Os resultados dos doentes seropositivos sob terapêutica anti-retroviral no Reino Unido têm melhorado significativamente nos últimos anos, e espera-se que continuem assim pelo menos até 2012, segundo um relatório do HIV Medicine.

A taxa de mortalidade desceu significativamente e reduziu-se o número de doentes com uma contagem de células CD4 abaixo de 200/mm3. Apesar de ter aumentado a proporção de fracassos terapêuticos em indivíduos com tratamentos de combinação tripla, 52% destes doentes tinham, no entanto, carga viral indetectável.
O sucesso da TAR [terapêutica anti-retroviral] melhorou marcadamente no período de 2000-2007, com cinco em cada seis doentes sob terapêutica TAR com carga viral <50 cópias/ml. Nove em cada 10 doentes têm agora uma contagem de CD4 acima do nível elevado de risco de 200 células/mm3’’, referem os investigadores.
Os investigadores tinham como objectivo observar se os resultados nos doentes seropositivos no Reino Unido estavam a ser mantidos ou até melhorados. Monitorizaram indicadores chave do sucesso da terapêutica anti-retroviral entre 2000-2007: mortalidade; baixa contagem de células CD4; multi-resistência e carga viral detectável.
Criaram também um modelo informático para projectar resultados dos doentes do Reino Unido até 2012.
A informação para o estudo foi obtida doUK Collaborative HIV Cohort (UK-CHIC), e também do estudo (SOPHID) Health Protection Agency’s Survey of Prevalent HIV Infections Diagnosed.
O número de doentes no UK-CHIC aumentou em mais de 50%, de 9 041 em 2000 para 14 812 em 2007
Quando estes números foram combinados com os dados do HPA, estimou-se que o número total de doentes que receberão assistência para o VIH no Reino Unido aumentará até 74 000 em 2012, dos quais 73% estarão a receber terapêutica anti-retroviral.
Em 2007, 81% dos doentes com experiência com terapêutica anti-retroviral tinham tomado um ITRNN (Inibidor da transcriptase reversa não-nucleósido), 56% um inibidor da protease e 39% tinham experiência de tratamento com as três classes iniciais de tratamentos para o VIH.
Houve uma diminuição substancial na proporção de doentes com uma contagem de células CD4 abaixo de 200/mm3 (19% em 2000, 8% em 2007). Isto foi acompanhado pelo aumento do número de doentes a sob terapêutica com uma carga viral inferior a 50 cópias/ml (62% em 2000, 83% em 2007).
Observou-se que o número anual de mortes em doentes infectados pelo VIH permaneceu estável entre 2000 e 2007, e o modelo informático sugeriu que não haveria um aumento substancial até 2012. Os investigadores comentam que, “aparentemente não existe uma tendência para o aumento no número de mortes, apesar do aumento do número de pessoas infectadas pelo VIH, o que indica uma diminuição na taxa de mortalidade”.
No entanto, houve um aumento no número de doentes com experiência nas três classes principais de anti-retrovirais (35% em 2000, 39% em 2007). Além disso, a proporção de doentes extensivamente expostos às três classes também aumentou de 14% em 2000 até 19% em 2007.
Baseando-se nos dados do UK-CHIC, os investigadores estimaram que a proporção de doentes com fracasso em tratamento com terapêutica baseada em três classes de medicamentos aumentou de 1% em 2000 até 4% em 2007.
“O sucesso da TAR [terapêutica anti-retroviral] tem melhorado marcadamente no período de 2000-2007, com cinco em cada seis doentes sob TAR com carga viral < 50 cópias/ml. Investigadores de UK-CHIC e SOPHID”
No entanto, os avanços nos tratamentos para a infecção pelo VIH significaram que a proporção de doentes que tinham experienciado fracasso terapêutico e que tinham carga viral detectável diminuiu de 80% em 2000 até 48% em 2007.
“Estima-se que esta diminuição continuará dado que mais doentes começam a utilizar medicamentos mais recentes, incluindo das novas classes disponíveis, tais como inibidores da integrase e talvez antagonistas do CCR5”, escreveram os investigadores.
É provável que esta diminuição no número de doentes com experiência em tratamentos com carga viral detectável venha a ter benefícios para a saúde pública. Os investigadores referem que “os nossos resultados têm implicações positivas para futuras transmissões de vírus resistentes, prevendo-se que a proporção de novas infecções com vírus resistentes permanecerá baixa”.
Os investigadores acreditam que os progressos nos resultados entre 2000 e 2007 são “notáveis”. Concluem que os medicamentos autorizados recentemente e os futuros desenvolvimentos em tratamentos e cuidados para a infecção pelo VIH significam que são possíveis mais avanços nos resultados dos doentes com extensa experiência de tratamento.
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