, Racha interno ofusca discussão sobre Aids Orçado em R$ 400 mil, Encontro em Goiânia havia sido cancelado pelo Fórum de ONGs de Aids em Goiás, mas foi mantido após representantes de outros Estados reagiremMalu Longo Os desentendimentos internos de organizações não-governamentais (ONGs) de Goiás envolvidas com programas de Aids, que vieram à tona por ocasião da 11ª Parada de GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) ficaram ainda mais evidentes no fim de semana, depois que cerca de 500 pessoas de todo o Brasil decidiram realizar em Goiânia o 14º Encontro Nacional de Ong Aids (Enong). O evento, que ocorre a cada dois anos, para discussão de políticas públicas de saúde, tinha sido cancelado três dias antes sem maiores explicações, provocando uma intensa mobilização de representantes de todo o País. Na abertura do encontro, domingo à tarde, no Centro Pastoral Dom Fernando, a palavra de ordem repetida pelos participantes do Enong refletia o mal-estar pela tentativa de cancelamento do evento. “O Enong é nosso”, disseram os representantes de ONGs de todos os Estados brasileiros. “A palavra de ordem reflete a garra do movimento, reconhecido internacionalmente, em realizar o evento”, disse José Marcos, representante do Movimento Ong Aids no Conselho Nacional de Saúde. Há dois anos, no encerramento do 13º Enong, ficou decidido que Goiás sediaria o próximo evento, historicamente financiado pelo Programa Nacional de Aids, do Ministério da Saúde, e por organismos internacionais. Marcado para começar no dia 4, domingo, o 14º Enong foi cancelado por meio de ofício assinado pela presidente do Fórum de Ong Aids do Estado de Goiás, Maria das Dores Dolly Soares, enviado por e-mail no dia 31 de outubro aos membros do movimento nacional. A decisão surpreendeu os representantes de ONGs de todo o País, que não aceitaram o cancelamento. Imediatamente, pessoas engajadas no movimento se deslocaram para Goiânia e, com o apoio do Programa Nacional de Aids, começaram a preparar o terreno para receber as delegações.Polícia Federal “Os atores sociais de Goiás precisam repensar seus papéis”, disse o representante do Conselho Nacional de Saúde. José Marcos afirmou que, até o final do encontro, não fará julgamento de valor, mas depois irá buscar apoio no Ministério Público, na Controladoria Geral da União e na Polícia Federal, para que as pessoas envolvidas no processo apresentem justificativas. “Não podemos aceitar que ONGs que falam em nome do movimento e que se comprometem a gerir dinheiro público tenham uma postura dessas. Foi um choque o que ocorreu e vai ficar marcado na nossa história”, lamentou. Dolly Soares disse ao POPULAR que assumiu a presidência do Fórum em janeiro deste ano e a realização do encontro, de 4 a 7 de novembro de 2007, em Goiânia, foi definida em 2005. Segundo ela, o Fórum, antes presidido por Liorcino Mendes, atualmente diretor da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Travestis (ABGLT), estava completamente desestruturado, sem condições de receber verbas federais, o que exigiu tempo para solucionar questões burocráticas. “Explicamos isso ao movimento nacional, chamamos para uma discussão política, mas ninguém apareceu, e o Enong não é uma responsabilidade somente de Goiás”, afirmou Dolly.¤ LEIA MAIS:Hotel e alimentação garantidos de última hora A decisão pelo cancelamento do Enong em Goiânia ocorreu três dias após a realização da Parada GLBT, que reuniu centenas de pessoas no Centro da capital. Para realizar a parada, conforme Dolly Soares, o Ministério da Cultura garantiu R$ 58 mil. “Nós começamos a receber ameaças porque a parada foi um sucesso”, disse Dolly. Em anos anteriores, a manifestação GLBT foi realizada pela ABGLT. Liorcino Mendes disse que não integra o Fórum de Ong Aids e que não acompanhou nada da preparação do encontro. Entretanto, no site http://www.forumAidsgoias.org.br seu nome e e-mail aparecem na comissão política do Enong. “Quando explicamos a situação em nível nacional, ele foi a pessoa que mais insistiu para que o encontro fosse mantido”, contou Dolly.Verba José Marcos, do Conselho Nacional de Saúde, explicou que, como a verba para a realização do Enong estava sob a responsabilidade do Fórum Goiano de Ong Aids, vários problemas tiveram de ser contornados de última hora para que o evento fosse promovido, como hotéis e alimentação. Previsto para se realizar no Centro de Convenções de Goiânia, o encontro foi transferido para o Centro Pastoral Dom Fernando. “Entre empenhos do governo federal e verbas do exterior, calculamos em mais de R$ 400 mil o que seria gasto e parte desse dinheiro já tinha sido depositada”, afirmou José Marcos. “Não é nada disso, o valor é bem menor”, disse Dolly Soares. “Até agora só recebemos R$ 113 mil do Programa Nacional de Aids e a maior parte das verbas de organismos federais, como a Fundação Ford, ainda não foi depositada.” O Fórum Goiano de Ong Aids é formado por 25 organizações não-governamentais.
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