Preconceito ou norma Técnica

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, , Homossexuais não podem doar sangue. Anvisa diz que chance de homem nessa categoria estar contaminado pelo HIV é 11 vezes maior

Rodrigo Stüpp

Vontade de ajudar não falta a Eduardo*, 22 anos. Há duas semanas, ele tirou parte da manhã para doar sangue. Não conseguiu. Passou na triagem inicial mas teve sua oferta rejeitada quando escreveu que é homossexual. O caso em Joinville não é inédito. Baseia-se em norma da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Eduardo mora em Joinville há alguns meses. Diz que sempre quis doar, mas o horário do trabalho era incompatível. “Já sou doador de órgãos e quero doar meu sangue também. Ele é limpo”, diz o rapaz. “Pedem tanto sangue em campanhas e fui rejeitado”, argumenta. O jovem diz que faz dois exames de HIV por ano, tem parceiro fixo e só faz sexo com proteção. “Tudo isso eu respondi. Se me protejo, se nunca tive outras doenças, por que fui reprovado?”, pergunta.

A resposta do Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina (Hemosc) está na Resolução 153/2004 (leia abaixo), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A agência chama de comportamento de “risco acrescido” homem que tenham feito sexo com homem no último ano, ou mulheres que tenham ido para a cama com esses homens. Segundo a norma, a medida é “de proteção pública, como um bem coletivo, e não de incentivo ao preconceito ou à homofobia”.

Em nota, a Anvisa reforça que “não é ser ou não ser homossexual”. Segundo a agência, a chance de um homem nessa categoria estar contaminado pelo HIV é 11 vezes maior que as de outro que mantém relações com pessoa do sexo oposto. Mulheres não entram na estatística.

Roseli Sandrin, chefe do setor de captação do Hemosc, garante que não se trata de preconceito. “Temos conversado com esses grupos e deixado isso claro. É um critério técnico, embasado em pesquisas, que busca a máxima segurança para quem recebe o sangue.”

E por que não aceitam e fazem exames depois, sugere Eduardo. Segundo a Anvisa, os exames não são 100% seguros, e a triagem é uma maneira de diminuir os riscos.

rodrigo.stupp@an.com.br

Não pode doar quem…

  • – Teve hepatite (após dez anos), doença de chagas, malária, Aids, sífilis, crises convulsivas.
  • – Apresenta ou já apresentou teste positivo para Aids.
  • – Usou droga injetável.
  • – Costuma ter relação sexual com pessoas desconhecidas.
  • – Pagou para ter relação sexual com outra pessoa.
  • – Fez endoscopia digestiva nos últimos 12 meses.
  • – Recebeu transfusão nos últimos 12 meses.
  • – Foi tatuado há um ano.
  • – Foi operado nos últimos seis meses.
  • – Teve febre nos últimos sete dias.
  • – Está grávida, deu à luz nos últimos seis meses ou está amamentando.
  • – Ingeriu bebida alcóolica nas últimas 12 horas.
  • – Quer apenas saber seus resultados de exames para doenças transmisssíveis.
  • Pode doar quem…
  • – Está bem de saúde e tem hábitos de vida saudável.
  • – Tem entre 18 e 65 anos.
  • – Pesa no mínimo 50 quilos.
  • – Cumpre todos os itens acima e apresenta documento de identidade com foto.

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