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Jornal do Brasil |
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Ciência |
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12/FEVEREIRO/08 |
Lawrence K. Altman The New York Times
Cientistas do governo americano descobriram uma nova forma de o HIV atacar as células humanas, avanço que pode levar ao desenvolvimento de novas terapias para combater a AIDS. Eles identificaram um novo receptor humano que ajuda a guiar o vírus até o intestino, onde começa o ataque cruel ao sistema imunológico. As descobertas foram divulgadas no domingo no site do jornal Nature Immunology por uma equipe liderada por Anthony S. Fauci, diretor do Instituo Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas.
Há anos os cientistas sabem que o HIV invade rapidamente os nós de linfa (tecido linfático que impede a entrada de corpos estranhos no sangue), abundantes no intestino. Este se torna o local principal para a multiplicação do vírus que, então, continua a esvaziar o tecido linfático das células CD4 que lutam contra o HIV.
O fato ocorre em todos os portadores de HIV, que podem ter contraído o vírus por meio da relação sexual, de transfusões de sangue, do uso de seringas e agulhas com sangue contaminado, durante o nascimento ou bebendo leite materno.
As descobertas fornecem algumas das principais respostas sobre como e por que essa situação acontece. Warner C. Greene, especialista em AIDS e diretor do Instituto de Virologia e Imunologia de GlaDSTone que não participou da pesquisa, classifica as descobertas como "um avanço importante".
- Os cientistas começam a jogar luz em um processo misterioso sobre por que o vírus cresce preferencialmente no intestino – avaliou.
Proteína gruda
Fauci, James Arthos, Claudia Cicala, Elena Martinelli e seus colegas mostraram que a molécula integrin alpha-4 beta-7, que naturalmente direciona as células imunológicas para o intestino, também é um receptor para o HIV. Uma proteína do vírus gruda em uma molécula no receptor que está ligada especificamente ao caminho percorrido pelas células CD4 no intestino, segundo os pesquisadores.
A ligação do vírus com a molécula integrin alpha-4 beta 7 estimula a ativação de uma outra molécula, a LFA-1, que desempenha um papel fundamental na disseminação do vírus de uma célula para outra. As ações levam, por fim, à destruição do tecido linfático, principalmente no intestino.
Vários outros receptores para o HIV são conhecidos. O mais importante é a molécula CD4 em algumas células imunológicas; o papel da molécula como um receptor de HIV foi identificado em 1984.
Dois outros receptores importantes, conhecidos como CCR5 e CXCR4, foram identificados em 1996. O CCR5 é um componente normal das células humanas e age como uma porta de entrada para o HIV. Pessoas que não o tem, devido a uma mutação genética, raramente se tornam infectadas mesmo que tenham sido expostas ao HIV repetidas vezes.
- O trabalho levou cerca de dois anos, e quase não há dúvida de que o que achamos é um novo receptor – disse Fauci, acrescentando que ainda há muito a se aprender.
Os cientistas queriam identificar receptores porque podem levar ao desenvolvimento de novas drogas. Por exemplo, no ano passado a Administração de Drogas e Alimentos aprovou para tratamento da AIDS uma droga da Pfizer, a Selzentry, que trabalha para bloquear o CCR5.
Novas abordagens
Fauci espera que as descobertas incentivem outros cientistas de disciplinas diferentes a explorarem novas maneiras de atacar o HIV.
Uma série de drogas experimentais que bloqueiam o receptor integrin alpha-4 beta-7 estão sendo testadas para o tratamento de doenças auto-imunes. Para Fauci, as drogas também devem ser estudadas pelo benefício que podem trazer para o tratamento da AIDS.
No ano que vem, as drogas devem ser testadas em animais e humanos para determinar a sua segurança e eficácia contra o HIV, comentou Fauci. Segundo o especialista, um candidato é o Tysabri, remédio vendida para o tratamento de esclerose múltipla. A Biogen/Elan fabrica o Tysabri.
Se os testes forem um sucesso, as drogas poderiam, de acordo com Fauci, serem adicionadas aos tratamentos existentes.
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