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, Senado deve aprovar aborto MONTEVIDÉU. O Senado do Uruguai aprova hoje um projeto de saúde sexual e reprodutiva que inclui a descriminalização do aborto.O projeto havia sido recusado no dia 17, quando obteve 15 votos a favor e 15 contra. A lei precisava de pelo menos maioria simples para ser aprovada e começar a ser tratada na Câmara dos Deputados. No mês passado, a iniciativa teve o apoio de 15 representantes governistas e foi recusada por dois deles, além das coalizões dos partidos de oposição, Blanco e Colorado, conservadores. O deputado colorado Washington Abdala, que exercia a suplência do ex-presidente Julio María Sanguinetti (1985-1990 e 1995-2000), retirou-se da sala. Mas hoje, Abdala promete votar a favor da descriminalização do aborto, formando a maioria simples necessária.Na bancada governista, também o senador Alberto Cid, da Assembléia Uruguai, setor da Frente Ampla liderado pelo ministro de Economia, Danilo Astori, estudava reconsiderar seu voto e apoiar a iniciativa desta vez.Um dos artigos do projeto estabelece que “toda mulher tem direito a decidir sobre a interrupção da gravidez durante as primeiras 12 semanas”. E acrescenta: “bastará que a mulher alegue diante do médico que se trata das circunstâncias derivadas das condições em que se deu a concepção, situações sociais, familiares, de idade ou de miséria econômica”, para que o aborto não seja considerado um crime.A legislação vigente no Uruguai desde 1938 admite a interrupção da gravidez só em casos de estupro ou risco de vida para a mãe, e prevê penas de prisão para os autores de aborto, consentido ou não. Mesmo assim, são praticados pelo menos 30 mil abortos ilegais por ano. Só em 2006, 12 mulheres morreram em conseqüência das condições inadequadas em que é realizada a maioria das intervenções clandestinas.No entanto, a aprovação no Senado não é garantia de direito de escolha das mulheres. Pouco depois de assumir a Presidência, em março de 2005, Tabaré Vázquez adiantou que vetaria qualquer lei que legalizasse a prática do aborto.- Sinto pena de ver temas de tamanha importância, realidades tão profundas do homem, dependerem da vontade de alguns que estão ou não na sala, que tiram licença ou não – reagiu o arcebispo de Montevidéu, Nicolas Cotugno.
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