Soropositivo recebe antirretroviral, mas dorme em banco de rodoviária e passa fome

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Eram 10h do dia 5 de se­tem­bro de 2007 quan­do José Luís da Sil­va des­co­briu que era soropositivo.

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 No ano se­guin­te, sou­be que ha­via de­sen­vol­vi­do uma leu­ce­mia.

 Ho­je, a vi­da está “a pi­or possível”. “Ho­je sou um sem-te­to”, afir­ma Sil­va, de 47 anos, de­sem­pre­ga­do.

 Há qua­tro me­ses, ele pas­sa as noi­tes na Ro­do­viária No­vo Rio, dor­min­do em um ban­co no se­gun­do an­dar, usan­do a mo­chi­la co­mo tra­ves­sei­ro.

 

Quan­do con­se­gue di­nhei­ro de ami­gos so­lidári­os, dor­me em uma pensão.

 

Sil­va to­ma os me­di­ca­men­tos an­tir­re­tro­vi­rais to­dos os di­as, re­li­gi­o­sa­men­te, mes­mo que não te­nha o que co­mer. O co­que­tel vem aju­dan­do a con­tro­lar o HIV, mas o tra­ta­men­to médi­co não ma­ta a sua fo­me.

Sua úni­ca ren­da fi­xa são R$ 70 que re­ce­be do Bol­sa Família.

 

Sil­va é um ex­em­plo de co­mo o pro­gra­ma bra­si­lei­ro pa­ra pes­so­as com HIV no Bra­sil, que ino­vou no pas­sa­do ao de­ter­mi­nar a ofer­ta uni­ver­sal da te­ra­pia an­tir­re­tro­vi­ral, ho­je pre­ci­sa de mais que remédio.

 

Ele não tem família e de­pen­de da so­li­da­ri­e­da­de de ami­gos e da aju­da de ati­vis­tas de ONGs on­de mi­li­tam pela melhor condição de vida de um soropositivo.

 

A in­cer­te­za so­bre o te­to se ar­ras­ta des­de que sou­be da do­ença.

 

Mo­ra­va com a na­mo­ra­da, mas ela pe­diu que saísse de ca­sa um dia após sa­ber do di­agnósti­co soropositivo.

 

As­sistência so­ci­al Co­or­de­na­do­ra de um pro­gra­ma edu­ca­ti­vo no Gru­po Pe­la Vid­da, Ma­ra Mo­rei­ra afir­ma que há um au­men­to de pes­so­as que che­gam à ONG com de­man­das de cu­nho so­ci­al.

 

Há mui­tos ca­sos de pes­so­as que re­ce­bem al­ta do pro­gra­ma de Pre­vidência So­ci­al, dei­xam de re­ce­ber o be­nefício, mas não con­se­guem em­pre­go, diz.

 

“A epi­de­mia mu­dou de per­fil e ho­je está atin­gin­do pes­so­as mais po­bres. Te­mos re­ce­bi­do vári­as de­man­das na área de as­sistência so­ci­al, com pes­so­as que pre­ci­sam de re­cur­sos fi­nan­cei­ros e de con­dições de so­bre­vivência míni­ma, mas não te­mos a quem re­cor­rer”, diz Ma­ra, que ten­tou bus­car apoio na Se­cre­ta­ria Mu­ni­ci­pal de As­sistência So­ci­al, mas foi en­ca­mi­nha­da de vol­ta à Se­cre­ta­ria de Saúde.

 

Ela res­sal­ta que a te­ra­pia an­tir­re­tro­vi­ral exi­ge que as pes­so­as se ali­men­tem bem, e al­guns me­di­ca­men­tos pre­ci­sam ser man­ti­dos na ge­la­dei­ra.

 

 

“E aí as pes­so­as estão dor­min­do na rua. Co­mo fa­zer?”

 

 

Pa­ra o psicólo­go Ve­ri­a­no Ter­to Júni­or, co­or­de­na­dor-ge­ral da As­so­ciação Bra­si­lei­ra In­ter­dis­ci­pli­nar de Aids (Abia), fal­tam me­di­das pa­ra além do for­ne­ci­men­to de an­tir­re­tro­vi­rais.

 

“O Bra­sil tem aces­so uni­ver­sal (ao tra­ta­men­to). Es­se é o nos­so gran­de re­sul­ta­do”, diz. “Mas in­fe­liz­men­te co­meçamos a ver um no­vo cres­ci­men­to da ta­xa de mor­ta­li­da­de em al­guns lu­ga­res, o que está me­nos re­la­ci­o­na­do à AIDS em si do que a de­fi­ciênci­as na as­sistência.”

 

Mor­tes

 

No ano pas­sa­do, 11 mil pes­so­as mor­re­ram por cau­sa da Aids no Bra­sil.

No Rio, o rit­mo de óbi­tos vem au­men­tan­do des­de 2007, diz Ter­to.

 

“Is­so é ina­ceitável pa­ra um país que tem aces­so uni­ver­sal ao me­di­ca­men­to.”

 

Ape­sar de ser bem ar­ti­cu­la­do, Sil­va tem pou­ca es­pe­rança de con­se­guir um em­pre­go.

 

A últi­ma vez que ten­tou foi em uma em­pre­sa de ôni­bus do Rio que anun­ci­a­ra va­gas pa­ra pes­so­as com ne­ces­si­da­des es­pe­ci­ais.

“O médi­co per­gun­tou qual era a mi­nha de­fi­ciência. Quan­do res­pon­di, ele ras­gou a mi­nha fi­cha e dis­se que não con­tra­ta­vam so­ro­po­si­ti­vos”, lem­bra.

 

Ele diz que­rer um em­pre­go, mas du­vi­da que en­con­tre um em­pre­ga­dor que pre­en­cha seus re­qui­si­tos.

 

“Os pa­trões têm que en­ten­der que a ca­da três me­ses vou ter que me au­sen­tar pa­ra ir ao médi­co, e que de vez em quan­do vou che­gar atra­sa­do.”

 

Ele de­fen­de que pes­so­as em sua si­tuação se­jam be­ne­fi­ci­a­das por uma políti­ca de se­gu­rança nu­tri­ci­o­nal, de mo­ra­dia e de as­sistência pe­cu­niária.

 

Eu não vou vi­ver só de an­tir­re­tro­vi­ral. Te­nho que me ali­men­tar.”

Fonte: Terra Notícias

Nota do Editor de Soropositivo.Org:

Dez anos atrás eu já falava sobre isso e recebi o apoio de uma ONG estrangeira para tentar mudar as coisas.

Fato é que, a despeito de tudo, eu adoeci e mesmo assim tentei muitas coisas para mudar isso, mas não encontrava gente articulada o bastante para isso e. dezoito meses após o apoio ser dado, foi retirado porque eu “não obtive resultados”

Pois bem, eu estava dez anos à frente na problemática e, penso eu, ninguém enxergava o que eu via…

Anos se passaram e ai está o problema, em ebulição, multiplicando mortes e eu com o projeto na gaveta porque não tenho recursos para tentar fazer algo…

E houve uma ONG aqui em São Paulo, cujo diretor se recusou a ler meu projeto porque ele era “muito grande”.

Eram 15 páginas apenas…

Com o perdão da expressão, é dose pra mamute!

Quem acha que eu de onda, e “só quero IBOPE”, pode clicar neste link (talvez o link abra em outra janela ou aba de seu navegador) e ver que estou nesta há doze anos, batendo nesta tecla…

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Claudio Souza DJ, Bloqueiro e Escritor
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