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Roche recolhe remédio para tratamento da Aids

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ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO

Correio Braziliense

Editoria:

Pág.

Dia / Mês/Ano:

Brasil

 

08/JUNHO/07

 

 

Risco de câncer, provocado por alteração no retroviral, leva laboratório a tirar medicamento do mercado. Governo determina suspensão hoje

 

Ullisses Campbell

Da equipe do Correio

 

                                                          

Todas as unidades distribuidoras de medicamentos anti-retrovirais no país devem suspender hoje, em caráter de urgência, a distribuição do medicamento Mesinato de Nelfinavir, conhecido comercialmente como Viracept, tanto na versão em pó quanto em comprimido. O remédio faz parte do coquetel distribuído pelo governo para o tratamento da Aids. O laboratório Roche, que fabrica o retroviral, foi alertado para os problemas no remédio, por conta de uma alteração na fórmula. O uso contínuo da droga adulterada pode causar câncer. Quem já tem o remédio em casa deve deixar de usá-lo.

                                                          

O Viracept é um inibidor de protease distribuído pelo Programa Nacional de DST/Aids desde 1998. Atualmente, cerca de 9 mil pacientes e 250 crianças em todo o país usam o coquetel anti-viral. A principal função do medicamento é enfraquecer o vírus da Aids para que ele não contamine células sadias do organismo. Ontem, o laboratório Roche recolheu em caráter de urgência o medicamento na Europa e em outra regiões por determinação das autoridades sanitárias. A empresa recebeu reclamações de que lotes estavam apresentando um “odor estranho”. No Brasil, como ontem foi feriado nacional, o recolhimento do remédio começa nesta sexta-feira.

                                                          

Em nota, a Roche explicou que análises químicas feitas no Viracept revelaram que havia níveis excessivos de uma substância chamada ácido etil metanosulfônico, que, usada diariamente, causa câncer. Na nota, a Roche sugere que todos os pacientes que usaram o medicamento procurem o serviço médico que faz o acompanhamento para que sejam indicados tratamentos alternativos. O Programa Nacional de DST/Aids também faz a mesma recomendação. A empresa colocou dois números de telefone para esclarecer dúvidas: 0800-7733-310 e 0800-7720-292.

 

Alternativas

Para que os pacientes não fiquem sem os benefícios do retroviral, os médicos do governo recomendam que o Viracept seja substituído, no caso de adultos em tratamento empírico, pelo Lopinavir/Ritonavir, Amprenavir ou Saquinavir. Pacientes gestantes devem trocá-lo pelo Nevirapina, mas nunca antes de consultar o médico. Crianças devem também trocar por Lopinavir/Ritonavir ou Aprenavir. A substituição depende ainda da idade e do tipo de tratamento prescrito. É importante obter uma orientação médica.

                                                          

Segundo Maria Auxiliadora Cavalcanti, do Programa de Aids de São Paulo, alguns pacientes reclamaram nos postos de distribuição que a versão em comprimidos do Viracept 250gm passou a ter um odor diferente. Além do comprimido, o remédio é distribuído

em pó para uso pediátrico “Muita gente reclamou na semana passada, mas achávamos que as pessoas estavam guardando o medicamento em locais inadequados. Hoje (ontem), descobrimos que há uma alteração na fórmula”, disse Maria Auxiliadora.

                                                          

Segundo o Ministério da Saúde, o recolhimento do Viracept no Brasil é uma medida preventiva, já que a suspeita de alteração ocorre em apenas dois lotes. O problema é que um desses lotes deu entrada no almoxarifado do Ministério da Saúde em 29 de maio e já estava em fase inicial de distribuição. O desafio agora é recolher os medicamentos que estão em poder dos pacientes.

                                                          

Na nota assinada pela diretora do Programa Nacional de DST/Aids, Mariângela Simão, o governo pede que os médicos informem qualquer evento adverso nos pacientes que fazem uso do Viracept. Na bula do medicamento, consta que o uso contínuo da droga causa dores abdominais, diarréia e vermelhidão na pele.

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