Síndrome da imunodeficiência adquirida -AIDS: Definição.

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Síndrome da imun­ode­ficiência ad­quirida (SIDA, nor­mal­mente em Por­tugal, ou AIDS, mais comum no Brasil) é uma doença do sis­tema imun­ológi­co hu­mano cau­sada pelolaço aids  Síndrome da imunodeficiência adquirida -AIDS: Definição. lazy placeholder vírus da imun­ode­ficiência hu­mana (HIV).[1][2][3] Es­ta condição re­duz pro­gres­siva­mente a eficácia do sis­tema imun­ológi­co e deixa as pess­oas sus­cetíveis a in­fecções opor­tunis­tas e tu­mores. O HIV é trans­mitido at­ravés do con­tato direto de uma mem­brana mu­cosa ou na cor­rente san­guínea com um flu­ido cor­por­al que contêm o HIV, tais como sangue, sêmen, secreção va­gin­al, flu­ido pre­sem­in­al e leite ma­ter­no.[4][5] Es­ta trans­missão pode aconte­cer dur­ante o sexo anal, va­gin­al ou or­al, trans­fusão de sangue, agul­has hi­podérmicas con­tam­in­adas, o in­tercâmbio entre a mãe e o bebê dur­ante a gravidez, parto, ama­mentação ou outra ex­posição a um dos flu­id­os cor­po­rais acima.A fita ver­melha é um símbolo da solid­ar­iedade pelas pess­oas in­fecta­das com o HIV e por aquelas que têm de viver com SIDA.

  • CID-10 B24
  • CID-9 042
  • Dis­eases­DB 5938
  • Med­linePlus 000594
  • MeSH D000163

A SIDA, ho­je, é con­sid­erada uma pan­demia.[6] Em 2007, es­timava-se que 33,2 milhões de pess­oas viviam com a doença em to­do o mundo e que a aids tenha matado cerca de 2,1 milhões de pess­oas, in­cluindo 330.000 cri­anças.[7] Mais de três quar­tos des­sas mor­tes ocor­reram na África Sub­saari­ana.[7]

A pesquisa genética in­dica que o HIV teve ori­gem na África centro-ocident­al dur­ante o século XIX e início do século XX.[8][9] A aids foi re­con­hecida pela primeira vez pelo Centro de Con­trole e Pre­venção de Doenças dos Es­ta­dos Unidos, em 1981, e sua causa, o HIV, foi iden­ti­fic­ado no início dos anos 1980.[10]

Em­bora os trata­men­tos para a enfermidade e para o HIV pos­sam re­tardar o curso da doença, não há atu­al­mente nen­huma cura ou va­cina. O trata­mento an­tir­ret­ro­vir­al re­duz a mor­tal­id­ade e a mor­bid­ade da in­fecção pelo HIV, mas estes medic­a­men­tos são caros e o acesso a medic­a­men­tos an­tir­ret­ro­virais de rot­ina não está disponível em to­dos os países.[11] Devido à di­ficuldade em tratar a in­fecção pelo HIV, a pre­venção da in­fecção é um ob­jet­ivo-chave para con­tro­lar a pan­demia da AIDS, com or­gan­izações de promoção da saúde do sexo se­guro e pro­gra­mas de troca de serin­gas na tent­ativa de re­tardar a pro­pagação do vírus.

História e ori­gem

A AIDS foi primeira­mente re­latada 5 de junho de 1981, quando o Centro para Con­trole e Pre­venção de Doenças (CDC), dos Es­ta­dos Unidos, re­gis­trou o Pneumo­cystis car­inii (con­hecida por ser cau­sada por Pneumo­cystis jirove­cii) em cinco ho­mos­sexuais em Los Angeles, Cal­ifórnia.[12] No início, o CDC não tinha um nome ofi­cial para a doença, muitas vezes refer­indo-se a ela por meio das doenças que fo­ram as­so­cia­dos a ela, como por ex­em­plo a lin­faden­o­pa­tia, a doença que os descobridores do HIV ori­gin­al­mente nomear­am o vírus.[13][14] Eles também util­iz­aram o nome “Sar­coma de Ka­posi e in­fecções opor­tunis­tas”, nome pelo qual uma força-tarefa havia sido cri­ada em 1981.[15]

Na im­pren­sa ger­al, o termo “GRID”, sigla para gay-re­lated im­mune de­fi­ciency, já havia sido cun­hado.[16] O CDC, em busca de um nome e ob­ser­v­ando as comunid­ades in­fecta­das, cri­ou o termo “a doença dos 4Hs”, refer­indo-se aos haitianos, ho­mos­sexuais, hemofíli­cos e usuári­os de heroína.[17] No en­t­anto, de­pois de de­term­in­ar que a AIDS não era uma doença ex­clu­siva da comunid­ade ho­mos­sexu­al,[15] o termo “GRID” tornou-se en­ganoso e o termo “AIDS” foi cri­ado em uma re­união em ju­lho de 1982.[18] Em setem­bro 1982, o CDC começou a usar o nome de AIDS e ad­equa­da­mente definiu da doença.[19]

A mais an­tiga iden­ti­ficação pos­it­iva do vírus HIV con­hecida vem do Congo em 1959 e 1960, em­bora os estudos genéti­cos in­dic­am que o vírus tenha pas­sado para a pop­ulação hu­mana vindo de chim­panzés em torno de cin­quenta anos antes.[9] Um estudo re­cente afirma que o HIV provavel­mente mudou da África para o Haiti e, em seguida, en­trou nos Es­ta­dos Unidos em torno de 1969.[20]

O vírus HIV des­cende do vírus da imun­ode­ficiência símia (SIV), que in­fecta sími­os e maca­cos na África. Há evidências de que os seres hu­manos que par­ti­cipam de ativid­ades de caça de an­i­mais selvagens, seja como caçad­ores ou como ven­dedores de carne de caça, nor­mal­mente ad­quir­em o SIV.[21] No en­t­anto, apen­as al­gu­mas des­tas in­fecções fo­ram capazes de causar epi­demi­as em hu­manos e to­das só aconte­ceram o fi­nal do século XIX e início do século XX. Para ex­pli­car por que o HIV se tornou epi­demia só nessa épo­ca, ex­istem vári­as teori­as, cada uma in­vocando fatores de condução es­pecífica que po­dem ter pro­movido a ad­aptação do SIV nos seres hu­manos ou a pro­pagação ini­cial: mudanças so­ci­ais após o co­lo­ni­al­ismo,[22] rápida trans­missão do SIV at­ravés de in­jeções in­se­gur­as ou não-es­ter­il­iz­a­das (isto é, in­jeções em que a agulha é re­ut­il­iz­ada sem ser es­ter­il­iz­ada),[23] abusos co­lo­ni­ais e va­cinação con­tra a varíola at­ravés de in­jeções in­se­gur­as[24] ou a pros­tituição e a fre­quência el­evada de doenças con­com­it­antes à úlcera gen­it­al (como a sífil­is) em nas­cente cid­ades co­lo­ni­ais.[25][26]

A teor­ia mais con­tro­ver­sa sug­ere que a AIDS foi, in­ad­verti­da­mente, ini­ciada no fi­nal dos anos 1950 no Congo Belga dur­ante as pesquisas de Hil­ary Ko­prowski para a criação de uma va­cina con­tra a polio­m­iel­ite.[27][28] De acordo com o con­senso científico, essa hipótese não é apoi­ada pelas evidências disponíveis.[29][30][31]

Pro­gressão e sin­to­mas

Prin­cipais sin­to­mas da AIDS.

A mani­festação ini­cial do HIV, presente em 50 a 70% dos casos, é semel­hante[32] a uma gripe ou mono­nuc­leose in­fec­ciosa e ocorre 2 a 4 se­m­an­as após a in­fecção. Pode haver feb­re, mal-es­tar, lin­faden­o­pa­tia (gânglios linfáti­cos in­cha­dos), eritem­as (ver­mel­hidão cutânea), e/ou men­ingite vir­al. Estes sin­to­mas são ger­al­mente ig­nor­a­dos, ou trata­dos en­quanto gripe, e acabam por de­sa­pare­cer, mesmo sem trata­mento, após al­gu­mas se­m­an­as. Nesta fase há altas con­centrações de vírus, e o porta­dor é alta­mente in­fec­cioso.[33]

A se­gunda fase é ca­ra­c­ter­iz­ada por baixas quan­tidades dos vírus, que se en­con­tram apen­as nos re­ser­vatóri­os dos gânglios linfáti­cos, in­fect­ando gradu­al­mente mais e mais linfóci­tos T CD4+; e nos macrófa­gos. Nesta fase, que dura em média 10 anos, o porta­dor é sor­o­pos­it­ivo, mas não desen­volveu ainda SIDA/AIDS. Ou seja, ainda não há sin­to­mas, mas o porta­dor pode trans­mitir o vírus. Os níveis de T CD4+ di­minuem lenta­mente e ao mesmo tempo di­minui a re­s­posta imunitária con­tra o vírus HIV, aument­ando lenta­mente o seu número, devido à perda da co­ordenação dos T CD4+ sobre os eficazes T CD8+ e linfóci­tos B (linfóci­tos produtores de an­ti­corpo).[34]

A ter­ceira fase, a da SIDA, ini­cia-se quando o número de linfóci­tos T CD4+ desce abaixo do nível crítico (200/mcl), o que não é su­fi­ciente para haver re­s­posta imunitária eficaz con­tra in­v­as­ores. Começam a sur­gir cansaço, tosse, perda de peso, diar­reia, in­flamação dos gânglios linfáti­cos e suores noturnos, devidos às doenças opor­tunis­tas, como a pneu­mo­nia por Pneumo­cystis jiroveci, os lin­fomas, in­fecção dos ol­hos por cito­meg­a­lovírus, demência e o sar­coma de Ka­posi. Sem trata­mento, ao fim de al­guns meses ou anos a morte é in­ev­itável. O uso ad­equado da Ter­apia An­tir­ret­ro­vir­al garan­te que o pa­ciente sobre­viva por um período mais longo, apesar de con­viver com efei­tos colat­erais dos medic­a­men­tos.[35][36]

Ex­cepções a este es­quema são raras[37]. Os muito raros “long term non-pro­gressors” são aqueles in­divídu­os que per­manecem com con­t­a­gens de T CD4+ su­peri­ores a 600/mcl dur­ante lon­gos períodos. Estes in­divídu­os talvez ten­ham uma reação imunitária mais forte e menos sus­cetível à erosão contínua produz­ida pelo vírus, mas de­tal­hes ainda são descon­hecidos.

Sar­coma de Ka­posi.

As doenças opor­tunis­tas são doenças cau­sa­das por agentes, como out­ros vírus, bactéri­as e para­sitas, que em­bora se­jam comuns em nosso meio, nor­mal­mente não causam doença ou causam apen­as doenças leves/mod­era­das, devido à re­s­posta imunitária efi­ciente. No doente com SIDA/AIDS, que por definição não pos­suem re­s­posta imunitária efi­ciente, mani­fest­am-se como doenças po­ten­cial­mente mor­tais:

In­fecções por vírus: Cito­meg­a­lovir­us, Herpes simples, Ep­stein-Barr. [carece de fontes]

In­fecções por bactéri­as: My­co­bac­teri­um avi­um-in­trace­lu­lare, out­ras mi­co­bactéri­as que nor­mal­mente não causam doenças, My­co­bac­teri­um tuber­cu­los­is, Sal­mon­ella, out­ras.[carece de fontes]

In­fecções por fun­gos: can­didíase da boca e do esôfago (por Can­dida al­bic­ans, uma leved­ura); pneu­mo­nia por Pneumo­cystis car­inii; Cripto­cocose, His­to­plas­mose, Coc­ci­diomi­cose.[carece de fontes]

In­fecções por para­sitas: Tox­o­plas­mose, Cripto­spor­i­di­ose, Isospor­i­di­ose.[carece de fontes]

Neo­plasi­as: can­cros como lin­foma e lin­foma de Hodgkin, cau­sado pelo vírus Ep­stein-Barr, sar­coma de Ka­posi[carece de fontes]

Out­ras condições in­cluem en­ce­falo­pa­tia cau­sada por HIV que leva à demência e é uma ação direta do vírus nos mi­cróglios (célu­las cereb­rais semel­hantes a macrófa­gos) que in­fecta. Um achado ca­ra­c­terístico é a leu­co­plasia pilosa (placa branca pilosa na boca) devida ao vírus Ep­stein-Barr.[38]

A AIDS é a última con­sequência clínica da in­fecção pelo HIV. O HIV é um ret­rovírus, ou seja é um vírus com gen­oma de RNA, que in­fecta as célu­las e, at­ravés da sua en­zi­ma tran­scriptase re­versa, produz uma cópia do seu gen­oma em DNA e in­cor­pora o seu próprio gen­oma no gen­oma hu­mano, loc­al­iz­ado no núcleo da célula in­fectada. O HIV é quase cer­ta­mente de­rivado do vírus da imun­ode­ficiência símia. Há dois vírus HIV, o HIV que causa a SIDA/AIDS típica, presente em to­do o mundo, e o HIV-2, que causa uma doença em tudo semel­hante, mais fre­quente na África Ocident­al, e também ex­ist­ente em Por­tugal.O HIV re­con­hece a proteína de mem­brana CD4, presente nos linfóci­tos T4 e macrófa­gos, e pode ter re­cept­ores para out­ros dois ti­pos de molécu­las presentes na mem­brana ce­lu­lar de célu­las hu­man­as: o CCR5 e o CX­CR4. O CCR5 está presente nos macrófa­gos e o CX­CR4 ex­iste em am­bos macrófa­gos e linfóci­tos T4, mas em pou­ca quan­tidade nos macrófa­gos. O HIV aco­pla a es­sas célu­las por esses re­cept­ores (que são usa­d­os pelas célu­las para re­con­hecer al­gu­mas cito­ci­nas, mais pre­cis­amente quimi­oci­nas), e en­tra nelas fundindo a sua mem­brana com a da célula. Cada viri­on de HIV só tem um dos re­cept­ores, ou para o CCR5, o viri­on M-trópico, ou para o CX­CR4, o viri­on T-trópico. Uma forma pode-se con­vert­er na outra at­ravés de mutações no DNA do vírus, já que am­bos os re­cept­ores são sim­il­ares.

A in­fecção por HIV nor­mal­mente é por secreções gen­i­tais ou sangue. Os macrófa­gos são muito mais fre­quentes que os linfóci­tos T4 nesses li­quid­os, e sobre­vivem mel­hor, logo os viri­ons M-trópi­cos são nor­mal­mente aqueles que trans­mitem as in­fecções. No en­t­anto, como os M-trópi­cos não in­va­dem os linfóci­tos, eles não causam a di­minuição dos seus númer­os, que define a SIDA. No en­t­anto, os M-trópi­cos mul­ti­plicam-se e rap­i­da­mente surgem viri­ons mutantes que são T-trópi­cos.

Os viri­ons T-trópi­cos são pou­co in­fec­ciosos, mas como são in­v­as­ores dos linfóci­tos, são os que ul­tim­a­mente causam a imun­ode­ficiência. É sa­bido que os raros in­divídu­os que não ex­pres­sam CCR5 por de­feito genético não ad­quir­em o vírus da HIV mesmo se re­peti­da­mente em risco.

O HIV causa danos nos linfóci­tos, pro­vocando a sua lise, ou morte ce­lu­lar, devido à enorme quan­tidade de nov­os viri­ons produz­idos no seu in­teri­or, usando a sua ma­quin­aria de síntese de proteínas e de DNA. Out­ros linfóci­tos produzem proteínas do vírus que ex­pres­sam nas suas mem­branas e são destruídos pelo próprio sis­tema imunitário. Nos linfóci­tos em que o vírus não se rep­lica mas antes se in­tegra no gen­oma nuc­le­ar, a sua função é afectada, en­quanto nos macrófa­gos produz in­fecção lat­ente na maior­ia dos casos. Ju­lga-se que os macrófa­gos se­jam um re­ser­vatório do vírus nos doentes, sendo outro re­ser­vatório os gânglios linfáti­cos, para os quais os linfóci­tos in­fecta­dos mi­gram, e onde dis­sem­i­n­am os viri­ons por out­ros linfóci­tos aí presentes.

É irónico como a re­s­posta imunitária ao HIV nas primeir­as se­m­an­as de in­fecção é eficaz em destruí-lo, mas as con­centrações de linfóci­tos nos gânglios linfáti­cos devido à re­s­posta vig­orosa levam a que os viri­ons sobre­viventes in­fec­tem gradu­al­mente mais e mais linfóci­tos, até que a re­s­posta imunitária seja re­ver­tida. A reacção eficaz é feita pelos linfóci­tos T8, que destroem to­das as célu­las in­fecta­das. Con­tudo, os T8, como to­do o sis­tema imunitário, está sob con­trolo de cito­ci­nas (proteínas me­diador­as) produz­i­das, pelos T4, que são in­fecta­dos. Eles di­minuem em número com a pro­gressão da doença, e a re­s­posta ini­cial­mente eficaz dos T8 vai sendo en­fraque­cida. Além disso as con­stantes mutações do DNA do HIV mudam a con­formação das proteínas de su­perfície, di­fi­cultando con­tinua­mente o seu re­con­he­ci­mento.

O dia­gnóstico de AIDS em uma pess­oa in­fectada com o HIV é baseado na presença de cer­tos sinais ou sin­to­mas. Desde 5 de junho de 1981, muitas definições têm sido desen­volvi­das para a vi­gilância epi­demi­ológica. No en­t­anto, o es­ta­dia­mento clínico dos pa­cientes não era um des­tino para esses sis­tem­as, pois eles não são sensíveis nem es­pecífi­cos. Nos países em desen­vol­vi­mento é usado o sis­tema de es­ta­dia­mento da Or­gan­ização Mun­di­al da Saúde para in­fecção pelo HIV e para a doença, at­ravés de da­dos clínicos e de labor­atório. Em países desen­volvidos, o sis­tema de clas­si­ficação do Cen­ters for Dis­ease Con­trol and Pre­ven­tion (CDC) é usado.

Em 1990, a Or­gan­ização Mun­di­al da Saúde (OMS) agru­pou es­sas in­fecções e condições em con­junto at­ravés da in­trodução de um sis­tema de es­ta­dia­mento para pa­cientes in­fecta­dos com HIV-1.[39] Uma atu­al­ização ocor­reu em setem­bro de 2005. A maior­ia des­sas condições são in­fecções opor­tunis­tas que são fa­cil­mente tratáveis em pess­oas saudáveis.

Estágio I: in­fecção pelo HIV é assin­tomática e não clas­si­ficada como AIDS;

Estágio II: in­clui pequen­as mani­festações mu­co­cutâneas e re­cor­rentes in­fecções do trato res­pir­atório su­per­i­or;

Estágio III: in­clui diar­reia crônica in­ex­plicada por mais de um mês, as in­fecções bac­teri­anas e a tuber­cu­lose pul­mon­ar;

Estágio IV: in­clui a tox­o­plas­mose cereb­ral, can­didíase do esôfago, tra­queia, brônquios e pulmões e o sar­coma de Ka­posi; es­sas doenças são in­dic­adores da AIDS.

Ex­istem duas prin­cipais definições para a AIDS, am­bos produz­idos pelo Cen­ters for Dis­ease Con­trol and Pre­ven­tion (CDC). A velha definição é a referência para a AIDS usando doenças que eram as­so­cia­dos a ela, como por ex­em­plo a lin­faden­o­pa­tia, a doença que os descobridores do HIV ori­gin­al­mente nomear­am o vírus.[13][14] Em 1993, o CDC ex­pan­diu a sua definição para a AIDS in­cluindo to­das as pess­oas HIV pos­it­ivas com con­t­a­gens de célu­las T CD4 + abaixo de 200 por l de sangue ou 14% do total de linfóci­tos.[40] A maior­ia dos nov­os casos de aids nos países desen­volvidos usam essa definição ou a definição pré-1993 do CDC. O dia­gnóstico de AIDS ainda está de pé, mesmo que, após o trata­mento, a con­t­agem de célu­las CD4 + T sobe para acima de 200 por l de sangue ou out­ras doenças defin­idor­as da AIDS são cura­dos.

Muitas pess­oas descon­hecem que estão in­fecta­das com o HIV.[41] Menos de 1% da pop­ulação sexu­al­mente ativa urb­ana na África foi test­ada e es­ta pro­porção é ainda men­or em pop­ulações rurais. Além disso, apen­as 0,5% das mul­heres grávi­das que fre­quentam as unid­ades de saúde urb­ana são acon­sel­ha­das, test­a­das ou re­ce­bem os seus res­ulta­dos. Mais uma vez, essa pro­porção é ainda men­or nas unid­ades de saúde rurais.[41] As­sim, os produtos de doadores de sangue e do sangue util­iz­ado em medi­cina e pesquisa médica são rastreados para o HIV.

Testes de HIV são ger­al­mente real­iz­a­dos no sangue ven­oso. Mui­tos labor­atóri­os util­izam testes de quarta geração de triagem que de­tectam an­ti­cor­pos anti-HIV (IgG e IgM) e do antígeno p24 do HIV. A de­tecção de an­ti­cor­pos anti-HIV ou antígeno em um pa­ciente pre­via­mente con­hecido como neg­at­ivo, é evidência de in­fecção pelo HIV. In­divídu­os cuja primeira amostra in­dica evidências de in­fecção pelo HIV terão uma re­petição do teste em uma se­gunda amostra de sangue para con­firm­ar os res­ulta­dos.

O período de janela imun­ológica (tempo entre a in­fecção ini­cial e o desen­vol­vi­mento de an­ti­cor­pos de­tectáveis con­tra a in­fecção) pode vari­ar, uma vez que pode levar 3-6 meses para sor­o­con­versão e teste pos­it­ivo. A de­tecção do vírus usando a reação em ca­deia da polimerase (PCR) dur­ante o período de janela é possível e as evidências sug­er­em que uma in­fecção pode ser de­tectada mais cedo do que quando se util­iza um teste de des­pistagem de quarta geração de AIA.

Os res­ulta­dos pos­it­ivos ob­tidos por PCR são con­fir­m­a­dos por testes de an­ti­cor­pos.[42] Testes de HIV rot­ineira­mente util­iz­a­dos para a in­fecção em recém-nas­cid­os e lactentes (isto é, pa­cientes com menos de 2 anos),[43] nas­cid­os de mães HIV-pos­it­ivas, não têm val­or por causa da presença de an­ti­cor­pos ma­ter­nos para o HIV no sangue da cri­ança. A in­fecção pelo HIV só pode ser dia­gnost­icada por PCR, o teste para HIV DNA pró-vir­al em linfóci­tos de cri­anças.[44]

Es­tim­ativa de aquisição do HIV por méto­do de contágio[45]

Forma de ex­posição Risco por 10 000 ex­posições a uma pess­oa in­fectada em trata­mento

Trans­fusão de sangue 9.000[46]

Nas­ci­mento 2.500[47]

Uso com­partil­hado de seringa 67[48]

Agulha cort­ante 30[49]

Pen­etração va­gin­al re­ceptiva* 10[50][51][52]

Pen­etração va­gin­al in­sert­iva* 5[50][51]

Pen­etração anal re­ceptiva* 50[50][51]

Pen­etração anal in­sert­iva* 6.5[50][51]

Pen­etração or­al re­ceptiva*§ 1[51]§

Pen­etração or­al in­sert­iva*§ 0.5[51]§

* as­su­m­indo o não uso de pre­ser­vat­ivo

§ Fonte ref­ere-se ao rela­cio­na­mento sexu­al prat­ic­ado no homem

As três prin­cipais vi­as de trans­missão do HIV são: con­tato sexu­al, ex­posição a flu­id­os ou te­cidos cor­po­rais in­fecta­dos e da mãe para o feto ou cri­ança dur­ante o período peri­nat­al. É possível en­con­trar o HIV na saliva, lágri­m­as e ur­ina dos in­divídu­os in­fecta­dos, mas não há casos re­gista­dos de in­fecção por es­sas secreções e o risco de in­fecção é in­sig­ni­fic­ante.[53] O trata­mento an­tir­ret­ro­vir­al em pa­cientes in­fecta­dos também re­duz sig­ni­fic­ativa­mente sua ca­pa­cid­ade de trans­mitir o HIV para out­ras pess­oas, re­duzindo a quan­tidade de vírus em seus flu­id­os cor­po­rais para níveis in­de­tectáveis.[54]

A maior­ia das in­fecções por HIV são ad­quiridas at­ravés de relações sexuais de­spro­tegi­das entre par­ceir­os, um dos quais sendo porta­dor do HIV. O prin­cip­al modo de con­tam­inação pelo HIV é at­ravés de con­tato sexu­al entre mem­bros do sexo oposto.[55][56][57]

O pre­ser­vat­ivo é o metódo mais eficaz de pre­venção con­tra o HIV/AIDS e out­ras DSTs.

Dur­ante um ato sexu­al, apen­as pre­ser­vat­ivos mas­culi­nos ou fem­in­i­nos po­dem re­duzir o risco de in­fecção por HIV e out­ras DSTs. A mel­hor evidência até agora in­dica que o uso do pre­ser­vat­ivo em to­das as relações sexuais re­duz o risco típico de trans­missão het­eros­sexu­al do HIV em quase 100%.[58]

O pre­ser­vat­ivo mas­culino de látex, se usado cor­reta­mente sem lub­ri­fic­antes à base de petróleo, é a única tecno­lo­gia disponível mais eficaz para re­duzir a trans­missão sexu­al do HIV e out­ras in­fecções sexu­al­mente trans­missíveis. Os fab­ric­antes re­comen­dam que lub­ri­fic­antes à base de petróleo, como vas­el­ina, não de­vem ser util­iz­a­dos com pre­ser­vat­ivos de látex, porque dis­solvem o ma­ter­i­al, fazendo com que o pre­ser­vat­ivo fique por­oso. Se a lub­ri­ficação é dese­jada, os fab­ric­antes re­comen­dam usar lub­ri­fic­antes à base de água. Os lub­ri­fic­antes à base de óleo pode ser usado com pre­ser­vat­ivos de poli­ur­etano.[59]

Os pre­ser­vat­ivos fem­in­i­nos são fei­tos ger­al­mente de poli­ur­etano, mas também são fei­tos de látex e bor­racha nitrílica. Eles são maiores do que os pre­ser­vat­ivos mas­culi­nos e têm uma aber­tura mais rígida em forma de anel com um anel in­ter­no pro­jetado para ser in­troduz­ido na va­gina mantendo o pre­ser­vat­ivo em seu lugar, in­serir o pre­ser­vat­ivo fem­in­ino re­quer aper­tar o anel. Pre­ser­vat­ivos fem­in­i­nos fo­ram ap­resenta­dos como uma es­tratégia im­port­ante de pre­venção do HIV.[60] Atu­al­mente, a dispon­ib­il­id­ade de pre­ser­vat­ivo fem­in­ino é muito baixa e o preço con­tinua a ser proib­it­ivo para muitas mul­heres.

Estudos sobre ca­sais com um dos par­ceir­os in­fectado mostram que, com o uso con­sist­ente do pre­ser­vat­ivo, as taxas de in­fecção pelo HIV para o par­ceiro não in­fectado são in­feri­ores a 1% ao ano.[61] As es­tratégi­as de pre­venção são bem con­heci­das nos países desen­volvidos, mas estudos epi­demi­ológi­cos e com­porta­men­tais na Europa e América do Norte sug­er­em que uma minoria sig­ni­fic­ativa de jovens con­tinuam a ex­er­cer prátic­as de alto risco, apesar do con­he­ci­mento de HIV/AIDS, subesti­m­ando seu próprio corpo a se in­fectar com o HIV.[62][63]

En­saios clínicos ran­dom­iz­a­dos têm demon­strado que a cir­cun­cisão mas­culina re­duz o risco de in­fecção por HIV entre ho­mens het­eros­sexuais em até 60%.[64] Es­pera-se que este pro­ced­i­mento seja pro­movido ac­tiva­mente em mui­tos dos países afeta­dos pelo HIV, em­bora isso im­pli­cará en­frent­ar uma série de questões prátic­as e cul­turais. No en­t­anto, os pro­gra­mas para in­centivar a util­ização do pre­ser­vat­ivo, nomea­da­mente forne­cendo-lhes gra­tu­it­a­mente àqueles em situação de pobreza, são es­tim­a­dos em ser 95 vezes mais eficazes do que a cir­cun­cisão em re­duzir a taxa de HIV na África sub­saari­ana.[65]

Con­tato com flu­id­os cor­po­rais in­fecta­dos

Fora do or­gan­ismo, o HIV pode sobre­viver por al­gu­mas hor­as, mas não con­segue per­fur­ar a pele de uma pess­oa. A trans­missão do vírus ocorre ger­al­mente por meio de sangue, es­perma e secreções va­ginais con­tam­ina­dos. Por isso, al­gu­mas me­di­das de pre­venção con­tra a AIDS con­sistem em: cer­ti­fi­car-se de que o sangue a re­ce­ber numa trans­fusão não es­teja con­tam­inado (nem com vírus HIV, nem da hep­at­ite, dentre out­ros); util­iz­ar apen­as agul­has e serin­gas descartáveis, que de­vem ser usa­das uma única vez. Util­iz­ar pre­ser­vat­ivos (cam­isinha) nas relações sexuais.[carece de fontes]

Os tra­bal­hadores de saúde po­dem re­duzir a ex­posição ao HIV at­ravés do emprego de pre­cauções para re­duzir os riscos de ex­posição a sangue con­tam­inado. Es­sas pre­cauções in­cluem bar­reir­as, como luvas, máscaras, proteção dos ol­hos e ja­le­cos que evitar a ex­posição da pele ou mu­co­sas com patógenos trans­mitidos pelo sangue. A lav­agem fre­quente e cuid­a­dosa da pele ime­di­ata­mente após ter­em sido con­tam­ina­dos com sangue ou out­ros flu­id­os cor­po­rais po­dem re­duzir a chance de in­fecção. Fi­nal­mente, ob­je­tos cort­antes como agul­has, bis­tur­is e vidro, têm que ser cuid­a­dosamente elim­ina­dos para evitar fer­i­mentos pro­vo­ca­dos por agul­has con­tam­in­adas.[66] Como o uso de dro­gas in­jetáveis é um fat­or im­port­ante na trans­missão do HIV nos países desen­volvidos, as es­tratégi­as de redução de danos, tais como pro­gra­mas de troca de serin­gas são usa­d­os na tent­ativa de re­duzir as in­fecções cau­sa­das pelo abuso de dro­gas.[67][68]

Trans­missão da mãe para a cri­ança

As re­comendações atuais in­dic­am que, quando a sub­stituição da al­i­mentação é aceitável, factível, acessível, sustentável e se­gura, as mães in­fecta­das pelo HIV de­vem evitar ama­mentar seus bebês. No en­t­anto, se este não for o caso, a ama­mentação ex­clu­siva é re­comendada dur­ante os primeir­os meses de vida e descon­tinu­ada o mais breve possível.[69] Note-se que as mul­heres po­dem ama­mentar as cri­anças que não são suas, como as amas de leite.

Trata­mento

Ad­vertência: Sor­o­pos­it­ivo.Org não é con­sultório médico nem farmácia.

Se ne­ces­sita de ajuda, con­sulte um profis­sion­al de saúde.

As in­formações aqui con­ti­das não têm caráter de acon­sel­hamento.

Não ex­iste atu­al­mente nen­huma va­cina disponível para o HIV ou a cura para o HIV ou para a AIDS. Os únicos méto­dos con­hecidos de pre­venção ba­seiam-se evitar a ex­posição ao vírus ou, na falta desta, um trata­mento an­tir­ret­ro­vir­al direta­mente após uma ex­posição, cha­mado pro­filax­ia pós-ex­posição (PEP).[70] A PEP tem um calendário muito ex­i­gente de quatro se­m­an­as de dosagem. Ela também tem efei­tos secundári­os muito de­sagradáveis in­cluindo diar­reia, mal es­tar, náuseas e fadiga.[71]

Trata­mento an­ti­vir­al

Abacavir – um análogo nuc­le­osídeo ini­bidor da tran­scriptase re­versa (NRTIs ou NARTI)

Es­tru­tura química do Abacavir

Fárma­cos usa­d­os no trata­mento da in­fecção por HIV in­ter­fer­em com funções da bio­lo­gia do vírus que são su­fi­ciente­mente difer­entes de funções de célu­las hu­man­as:

Ex­istem ini­bidores da en­zi­ma tran­scriptase re­versa que o vírus usa para se re­produzir e que não ex­istem nas célu­las hu­man­as:

AZT, ddC, ddI, d4T, ABC (to­dos análo­gos de nucleótidos)

nevirap­ina, delavird­ina, efavirenz (ini­bidores dire­tos da proteína), out­ros.

Ini­bidores da pro­tease que cliva as proteínas do vírus após tran­scrição: sa­quinavir, in­d­inavir, nelfinavir, ampren­avir, ri­tonavir, atazanavir, dar­unavir, tipranavir e out­ros.

Ini­bidores da en­zi­ma in­teg��rase, que faz com que o ma­ter­i­al genético do vírus entre no núcleo da célula: ral­teg­ravir.

Ini­bidores do CCR5, im­pedindo um dos pas­sos de ligação do HIV à célula alvo: mara­viroc, vicriviroc.

Ini­bidores de fusão, im­pedindo que o vírus funda seu en­vel­ope à mem­brana plasmática da célula alvo: en­fuvirtida.

Ho­je em dia o uso de medic­a­men­tos é em com­binações de um de cada dos três grupos. Estes cock­tails/coquetéis de an­tivíri­cos per­mitem quase cat­egor­iz­ar, para quem tem acesso a eles, a SIDA em doença crónica. Os porta­dores de HIV que tomam os medic­a­men­tos so­fr­em de efei­tos ad­versos ex­trema­mente in­co­mod­at­ivos, di­minuição drástica da qual­id­ade de vida, e di­minuição sig­ni­fic­ativa da es­per­ança de vida. Con­tudo é possível que não mor­ram direta­mente da doença, já que os fárma­cos são ra­zoavel­mente eficazes em con­tro­lar o número de viri­ons. Con­tudo houve re­cente­mente notícias de um caso em Nova Iorque cujo vírus já era res­ist­ente a to­dos os medic­a­men­tos, e es­sas estirpes poderão “gan­har a cor­rida” com as empre­s­as far­macêutic­as.

Os medic­a­men­tos atuais tentam di­minu­ir a carga de vírus, evitando a baixa do número de linfóci­tos T CD4+, o que aumenta a longevid­ade do pa­ciente e a sua qual­id­ade de vida. Quanto mais cedo o pa­ciente começar a ser tratado com medic­a­men­tos maior a chance de evitar o desen­vol­vi­mento das doenças opor­tunis­tas.

No Brasil, o Min­istério da Saúde aborda o trata­mento da doença da seguinte maneira: pa­cientes assin­tomáti­cos sem con­t­agem de linfóci­tos T CD4+ disponível – não tratar; pa­cientes assin­tomáti­cos com CD4 > 350 célu­las/mm3 – não tratar; pa­cientes assin­tomáti­cos com CD4 entre 200 e 350 célu­las/mm3 – con­sid­er­ar trata­mento; pa­cientes assin­tomáti­cos com CD4 < 200 célu­las/mm3 – tratar e real­iz­ar pro­filax­ia con­tra as doenças opor­tunis­tas mais comuns; pa­cientes sin­tomáti­cos – tratar e real­iz­ar pro­filax­ia con­tra as doenças opor­tunis­tas mais comuns.

Sabe-se que o risco do desen­vol­vi­mento de in­fecções opor­tunis­tas (curto prazo) é baixo, mui­tos es­pe­cialis­tas pref­er­em não ini­ciar o trata­mento e mon­it­or­ar o pa­ciente com con­t­a­gens de linfóci­tos T CD4+ e quan­ti­ficação da carga vir­al plasmática. Se a con­t­agem de linfóci­tos T-CD4+ não for real­iz­ada, o trata­mento de­verá ser ini­ciado. E ao se opt­ar pelo início do trata­mento, é in­dis­pensável veri­fi­car a mo­tivação do pa­ciente e a prob­ab­il­id­ade de adesão do mesmo antes de ini­ciar o trata­mento, já que difer­entes níveis de adesão po­dem levar a emergência de res­istência ao trata­mento (Guia de Trata­mento, Min­istério da Saúde, Brasil, 2004).

Como não há cura ou va­cina, a pre­venção tem um as­pecto fun­da­ment­al, nomea­da­mente prátic­as de sexo se­guro como o uso de pre­ser­vat­ivo (ou “cam­isinha”) e pro­gra­mas de troca de serin­gas nos tox­icode­pend­entes.

O trata­mento anti-HIV causa lipod­istro­fia entre 15% a 50% dos pa­cientes [72].

Cura e va­cina

As pesquisas sobre AIDS cos­tum­am re­ce­ber muitas verbas. Apesar disso, sua cura ainda não foi descoberta, nem foi desen­volvida uma va­cina. O que ex­iste atu­al­mente são vári­os remédi­os (al­guns cha­ma­dos de coquetéis) que aumentam a sobre­vida dos porta­dores do vírus. Muitas pess­oas que não ap­resentam sin­to­mas po­dem viver muito tempo sem saber que são porta­dor­as. Out­ras que mani­fest­am sin­to­mas, quando trata­das ad­equa­da­mente, po­dem levar uma vida prat­ica­mente nor­mal. Ex­istem pess­oas que são porta­dor­as do vírus HIV há mais de dez anos le­vando uma vida com­pleta­mente nor­mal.[carece de fontes]

Em 2007, médi­cos de uma clínica na Ale­manha con­seguiram cur­ar um pa­ciente com SIDA (AIDS) e leu­cemia. Os médi­cos escol­heram um doador que tivesse uma mutação no seu DNA capaz de de­fend­er o sis­tema con­tra o HIV. Após isso, fizer­am o trans­plante de medula óssea no porta­dor da SIDA e leu­cemia. A sur­presa veio ao fazer nov­os testes, descobriu-se que o vírus HIV tinha sum­ido do sis­tema do pa­ciente. Atu­al­mente o pa­ciente já está há mais de dois anos sem o vírus HIV e sem a leu­cemia. Con­tudo, a doença ainda pode es­tar escon­dida no corpo do pa­ciente. No en­t­anto, o médico que realizou a op­eração quis “min­im­iz­ar as fal­sas es­per­anças” gera­das pelo su­cesso da op­eração, que já foi re­tratada nas rev­is­tas es­pe­cial­iz­a­das, já que foi ob­tida em um caso “muito con­creto” e dur­ante o trata­mento de outra doença grave. Es­pera-se que este caso abra cam­inho para cur­ar out­ros in­fecta­dos.[73][74] Em 2011, o Con­selho Su­per­i­or de Pesquisa Científica da Es­panha (CSIC, na sigla em es­pan­hol) anun­ciou ter cri­ado uma va­cina que foi capaz de cri­ar uma re­s­pos­tas imun­ológica con­tra o vírus HIV em 90% dos voluntári­os, mantendo seu efeito após um ano em 85% deles.[75]

O Prêmio No­bel de Medi­cina pela descoberta da SIDA, Luc Montag­ni­er, acred­ita que da­qui a al­guns anos será possível pelo menos parar com a trans­missão da doença.[76]

Epi­demi­olo­gia

Pre­v­alência do HIV/AIDS por país (2008):

Sem da­dos

menos que 0,1%

0,1-0,5%

0,5-1%

1-5%

5-15%

15-50%

Es­tim­ativa de pess­oas vivendo com o HIV/AIDS por país.

A pan­demia da AIDS também pode ser vista como vári­as epi­demi­as de sub­ti­pos dis­tin­tos, os prin­cipais fatores na sua pro­pagação é a trans­missão sexu­al e a trans­missão ver­tic­al de mãe para filho no nas­ci­mento e at­ravés do leite ma­ter­no.[6] Apesar da re­cente mel­hor­ia do acesso ao trata­mento an­tir­ret­ro­vir­al e os cuid­a­dos de pre­venção em muitas regiões do mundo, a pan­demia da AIDS custou cerca 2,1 milhões de vi­das (variação de 1,9-2,4 milhões) em 2007, sendo que 330.000 pess­oas eram menores de 15 anos.[7] Glob­al­mente, cerca de 33,2 milhões de pess­oas viviam com o HIV em 2007, in­cluindo 2,5 milhões de cri­anças. Es­tima-se que 2,5 milhões (variação de 1,8-4,1 milhões) pess­oas fo­ram in­fecta­das em 2007, in­cluindo 420 mil cri­anças.[7]

A África Sub­sari­ana con­tinua sendo de longe a região mais afetada. Es­tima-se que em 2007, a região con­tinha 68% de to­das as pess­oas vivendo com AIDS e 76% de to­dos os óbi­tos por AIDS, com 1,7 milhões de novas in­fecções le­vando o número de pess­oas vivendo com HIV para 22,5 milhões, com 11,4 milhões de órfãos da aids vivendo na região. Ao con­trário de out­ras regiões, a maior­ia das pess­oas vivendo com o HIV na África sub­saari­ana em 2007 (61%) eram mul­heres. A pre­v­alência em adul­tos em 2007 foi es­tim­ada em 5,0% e a AIDS con­tinua a ser a maior causa de mor­tal­id­ade nesta região do plan­eta.[7]

A África do Sul tem a maior pop­ulação de porta­dores do HIV no mundo, seguida pela Nigéria e pela Índia.[77] O Sul e o Sudeste da Ásia são a se­gunda região pi­or afetado e, em 2007, es­tima-se que es­ta região con­tinha 18% de pess­oas vivendo com a AIDS e um cerca de 300.000 óbi­tos devido a doença.[7] A Índia tem cerca de 2,5 milhões de in­fecções e uma pre­v­alência es­tim­ada de adul­tos de 0,36%.[7] A ex­pect­ativa de vida da pop­ulação caiu drastica­mente nos países mais afeta­dos; por ex­em­plo, em 2006, es­timou-se que caiu de 65 para 35 anos em Bot­swana.[6]

Nos Es­ta­dos Unidos, jovens mul­heres afro-amer­ic­anas também estão em risco in­vul­gar­mente el­evado de in­fecção pelo HIV.[78] Os afro-amer­icanos form­am 10% da pop­ulação, mas cerca de met­ade dos casos de HIV/AIDS em to­do os Es­ta­dos Unidos.[79] Isto acontece devido em parte à falta de in­formações sobre AIDS e uma per­cepção de que eles não são vul­neráveis, bem como ao acesso lim­it­ado aos re­cursos de saúde e uma maior prob­ab­il­id­ade de con­tato sexu­al sem proteção.[80]

Brasil

No Brasil, es­tima-se que existam 630 mil pess­oas vivendo com o HIV. De 1980 (o início da epi­demia) até junho de 2009, fo­ram re­gis­tra­dos 217.091 óbi­tos em de­corrência da doença. Cerca de 33 mil a 35 mil nov­os casos da doença são re­gis­tra­dos to­dos os anos no país. A região Sudeste tem o maior per­cen­t­u­al (59%) do total de no­ti­ficações por ser a mais pop­u­losa do país, com 323.069 re­gis­tros da doença. O Sul con­centra 19% dos casos; o Nordeste, 12%; o Centro-Oeste, 6%; e a região Norte, 3,9%. Dos 5.564 mu­nicípi­os brasileir­os, 87,5% (4.867) re­gis­traram pelo menos um caso da doença.[81]

Por­tugal

Desde 1983 até 2009, a doença já in­fectou quase 35 mil pess­oas em Por­tugal.[82]

Cul­tura e so­ciedade

Estigma

Ry­an White tornou-se uma cri­ança símbolo do HIV de­pois de ser ex­pulso da escola por causa de sua in­fecção.

Não se pega AIDS con­vivendo so­cial­mente com um sor­o­pos­it­ivo. Aper­tar a mão, abraçar ou com­partil­har o uso de utensíli­os domésti­cos não traz nen­hum risco de contágio.[53]

No en­t­anto, o estigma da AIDS ex­iste no mundo em uma var­iedade de maneir­as, in­cluindo o os­tra­cismo, re­jeição, dis­crim­inação e evitação de pess­oas in­fecta­das pelo HIV; teste obrigatório de HIV sem o con­sen­ti­mento prévio ou de proteção da con­fid­en­cial­id­ade das pess­oas; a vi­olência con­tra in­divídu­os in­fecta­dos pelo HIV ou pess­oas que são per­ce­bi­das como in­fecta­das pelo HIV e pess­oas em quar­en­tena de in­fecta­dos pelo HIV.[83] O medo da vi­olência e do pre­con­ceito im­pede que muitas pess­oas que pro­curam fazer o teste de HIV re­tornem para ver o res­ultado ou ini­ciem o trata­mento, trans­form­ando o que po­der­ia ser uma doença crônica tratável em uma sen­tença de morte, per­petu­ando a pro­pagação do HIV.[84]

O estigma foi di­vidido em três cat­egori­as a seguir:

Re­flexo do medo e do re­ceio de que pos­sam ser as­so­cia­dos com al­guma doença mor­tal e trans­missível.[85]

O uso de HIV/AIDS para ex­pres­sar at­it­udes em relação aos grupos so­ci­ais e es­tilos de vida que al­guns acred­it­am ser as­so­ciado com a doença.[85]

Estig­mat­ização de pess­oas li­g­a­das à questão do HIV/AIDS ou pess­oas HIV-pos­it­ivas.[86]

Muitas vezes, o estigma da AIDS é ex­presso em con­junto com um ou mais estig­mas, par­tic­u­lar­mente aqueles as­so­cia­das com a ho­mos­sexu­al­id­ade, bis­sexu­al­id­ade, promis­cuid­ade, pros­tituição e uso de dro­gas in­tra­ven­o­sas.

Em mui­tos países desen­volvidos, há uma as­so­ciação entre a aids e a ho­mos­sexu­al­id­ade ou a bis­sexu­al­id­ade, e es­ta as­so­ciação está rela­cion­ada com níveis mais el­eva­dos de pre­con­ceito sexu­al, tais como at­it­udes anti-ho­mos­sexuais.[87] Ex­iste também uma as­so­ciação pre­con­ceitu­osa entre a aids e to­do tipo de com­porta­mento sexu­al entre dois ho­mens, in­cluindo o sexo entre ho­mens não in­fecta­dos.[85]

Im­pacto econômico

Mudanças na ex­pect­ativa de vida em al­guns países africanos dura­mente at­ingidos pelo HIV (le­gen­das em inglês).

O HIV e a AIDS afetam o cres­ci­mento econômico, re­duzindo a dispon­ib­il­id­ade de cap­it­al hu­mano.[88] Sem al­i­mentação ad­equada, cuid­a­dos de saúde e a medi­cina que está disponível em países desen­volvidos, um grande número de pess­oas so­fr­em e mor­r­em de com­plicações rela­cion­adas à AIDS. Elas não só são in­capazes de tra­bal­har, mas também ne­ces­sit­am de cuid­a­dos médi­cos im­port­antes. A pre­visão é de que isto provavel­mente irá causar um colapso das eco­nomi­as e das so­ciedades em países com uma pop­ulação sig­ni­fic­ativa porta­dora da AIDS. Em al­gu­mas áreas alta­mente in­fecta­das, a epi­demia deix­ou para trás mui­tos órfãos cuid­a­dos por avós idosos.[89]

O aumento da mor­tal­id­ade tem res­ulta­dos em um men­or pop­ulação qual­i­ficada e força de tra­balho. Es­ta força de tra­balho men­or é con­stituída por pess­oas cada vez mais jovens, com con­he­ci­men­tos e ex­periências de tra­balho re­duz­i­das, le­vando à redução da produtivid­ade. Um aumento no tempo de folga dos tra­bal­hadores para cuid­ar de fa­mil­i­ares doentes ou de li­cenças por doença também re­duzem a produtivid­ade. O aumento da mor­tal­id­ade re­duz os mecan­is­mos de cap­it­al hu­mano e de in­ves­t­i­mento nas pess­oas, at­ravés da perda da renda e da morte dos pais.

Por afetar prin­cip­al­mente jovens adul­tos, a AIDS re­duz a pop­ulação tributável, por sua vez, re­duzindo os re­cursos disponíveis para gas­tos públi­cos como educação e serviços de saúde não rela­cion­ados à AIDS, res­ultando em aumento da pressão sobre as fin­anças do Es­tado e em um cres­ci­mento mais lento da eco­nomia. Isso res­ulta em um men­or cres­ci­mento da base de cálculo, um efeito que é re­forçado se houver gas­tos cres­cen­tes para tratar os doentes, em tre­in­a­mento (para sub­stituir tra­bal­hadores doentes), subsídio de doença e para cuid­ar dos órfãos da AIDS. Isto é es­pe­cial­mente ver­dadeiro se o aumento acen­tu­ado da mor­tal­id­ade adulta des­lo­car a re­sponsab­il­id­ade da família para o gov­erno em cuid­ar desses órfãos.[89]

No nível fa­mil­i­ar, os res­ulta­dos da AIDS é a perda de renda e o aumento dos gas­tos com saúde pelo re­sponsável da família. Um estudo real­iz­ado na Costa do Mar­fim mostrou que famíli­as com um pa­ciente HIV/AIDS7 gastam duas vezes mais em despe­sas médicas do que out­ras famíli­as.[90]

Re­ligião e AIDS

O tema da re­ligião e da AIDS tornou-se ex­trema­mente con­tro­ver­so nos últi­mos 20 anos, prin­cip­al­mente porque mui­tos proemin­entes líde­res re­li­giosos de­clararam pub­lica­mente a sua oposição ao uso de pre­ser­vat­ivos, o que os cientis­tas in­dic­am como o único meio atu­al de de­ter a epi­demia. Out­ras questões en­volvem a par­ti­cipação de re­li­giosos nos serviços de saúde uni­ver­sal e a col­aboração com as or­gan­izações sec­u­lares como a UN­AIDS e a Or­gan­ização Mun­di­al de Saúde.

Reavaliação da AIDS

Um pequeno número de ativ­is­tas ques­tionam a ligação entre o HIV e a AIDS,[91] a ex­istência do HIV,[92] ou a val­id­ade dos méto­dos atuais de trata­mento (indo longe ao afirm­ar que a ter­apia em si foi a causa de mor­tes por AIDS). Apesar de es­tas alegações ter­em sido ex­am­in­adas e com­pleta­mente re­jeit­a­das pela comunid­ade científica,[93] con­tinuam a ser pro­mul­ga­das pela In­ter­net[94] e ainda têm um im­pacto político sig­ni­fic­at­ivo. Na África do Sul, o ex-pres­id­ente Thabo Mbeki apoiou a negação da AIDS, o que res­ultou em uma re­s­posta in­eficaz do gov­erno à epi­demia que tem sido re­sponsável por cen­ten­as de mil­hares de mor­tes rela­cion­adas à aids.[95][96]

Fonte: Wikipedia

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A Negação do HIV na Era da INTERNET


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Claudio Souza DJ, Bloqueiro e Escritor
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