
O estudo envolveu 26 doentes seropositivos co-infectados com a hepatite C. Foi avaliada a diversidade genética da hepatite C antes e após o início do tratamento da infecção com interferão peguilado e ribavirina. Esta análise concluiu que esta era semelhante nos doentes que conseguiram uma resposta virológica sustentada a este tratamento e nos que não a conseguiram.
“Estes resultados sugerem que o tratamento anterior para a infecção por VHC (vírus hepatite C) com interferão e ribavirina não tem um impacto significativo sobre a potencial eficácia dos tratamentos subsequentes com um IP [inibidor da protease] em doentes co-infectados”, comentam os investigadores.
A doença hepatica provocada pela hepatite C é uma das c principais ausas de morte nos doentes seropositivos que estão co-infectados com este vírus.
No entanto, a hepatite C pode ser tratada. Actualmente, o padrão de cuidados é a combinação de interferão peguilado com ribavirina. O objectivo do tratamento é a cura (ou resposta virológica sustentada), definida como uma carga viral indetectável do VHC 24 semanas após a conclusão da terapêutica.
No entanto, apenas uma minoria dos doentes seropositivos que estão cronicamente infectados com hepatite C eliminam a infecção com este tratamento.
Espera-se que tratamentos mais eficazes para a hepatite C sejam disponibilizados em breve. Os inibidores da protease boceprevir e telaprevir tiveram bons resultados nos ensaios clínicos que envolveram tanto doentes mono-infectados naïve para o tratamento como doentes experimentados.
Os inibidores da protease para a hepatite C têm como alvo um momento crucial na replicação do vírus chamado domínio N-terminal da proteína não estrutural 3 (NS3). Na NS3 têm sido observados níveis elevados de diversidade genética nas quantidades dos aminoácidos e nucleótidos. Seria possível pensar que a terapêutica prévia para a hepatite C aumentasse a diversidade nos genes, reduzindo deste modo a eficácia dos inibidores da protease.
Para verificar se este era o caso, os investigadores avaliaram o impacto da terapêutica com ribavirina e interferão sobre a diversidade genética da sequência dos genes da protease da proteína NS3 da hepatite C em doentes seropositivos, que estavam sob terapêutica anti-retroviral.
No estudo, foi recrutado um total de 26 doentes. Excepto uma mulher eram todos homens, a idade média era de 45 anos, 46% eram Afro-americanos e 42% eram caucasianos.
A diversidade genética da hepatite C foi avaliada antes da terapêutica para a hepatite C ser iniciada e de novo à quatro semana após o fim deste tratamento.
O tratamento eliminou (uma carga viral indetectável da hepatite C seis meses após a conclusão da terapêutica) a infecção pela hepatite C em onze doentes.
Não houve qualquer evidência de que a resposta à terapêutica com interferão peguilado tenha afectado a susceptibilidade aos inibidores da protease.
Tanto nos níveis dos nucleótidos como dos aminoácidos, não houve qualquer mudança significativa, entre o início e a conclusão da terapêutica no gene da NS3, tanto nos doentes que responderam à terapêutica como nos que não responderam.
No entanto, houve evidência de que a diversidade genética do gene da NS3 no início do estudo teve um impacto sobre a eficácia da terapêutica com interferão peguilado e ribavirina. Os que não eliminaram o vírus tinham uma diversidade significativamente maior nos níveis dos nucleótidos (p= 0,004) e dos aminoácidos (p= 0,009)
“As mutações resistentes da NS3 encontram-se ocasionalmente em doentes naïve para o tratamento com IPs, no entanto, o tratamento com interferão e ribavirina não parece seleccionar estas mutações ou aumentar a sua prevalência”, comentam os investigadores.
“Os nossos resultados indicam que a eficácia potencial dos IPs contra o VHC não será afectada por um tratamento prévio para o VHC nos doentes co-infectados”.
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