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O GLOBO | O MUNDO
LGBT 15/07/2010 Luis Majul O acalorado debate sobre o casamento gay não deve ser contaminado por interesses políticos ou religiosos, mas dominado pela honestidade intelectual e da liberdade de consciência. Para começar, quero deixar claro, mais uma vez, que apoio a iniciativa porque defendo a igualdade de direitos e não acredito que a opção sexual seja um impedimento para usufruí-los. Estou ciente de que Néstor Kirchner e a presidente Cristina Fernández pegaram o bonde da lei do casamento gay tarde e andando, como fizeram com as mães e avós da Plaza de Mayo, o Futebol para Todos ou mesmo a popularidade discutida de Diego Maradona. Sei que sua defesa tardia do projeto tem motivo: competir com o arcebispo de Buenos Aires, Jorge Bergoglio, porque esse conflito é funcional ao projeto político do liberalismo superficial e infantil. Nesse sentido, a hierarquia da Igreja, qualificando como guerra entre Deus e o Diabo um debate legítimo, faz ao governo um grande favor – o de apresentar-lhe como uma organização anacrônica e inflexível, longe da vida cotidiana e de mudanças culturais. Embora eu não os partilhe, parecem compreensíveis alguns argumentos dos adversários da lei do casamento gay. Especialmente os que sustentam que a questão merece uma discussão mais aprofundada e menos contaminada por interesses políticos e religiosos. Seja qual for o resultado não se deve ignorar o que acontece na Argentina hoje, à margem da legislação vigente. Existem milhares de casais homossexuais que vivem em harmonia conjugal, embora ainda não sejam unidos pelo matrimônio. Há milhares de crianças adotadas por mulheres e homens solteiros que, hoje, são criadas por casais homossexuais com o mesmo amor e o apoio de muitos outros filhos, como os criados e educados por um pai e uma mãe. Além da exploração política de kirchnerismo e da pretensão da Igreja em impor um modelo único de família, há uma dinâmica social que se move com força e sem ferir os outros. Cedo ou tarde as leis validarão os direitos dessas minorias porque não há interesse político ou religioso que possa deter a realidade por muito tempo. LUIS MAJUL é jornalista e escritor e publicou o artigo no “La Nación” |
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