R$ 5 milhões para o Incor
Verba será repassada pelo governo federal para o pagamento dos salários de abril e maio dos funcionários. GDF vai locar 20 leitos da UTI
Jorge de Castro
Da equipe do Correio
O Ministério da Saúde autorizou o repasse de R$ 5 milhões para a Fundação Zerbini realizar o pagamento dos meses de abril e maio aos funcionários do Instituto do Coração do Distrito Federal (Incor-DF) e das dívidas trabalhistas. Com isso, o empréstimo disponibilizado pelo GDF para essa finalidade não será necessário. No entanto, o governo local promete locar o serviço de 20 leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital, que estavam parados, para atender a rede pública. De acordo com o Ministério Público do Distrito Federal (MPDF), o custo para os cofres do governo será de R$ 1,2 milhão por mês. A previsão do MP é de que esses leitos estejam em funcionamento até o fim da semana.
Os recursos para o pagamento da folha vêm de emenda parlamentar autorizada pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Além disso, será assinado até amanhã um contrato de gestão entre o GDF, a Fundação Zerbini e o ministério para garantir o atendimento no Incor. Além do montante referente ao aluguel dos 20 leitos, o hospital receberá mais R$ 1,250 milhão, sendo R$ 800 mil da Secretaria de Saúde e R$ 450 mil do Ministério da Saúde. A condição é que a fundação cumpra metas quantitativas e qualitativas estabelecidas no contrato. “Uma das exigências é a redução de 120 empregados do quadro administrativo”, afirma o promotor de Justiça da Promotoria de Defesa dos Usuários de Serviços de Saúde (Pró-vida) do MPDF, Diaulas Ribeiro.
Enquanto a Fundação Zerbini ganha fôlego e continua administrando a entidade, o Ministério da Defesa, Senado Federal e Câmara dos Deputados terão seis meses para encontrar um novo gestor. A única ressalva feita pelo MP é que a nova fundação escolhida seja do Distrito Federal. “Eles têm até dezembro para escolher uma entidade daqui para administrar o Incor. Não deixaremos que ele seja gerido por uma fundação de fora daqui. O hospital é da população do DF e o povo de Brasília não pode abrir mão desse patrimônio”, salienta Diaulas. A Fundação Zerbini não respondeu os contatos feitos pelo jornal.
Colaborou Adriana Bernardes
Doadores em falta
Pablo Rebello
Da equipe do Correio
Desde pequeno, o estudante Herbert Rodrigues Bonfim, de 18 anos, achava o máximo as propagandas de doação de sangue que assistia na TV e sonhava com o dia em que pudesse ajudar alguém. No entanto, a idéia não agradava ao avô, que acreditava que o sangue do neto iria engrossar e o deixaria fraco. Mas Herbert viu que os argumentos não tinham fundamento e, uma semana depois de completar 18 anos, foi ao Hemocentro pela primeira vez. E não parou desde então. No total, já fez três doações. A última em uma sala quase vazia, como agora. Nesta época do ano, o número de doadores que passam pelo centro médico cai por causa do frio.
De acordo com a diretora-presidente do Hemocentro, Maria de Fátima Brito Portela, ocorrem menos doações neste período porque as pessoas costumam se resguardar mais. Inclusive para preservar a própria saúde. Como agravante, o feriado prolongado de Corpus Christi afastou ainda mais os doadores. Até ontem, os estoques dos tipos sanguíneos mais raros “O” e “AB” de Rh negativo estavam em baixa.
Se persistir, a falta de doadores pode provocar problemas para hospitais do Distrito Federal. “O Hospital de Base, por exemplo, que trata muito de pessoas acidentadas e da área ortopédica, precisa estar com os estoques de sangue em dia. O mesmo vale para pacientes prestes a fazer cirurgia. O hospital precisa oferecer isso para que eles não corram risco de morte”, detalhou Fátima. Além disso, a demanda por sangue no DF aumenta de 10 a 15% a cada ano. “Por isso precisamos ter um aumento constante de pelo menos 10% no total de doadores para não ter problemas”, destacou a diretora.
Clube 25
Um dos meios utilizados pelo Hemocentro para atrair novos doadores trata-se do projeto Clube 25, que procura educar jovens e estudantes do ensino médio e universitário, entre 18 e 25 anos, sobre a importância da doação voluntária e periódica de sangue. Desde ontem, o Clube 25 realiza trabalho de divulgação nas portas de faculdades e universidades do DF. O momento não poderia ser mais propício, visto que o Dia Mundial do Doador Voluntário de Sangue será celebrado amanhã, juntamente com o aniversário de um ano do Clube 25. Na ocasião, o Hemocentro fará uma solenidade no Teatro Nacional, das 16h às 20h.
Mas não é só de jovens que o Hemocentro depende. O comerciante José Ailson Nogueira de Souza, 30 anos, por exemplo, acredita que o gesto de doar sangue é importante para ajudar a sociedade. “Antes eu tinha medo, mas isso passou depois que meu irmão precisou de dois doadores para fazer uma cirurgia um ano atrás”, contou. Ontem, doou sangue pela quarta vez. E incentiva os parentes a fazerem o mesmo. “Sempre chamo minhas irmãs, que nem sempre vêm”, disse.
AJUDE
O Hemocentro fica na Quadra 3 do Setor Médico Hospitalar Norte. Doações de sangue também podem ser feitas todas as quarta-feiras no Hospital Regional do Gama, e duas vezes por mês nos hospitais regio nais de Ceilândia e de Sobradinho.
Condições para doar sangue
Ser uma pessoa saudável;
Ter entre 18 e 65 anos;
Pesar mais do que 52kg;
Apresentar um documento de identidade, como RG, carteira de habilitação, carteira profissional ou certificado de reservista;
Dormir pelo menos seis horas na noite anterior;
Ter se alimentado bem antes da doação;
Não usar medicamentos;
Não realizar exercícios físicos antes da doação;
Não ter ingeriro bebidas alcóolicas nas últimas 24 horas;
Não ter colocado piercing ou feito tatuagem nos últimos 12 meses;
Não ter realizado endoscopia nos últimos seis meses;
Evitar fumar duas horas antes da doação.
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