a Rede Globo.

 

O ator e um dos produtores da companhia Hierofante, Pablo Peixoto conta que a ideia de montar o espetáculo nasceu depois que o diretor Humberto Pedrancini, por meio da Fundação Athos Bulcão, teve acesso a uma radionovela distribuída em CD para várias cidades brasileiras. “Achamos interessante e montamos a peça com recursos próprios”, conta.

 

A primeira apresentação ocorreu na Torre de TV, em 1999. Até hoje ele lembra com satisfação do impacto que as encenações causaram. “Como é teatro de rua, a performance está acessível a qualquer pessoa que passa pela calçada e algumas não estão preparadas para esse tipo de abordagem e, sobretudo, com o tema”, comenta Abreu,, que rodou o país com a montagem, indo de eventos sociais a assentamentos rurais. “Ela é eficaz na mensagem e não cai no didatismo, ou seja, antes de tudo é um espetáculo de teatro. Às vezes, os pais se sentem incomodados de os filhos assistirem a algo falando de PRESERVATIVO, mas essa questão da erotização infantil é complexa, porque a televisão aborda a sexualidade de forma agressiva”, acredita Peixoto.

 

Projetos

 

Depois de realizar o curta de documentário Cuidado! Palhaços, vencedor, recentemente do 1º Festival de Cinema Universitário do Iesb, o ator e produtor teatral Pablo Peixoto trabalha na finalização de Cala boca, criança!, um registro dos bastidores da viagem que o grupo fez a São Tomé e Príncipe. “No início do grupo, a gente era bastante fechado, depois abrimos para outros diálogos e tendências e foi quando surgiu a turma do cinema”, conta Wellington Abreu, protagonista do curta-metragem Dias de greve, projeto de Adirley Queirós (Rap, o canto da Ceilândia) todo rodado na Ceilândia. “Nós, do Hierofante(1), fomos geridos pelo signo da periferia”, resume ele.

 

Há também duas peças em gestação: Regra do jogo e uma adaptação do clássico As bacantes, de Eurípides. “Será montagem com a nossa cara, com a cara de Ceilândia. Dionísio no nosso texto será Di”, antecipa. A companhia recebeu ainda dois convites para o exterior em 2010. “Tudo vai depender de patrocínio”, torce Abreu. Além de Cuba, o grupo deve voltar aos Estados Unidos em fevereiro para uma série de apresentações no Harlem, em Nova York. O convite partiu da mestranda Edna Lima, que mora nos EUA há 20 anos, onde integra a ONG Abadá-Capoeira. “A população negra norte-americana é a mais atingida pelo vírus HIV. Se a gente conseguir ir será uma experiência marcante”, constata.

 

1 – Mensageiros

 

Há 15 anos na estrada, o Hierofante tem quase 20 montagens no currículo. O grupo genuinamente de Ceilândia, nasceu do desdobramento de algumas companhias como Os tramponeiros, Companhia Teatral e Celeiro das Antas. Orientado por nomes experientes da área como Zé Regino, Jorge Luiz, Frank Dezeux e Humberto Pedrancini, foram em busca de identidade cênica que misturasse teatro de rua, elementos circenses e discurso social. O nome, uma sugestão do então diretor Pedrancini, é uma referência aos sacerdotes gregos e egípcios da antiguidade e quer dizer mensageiro.

 

 

 

                                          

CORREIO BRAZILIENSE-DF

Editoria:

Pág.

Dia / Mês/Ano:

DIVERSÃO EARTE

 

02/JANEIRO/2010


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