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Pesquisa traça perfil da epidemia de HIV AIDS entre gays

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Perfil da epidemia de HIV AIDS entre gays aponta para jovens gays como potenciais vítimas.

 

Tudo ap­resentado no IX Con­gresso Brasileiro de Pre­venção das DST e AIDS“, evento sobre com­porta­mento e prátic­as sexuais apon­tou que a epi­demia tem cres­cido entre essa pop­ulação no es­tado de São Paulo.

Res­ultado pre­lim­in­ar do estudo Sam­pa­Centro, ap­resentado dur­ante o IX Con­gresso Brasileiro de Pre­venção das DST e ” , II Con­gresso Brasileiro de Pre­venção das Hep­at­ites Virais,  VI Fórum Latino-amer­icano e do Caribe em HIV/AIDS”  e DST e V Fórum Comunitário Latino-amer­icano e do Caribe em HIV/AIDS e DST, traça um breve per­fil da epi­demia de HIV entre gays e ho­mens que fazem sexo com ho­mens que freqüen­tam a região cent­ral do mu­nicípio de São Paulo.

O estudo, real­iz­ado no centro da cid­ade de São Paulo entre novem­bro de 2011 e janeiro de 2012, é fruto da par­cer­ia entre a Fac­uldade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e o Centro de Referência e Tre­in­a­mento em DST/AIDS, vin­cu­lado à Sec­ret­ar­ia de Es­tado da Saúde de São Paulo. “Trata-se de um estudo sobre com­porta­men­tos e prátic­as sexuais, acesso à pre­venção do HIV e pre­v­alência da in­fecção pelo HIV entre gays, trav­estis e ho­mens que fazem sexo com ho­mens que freqüen­tam espaços de en­con­tro so­cial nos dis­tri­tos da Con­solação e República, na região cent­ral do mu­nicípio de São Paulo”, ex­plica Maria Amélia Ver­as, da Santa Casa.  “Este estudo se propõe a re­duzir as la­cunas ex­ist­entes no que se ref­ere à  in­formação e con­he­ci­mento a re­speito da epi­demia de HIV e AIDS entre es­ta pop­ulação”, com­pleta.

O uni­verso do estudo foi com­posto por 1.217 par­ti­cipantes, e 778 deles con­cordaram em real­iz­ar um ex­ame de sangue para real­ização de sor­o­lo­gia anti-HIV.  Entre eles obser­vou-se: 7,4% de sor­o­pos­it­ivid­ade na faixa de 18 a 24 anos; 14,7%, 25 a 34 anos; 27,7%, 35 a 49 anos e 18,3% nos en­trev­ista­dos entre 50 e 77 anos. Esses da­dos cor­rob­oram estudos brasileir­os re­cen­tes que apon­tam a grande vul­ner­ab­il­id­ade de ad­oles­cen­tes e jovens gays (ho­mens que fazem sexo com ho­mens) para a in­fecção pelo HIV.

Entre os en­trev­ista­dos, 514 fizer­am entre dois e cinco testes anti-HIV ao longo da vida e 167 nunca real­iz­aram o teste até o mo­mento da en­trev­ista. A prin­cip­al res­istência em real­iz­ar o teste é o medo de descobrir-se sor­o­pos­it­ivo, seguido do medo da dis­crim­inação por ser porta­dor de HIV/AIDS.

Para Gab­ri­ela Calazans, do Centro de Referência e Tre­in­a­mento DST/AIDS-SP, vin­cu­lado à Sec­ret­ar­ia de Es­tado da Saúde,  apar­ente­mente a rev­elação da ori­entação sexu­al dos en­trev­ista­dos está se dando mais pre­co­cemente, com­parando com out­ras gerações, as­sim como sua ex­posição ao estigma e à dis­crim­inação. “É ne­cessário en­fat­iz­ar a im­portância/ne­cessid­ade de polític­as públicas e educação sobre HIV e out­ras DST entre jovens que estão ini­ciando sua vida sexu­al, para que seja possível conter a epi­demia”, apon­ta a pesquis­ad­ora.

Da­dos do Min­istério da Saúde (2012) apon­tam que houve aumento de 31.8% para 46.6% no número de nov­os casos no grupo entre 15 e 24 anos, entre 1998 e 2010. A pre­v­alência da in­fecção na pop­ulação ger­al brasileira é de 0.6%.   “Con­cluímos que os HSH jovens são in­di­vidu­al e so­cial­mente vul­neráveis ao HIV. A taxa de in­fecção é alta entre eles, es­pe­cial­mente con­sid­er­ando que eles tiveram apen­as dois anos de vida sexu­al”, comenta Maria Amélia Ver­as. Se­gundo a pesquis­ad­ora, esses da­dos se assemel­ham ao pan­or­ama ob­ser­vado em países da América Lat­ina.

A pesquisa também con­statou que o pre­con­ceito e a dis­crim­inação estão presentes no co­tidi­ano dos en­trev­ista­dos.  Entre os 1.217 par­ti­cipantes do estudo, 33.5% de­clararam ter­em sido mal­trata­dos em vári­os am­bi­entes, 15.1% so­freram agressões físicas e 62.3% ofensa verbal. Agressões ocor­reram na escola (31.6%), proveni­ente de pro­fess­ores e cole­g­as; em casa (28.5%), no tra­balho (19.6%) e por poli­ci­ais em espaços públi­cos (16.4%). “A vi­olência sexu­al foi de­clarada em 6% da amostra. A maior parte dos en­trev­ista­dos é jovem, com 30.1% na faixa entre 18 e 24 anos e 38% entre 25 e 34 anos”, ob­serva  Gab­ri­ela Calazans, do CRT DST/AIDS-SP.

A maior­ia dos par­ti­cipantes iden­ti­ficou a si próprio como ho­mos­sexu­al (79.5%), 14.3% do total da amostra con­sid­er­aram-se bis­sexuais, 2.8% het­eros­sexuais; 0.7% tran­sexuais e 1.3% trav­estis.

Veri­ficou-se que entre o total de en­trev­ista­dos, 1.103 as­sum­iram sua ho­mos­sexu­al­id­ade di­ante dos ami­gos e  914 per­ante a família.

Em relação ao grau de in­strução, 4.6% com­pletaram o en­sino fun­da­ment­al; 29.9%  en­sino médio; 22.9% não con­cluíram o en­sino su­per­i­or; 29.4% com­pletaram o en­sino su­per­i­or e 13% tem pós graduação. A maior­ia iden­ti­ficou-se como in­divíduo de cor branca (58.8%),  10.2 como pre­tos, 24.9% como par­dos, 2.4% asiáti­cos e 1% indígen­as.

Per­ce­beu-se que as prin­cipais fontes de in­formação dos en­trev­ista­dos são a in­ter­net (564) e a tele­visão (208).  “Os jovens HSH pre­cis­am de abor­d­a­gens novas e ori­ginais para en­ga­jar­em a si mes­mos em prátic­as de sexo se­guro. Pre­cis­am­os pro­mover ações e pro­pos­tas in­ovador­as util­iz­ando mídi­as so­ci­ais e sites es­pecífi­cos. Cam­pan­has anti ho­mo­fo­bia também são es­sen­ci­ais, para redução do pre­con­ceito e sens­ib­il­ização em relação à di­ver­sid­ade”, apon­ta Gab­ri­ela Calazans.

Os en­trev­ista­dos fo­ram abor­da­dos em 92 lugares, entre eles ca­s­as noturnas, saunas, cinemas e na rua. Estes lo­c­ais fo­ram pre­via­mente se­le­cion­ados. Para par­ti­cipar do estudo era pre­ciso residir no es­tado de São Paulo, ser maior de 18 anos e ter tido relação sexu­al com outro homem.

O pro­jeto foi con­tem­plado com fin­an­ciamento do Pro­grama Pesquisa para o SUS,  Fundação de Am­paro à Pesquisa do Es­tado de São Paulo (FAPESP), Sec­ret­ar­ia da Saúde do Es­tado de São Paulo, Min­istério da Saúde e Con­selho Nacion­al de Desen­vol­vi­mento Científico e Tecn­ológi­co (CN­Pq).

Por Emi Shimma (Ascom – CRT/SP)

Edição: Wel­ling­ton Araújo

E-mail: wel­ling­ton_phb@hot­mail.com

Fale direta­mente com Wel­ling­ton Araújo Alves

4 setem­bro, 2012 – 16:12 – Wel­ling­ton Araújo Alves

 

Vídeo – Cresce o número de infectados pelo vírus HIV entre jovens gays

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