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A noite foi marcada por uma exibição de trechos de filmes clássicos que já passaram pela Mostra como o Carandiru, Jardineiro Fiel, Tudo sobre Minha Mãe e Filadélfia. Todos os anos, o evento exibe filmes de diversos países envolvendo o tema. “Não temos um critério específico e nem os classificamos como bons ou ruins, somente garimpamos as produções para o público”, explicou a coordenadora da atividade, Sílvia Carvalho. “Os filmes trazem denúncias, alertas, mas também esperanças sobre a epidemia de AIDS no mundo”, disse Mário Scheffer, presidente do Pela Vidda/SP. Para João Bosco, do Programa Estadual de DST/AIDS, o evento é um marco na capital paulista. “E uma chance de manter o tema AIDS em outras mídias, entre documentários e ficções.” O presidente do Fórum de ONG/AIDS do Estado de São Paulo, Rodrigo Pinheiro, a Mostra “é uma maneira de conseguir atingir mais pessoas”. Já Marcos Blum, do Programa Municipal de DST/AIDS de São Paulo, disse que os filmes mostram que “muita coisa ainda precisa ser feita” para conter a epidemia de AIDS. Depois de São Paulo, a Mostra já tem exibições confirmadas em Aparecida, interior de São Paulo, e Poços de Caldas, Minas Gerais. Destaques da Mostra Um dos destaques da mostra será a exibição do filme Estou com AIDS, um longa de David Cardoso que também atua no filme como entrevistador. O filme é um misto de ficção e reportagem que faz um verdadeiro retrato da doença em meados dos anos 80. Logo após a exibição haverá um debate com o diretor do filme e o jornalista Christian Petermann. Outro destaque da Mostra é o filme Flordelis – Basta Uma Palavra para Mudar, de Marco Antonio Ferraz. Baseado em fatos reais o filme conta a história de uma mulher corajosa que desafiou a justiça brasileira por amor aos filhos. Positivas, com direção de Susanna Lira, retrata a vida de mulheres soropositivas que contraíram o vírus através de seus maridos. O drama “O Jardim do Outro Homem” e “Pedro” são outros destaques da programação. O evento tem o apoio da Confederação Nacional de Agricultura, do Programa Estadual de DST/AIDS de São Paulo, do Espaço Unibanco de Cinema e Galeria Olido (Prefeitura de São Paulo). Rodrigo Vasconcellos Veja a programação para esta sexta-feira Espaço Unibanco Augusta Local: Sala 4 (107 lugares) – rua Augusta, 1470, Cerqueira César (estação Consolação do Metrô) Telefone: 11 3288-6780 / 3287-5590 Ingresso: R$ 5,00 (entrada gratuita com apresentação de vale-ingresso impresso através do site www.AIDS.org.br) Dia 13/08 (sexta-feira) 18h – FLORDELIS – BASTA UMA PALVRA PARA MUDAR Direção: Marco Antonio Ferraz – Brasil – 2009 – 100 min. – DVD Sinopse: A proposta de contar a história real de Flordelis, professora criada na favela carioca do Jacarezinho que passou a ajudar crianças e jovens a evitar a marginalidade, gerou um filme de gênero híbrido. Misto de documentário e ficção, o projeto buscou força na participação de estrelas como Reynaldo Giannechini, Déborah Secco, Letícia Spiller, Cauã Reymond, Fernanda Machado, Marcelo Antony, Letícia Sabatella, Isabel Fillardis, Sérgio Marone, entre outros. Enquanto a “mãe Flor” narra sua própria trajetória, que incluiu a fuga com sua prole adotada e a perseguição da polícia, os atores interpretam alguns dos personagens acolhidos por ela. Assim, em depoimentos em preto-e-branco e a frente de cenários que buscam a realidade da favela, surge o ex-líder de facção tornado advogado, o viciado em drogas regenerado, a jovem milionária que testemunhou e quase sucumbiu a um acerto de contas do tráfico, a prostituta que adquiriu o vírus HIV e histórias pessoais afins. Há ainda um segundo movimento ficcional sobre um caso de vingança entre gangues rivais. Muito do reconhecimento do trabalho voluntário da protagonista, casada com um pastor evangélico, partiu do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, e a ONG tocada por seus irmãos, em apoio também registrado no filme. 20h – PAPEL NÃO EMBRULHA BRASAS (Le Papier ne Pas Peut Envelopper la Braise) Direção: Rithy Panh – França – 2006 – 86 min. – DVD Sinopse: O cineasta cambojano acompanha o processo de exclusão social de uma prostituta, que sente-se impedida de voltar à cidade natal por medo de que os habitantes saibam o que ela fazia para sobreviver em Phnom Penh. Neste contexto, a decadência do corpo iguala-se a uma espécie de morte civil. 22h – FORA DE CONTROLE: AIDS NA AMÉRICA NEGRA (Oof Control: AIDS in Black America) Direção: Elizabeth Arledge – EUA – 2006 – 45 min. DVD Sinopse: O respeitado jornalista americano Peter Jennings se dedicava ao especial de TV por ele idealizado, quando morreu de câncer em 2005. A equipe da rede ABC deu segmento ao projeto e manteve a passagem em que o âncora entrevista um grupo de negros soropositivos em Atlanta. A intenção aqui é revelar o quanto a população americana afro-descendente é mais suscetível ao vírus HIV, tese sustentada por estatísticas e depoimentos, além de reportagens em vários estados norte-americanos. Baseado numa pesquisa de 2003, o número de infectados pela doença no país contabilizava 1.039.000, sendo que desses a metade era de homens negros. A partir desse painel trágico, a investigação ouve representantes de entidades do governo, ONGs, penitenciárias – onde a distribuição de PRESERVATIVOS é proibida e, especialmente, comunidades religiosas e seus principais líderes, já que eles são vozes influentes no esclarecimento da AIDS para os núcleos negros. Boas conversas informais, a exemplo do grupo de mulheres debatendo as razões dos homens serem reticentes a precauções básicas, complementam o formato tradicional de um programa para televisão. GORETTI Direção: Diana Igirimbabazi – França/Ruanda – 2005 – 13 min. – DVD Sinopse: Com 16 anos, Goretti é a chefe da família. Seus pais morreram de AIDS e desde então teve que interromper os estudos para cuidar sozinha de seus cinco irmãos. Cine Olido / Galeria Olido Local: Cine Olido (236 lugares) – av. São João, 473 – Centro (estação República do Metrô) Telefone: 11 3331-8399 / 3397-0171 Ingresso: R$ 1,00 inteira e R$ 0,50 meia entrada (entrada gratuita com apresentação de vale-ingresso impresso através do site www.AIDS.org.br) (todos os filmes terão exibição em DVD) 15h – AS TEIAS DA ARANHA (As teias da aranha, 2007, Moçambique, cor, 105′ – exibição em DVD) Direção: Sol de Carvalho Num bairro modesto da cidade de Beira, em Moçambique, Alice está dividida entre o interesse do esforçado jovem Camilo e do sedutor, mas instável, Mariano, seu ex-namorado e ainda pretendente. Mariano conta com o apoio dos pais de Alice, enquanto Camilo não é visto com bons olhos. Não bastasse a indefinição da moça, ela descobre-se grávida e portadora do HIV. 17h – O SEXO CONFUSO – CONTOS DA ERA AIDS (+o- I’ll Sesso Confuso – Racontti di Mondi Nell’ Era AIDS, 2010, Itália, cor, 93′ – exibição em DVD) Direção: Andre Adriatico e Giulio Maria Corbelli Este painel documental das três décadas de convivência dos italianos com a AIDS começa, na verdade, nos anos 70. A dupla de diretores recua um pouco no histórico de surgimento da doença para apontar como aquele momento de liberdade sexual e intenso consumo de drogas abriu caminho para a disseminação, dez anos depois, do HIV entre a população jovem, especialmente os grupos homossexuais e viciados. Em depoimentos, soropositivos e especialistas, como cientistas, médicos, psiquiatras, além de ativistas e um padre, ajudam a amarrar o percurso da doença, de seu pico nos anos 80 ao aparecimento das primeiras medicações na década seguinte. Os anos 2000 surgem como o período de convivência e de novos e polêmicos procedimentos no cenário da moléstia, a exemplo do chamado “barebacking”, o sexo deliberado e sem proteção com infectados pelo HIV com o intuito de adquirir o vírus. Entre os depoentes está o ator Thomas Trabacchi, que interpretou um SOROPOSITIVO estável graças aos medicamentos no filme Dias (2001), já exibido pelo Cinema Mostra AIDS. 19h30 – TRANSLATINA Direção: Felipe Degregori Perú, 2009, 93min. DVD A AIDS neste painel documental é somente mais um problema a ser enfrentado pelas transexuais e travestis dos países latinos de língua espanhola, principais personagens do filme. Produzido a partir do Peru, cenário principal das entrevistas e discussões, a fita contempla ainda Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, Cuba, El Salvador, Equador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Uruguai, e mesmo o Brasil, representado pelo “portunhol” da personagem Liza Minelli. Assim como ela, vários entrevistados militam pela causa desses excluídos sociais em organizações não governamentais e associações de ajuda. Por vezes a luta coincide com a opção pessoal pela mudança de sexo, as transformações no corpo propiciadas pelo silicone e a prostituição determinada pela sobrevivência, inclusive no caso dos garotos de programa. Boa parte dos depoentes são soropositivos e relatam suas experiências pessoais, familiares e de descoberta da doença. Mas para além do HIV, enfrentam ainda a violência tanto por parte de clientes como da polícia, o preconceito em círculos sociais como a escola, e a dificuldade de conseguir um emprego convencional. Haverá debate após a exibição do filme.
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