Início Ação Anti AIDS Quanto mais tempo a carga viral permanece indetectável, menor o risco que...

Quanto mais tempo a carga viral permanece indetectável, menor o risco que suba

0
Investigadores canadianos reportam, na edição online do Journal of Acquired Immune Deficiency Syndromes, que, quanto mais tempo um doente em tratamento para o VIH mantém uma carga viral indetectável, menor é o risco que tenha uma subida virológica.

“Constatámos, que, após a carga viral indetectável ser alcançada, continuavam a ser necessários níveis elevados de adesão durante pelo menos um ano. Ao longo do tempo, no entanto, o risco de subida da carga viral diminuiu, mantendo-se a supressão viral independentemente do nível de adesão”, comentam os investigadores.

Apesar disso, os investigadores realçam que os doentes devem ter como objectivo a toma correcta de todas as doses.

O tratamento anti-retroviral de combinação pode prolongar a esperança de vida dos doentes seropositivos para níveis quase normais.

Para conseguir o benefício máximo do tratamento, é necessário que os doentes tomem as doses correctamente. Os melhores resultados são observados em pessoas que tomam pelo menos 95% das suas doses. Uma adesão abaixo deste nível tem sido associada a um aumento da carga viral e ao desenvolvimento de vírus resistentes aos medicamentos.

No entanto, os investigadores canadianos puseram a hipótese que, ao alcançar-se a supressão inicial do VIH após o começo da terapêutica, seriam necessários níveis mais baixos de adesão para manter uma carga viral indetectável. Isto deve-se ao facto, de que a quantidade do vírus capaz de se reproduzir diminui com a duração mais longa da supressão.

Para verificar esta teoria, os investigadores realizaram um estudo retrospectivo que envolveu 1 305 doentes, que iniciaram a terapêutica pela primeira vez entre 2000 e 2006. Todos os doentes alcançaram uma carga viral abaixo de 50 cópias/ml. Os investigadores analisaram os factores associados a um aumento subsequente sustentado da carga viral para mais de 400 cópias/ml.

Globalmente, 274 (21%) doentes tiveram um aumento da carga viral para níveis detectáveis. O tempo médio entre a supressão abaixo de 50 cópias/ml e uma subida sustentada para carga viral detectável foi de dois anos.

Os factores associados a um aumento na carga viral foram o sexo feminino, consumo prévio de drogas injectáveis, início do tratamento entre 2000 e 2001, idade mais jovem, resistência aos medicamentos anti-retrovirais no início do estudo e a toma de inibidores da protease não potenciados (todos p<0,01).

Além disso, foi importante a duração da supressão viral anterior.

Cada mês de supressão continuada do VIH baixou o risco de subida da carga viral para detectável em 8%.

Para todos os níveis de adesão, quanto mais longa a supressão do VIH, menor o risco de subida para detectável.

Para os doentes com um nível elevado de adesão (95% ou superior), a probabilidade de subida para detectável foi de 0,10 quando a carga viral foi suprimida durante menos de doze meses. No entanto, a probabilidade foi de apenas 0,04 após a carga viral ter sido suprimida durante 72 meses.

Entre os doentes com uma adesão moderada (80% até 94%), a probabilidade de subida para indetectável foi de 0,85 com uma supressão até doze meses e 0,08 até 72 meses.

Para os que apresentam fraca adesão, a probabilidade de subida foi de 0,68 após a supressão durante doze meses e 0,05 após 72 meses.

No entanto, mesmo tendo em conta a duração da supressão, os doentes que tomaram pelo menos 95% das doses tiveram 11% menos probabilidade de voltar a ter carga detectável do que os que tinham uma adesão mais fraca.

“Os nossos resultados reforçam a mensagem de que a probabilidade de supressão da carga viral a longo prazo é maior nas pessoas com adesão sustentada e quase perfeita, especialmente importante nas fases mais precoces do tratamento”, escrevem os autores.

No entanto, concluem que “devido ao facto de a ‘resiliência’ da TARc (Terapêutica Anti-retroviral de combinação) aumentar com o tempo, é possível que as pessoas continuem com a carga viral plenamente suprimida, mesmo após terem falhado a toma de algumas doses de medicação”.

Referência

Lima VD et al. Risk of viral failure decline with duration of suppression on highly active antiretroviral therapy irrespective of adherence level. J Acquir Immune Defic Syndr, publicado online, 16 de Setembro de 2010. (For abstract and link to article full text click here).

Michael Carter


Descubra mais sobre Blog Soropositivio Arquivo HIV

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Artigo anteriorBaixa prevalência de doença renal avançada nos doentes infectados pelo VIH na Europa
Próximo artigoCATAPORA Duas mortes em 2010
🌟 25 Anos de História e Dedicação! 🌟 Há mais de duas décadas, compartilho experiências, aprendizados e insights neste espaço que foi crescendo com o tempo. São 24 anos de dedicação, trazendo histórias da noite, reflexões e tudo o que pulsa no coração e na mente. Manter essa trajetória viva e acessível a todos sempre foi uma paixão, e agora, com a migração para o WordPress, estou dando um passo importante para manter esse legado digital acessível e atual. Se meu trabalho trouxe alguma inspiração, riso, ou reflexão para você, convido a fazer parte desta jornada! 🌈 Qualquer doação é bem-vinda para manter este espaço no ar, evoluindo sempre. Se VC quer falar comigo, faça um PIX de R$ 30,00 para solidariedade@soropositivo.org Eu não checo este e-mail. Vejo apenas se há recibos deste valor. Sou forçado a isso porque vivo de uma aposentadoria por invalidez e "simplesmente pedir" não resolve. É preciso que seja assim., Mande o recibo, sem whats e conversaremos por um mês

SEM COMENTÁRIOS

Deixe uma respostaCancelar resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Descubra mais sobre Blog Soropositivio Arquivo HIV

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading

Descubra mais sobre Blog Soropositivio Arquivo HIV

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading

Sair da versão mobile