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Reunião de alto nível propõe como meta zerar o número de novas infecções
Fernanda Godoy
NOVA YORK.
Na abertura da conferência de alto nível que marca os 30 anos da AIDS, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, propôs como meta zerar o número de novos casos da doença até o final desta década. Líderes dos países africanos, que marcam presença maciça no evento de três dias, reivindicaram mais ajuda financeira para o combate à disseminação do vírus HIV e para o tratamento.
– Esta reunião é um chamamento histórico à ação. Precisamos que todos os parceiros se reúnam numa solidariedade global nunca vista – disse Ban. A conferência de alto nível reúne, na sede das Nações Unidas, cerca de 3 mil especialistas, diplomatas, ativistas, autoridades e chefes de Estado. Amanhã, no encerramento, será aprovado um documento final estabelecendo uma meta e um compromisso para o pagamento de drogas. Os países pobres estão pressionando para que o compromisso alcance todas as 9 milhões de pessoas que ainda necessitam de tratamento.
– Dizer que o financiamento é crítico para o sucesso de nossa resposta é dizer pouco. Muitos países, incluindo o meu, não conseguirão alcançar seus objetivos nem as Metas do Milênio sem apoio – disse Goodluck Jonathan, presidente da Nigéria, o país com o segundo maior número de infectados.
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota falou sobre a parceria estabelecida pela Fiocruz com Moçambique para a implantação de uma fábrica de medicamentos genéricos usados no coquetel contra a AIDS. Ele citou também a ajuda do Brasil a Gana, Burundi, Botsuana e Nigéria.
O diretor-executivo do programa da ONU de combate a AIDS/HIV (Unaids), Michel Sidibé, destacou a necessidade de uma agenda transformadora, que inclua o combate à discriminação e à violência contra as mulheres e meninas.
A secretária nacional da Comissão de AIDS da Indonésia, Nafsiah Mboi, causou sensação em um dos painéis de debate da tarde de ontem, ao defender que, para alcançar a meta, será necessário fazer os indivíduos “4M” responsáveis. Os “4M”, explicou, são men (homens) com mobilidade e dinheiro (money), em um ambiente machista.
– Esses homens não são discriminados nem estigmatizados, mas eles são os responsáveis pela disseminação da doença. Eles acham que é direito ter relações sexuais com qualquer um, a qualquer hora, sem CAMISINHA.
Infecção zero entre esses homens significaria também zero infecção entre mulheres e bebês – disse Nafsiah Mboi.
O GLOBO | CIÊNCIA |
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