3 visualizações desde a publicação
Hoje: 0 Esta semana: 0 Este mês: 0
Publicado há 16 anos, 1 mês e 17 dias
Atualizado há 1 mês
3 visualizações históricas
O GLOBO | O MUNDO

LGBT

15/07/2010

Luis Majul

O acalorado debate sobre o casamento gay não deve ser contaminado por interesses políticos ou religiosos, mas dominado pela honestidade intelectual e da liberdade de consciência.

Para começar, quero deixar claro, mais uma vez, que apoio a iniciativa porque defendo a igualdade de direitos e não acredito que a opção sexual seja um impedimento para usufruí-los.

Estou ciente de que Néstor Kirchner e a presidente Cristina Fernández pegaram o bonde da lei do casamento gay tarde e andando, como fizeram com as mães e avós da Plaza de Mayo, o Futebol para Todos ou mesmo a popularidade discutida de Diego Maradona. Sei que sua defesa tardia do projeto tem motivo: competir com o arcebispo de Buenos Aires, Jorge Bergoglio, porque esse conflito é funcional ao projeto político do liberalismo superficial e infantil. Nesse sentido, a hierarquia da Igreja, qualificando como guerra entre Deus e o Diabo um debate legítimo, faz ao governo um grande favor – o de apresentar-lhe como uma organização anacrônica e inflexível, longe da vida cotidiana e de mudanças culturais.

Embora eu não os partilhe, parecem compreensíveis alguns argumentos dos adversários da lei do casamento gay. Especialmente os que sustentam que a questão merece uma discussão mais aprofundada e menos contaminada por interesses políticos e religiosos. Seja qual for o resultado não se deve ignorar o que acontece na Argentina hoje, à margem da legislação vigente.

Existem milhares de casais homossexuais que vivem em harmonia conjugal, embora ainda não sejam unidos pelo matrimônio.

Há milhares de crianças adotadas por mulheres e homens solteiros que, hoje, são criadas por casais homossexuais com o mesmo amor e o apoio de muitos outros filhos, como os criados e educados por um pai e uma mãe.

Além da exploração política de kirchnerismo e da pretensão da Igreja em impor um modelo único de família, há uma dinâmica social que se move com força e sem ferir os outros. Cedo ou tarde as leis validarão os direitos dessas minorias porque não há interesse político ou religioso que possa deter a realidade por muito tempo.

LUIS MAJUL é jornalista e escritor e publicou o artigo no “La Nación”

Total Views: 0

Descubra mais sobre Blog Soropositivo Home Page Arquivo HIV

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Share This Article
Violência contra a mulher: canais de emergência, denúncia e proteção.

Descubra mais sobre Blog Soropositivo Home Page Arquivo HIV

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo

Descubra mais sobre Blog Soropositivo Home Page Arquivo HIV

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo