Até Novembro de 2009, as guidelines de tratamento para o VIH nos EUA recomendavam que o doente iniciasse a terapêutica anti-retroviral quando a sua contagem de células CD4 estivesse em cerca de 350 células/mm3. No entanto, 54% dos doentes participantes no estudo apresentavam uma contagem de células CD4 inferiores a este nível.
Em Novembro de 2009, novas guidelines para tratamento nos EUA foram emitidas, recomendando o tratamento para todos os doentes com uma contagem de células CD4 inferior a 500/mm3 e propõem também que nos doentes com contagens de superiores a 500 também se possa considerar o inicio do tratamento.
“Estes dados oferecem provas fortes de que a implementação de novas estratégias para diagnóstico precoce do VIH e a ligação eficaz para os cuidados de saúde são urgentemente necessárias”, comentam os investigadores.
Estima-se que um quinto das infecções pelo VIH nos EUA está ainda por diagnosticar e no Canadá um grande número de pessoas em grupos com um elevado risco de contrair o VIH, nunca fez um teste de despistagem do VIH.
Os diagnósticos tardios de infecção pelo VIH são o motivo de muitas das mortes relacionadas com este vírus em países ricos e foi estimado que mais de 50% de todas as transmissões de VIH têm origem em indivíduos que desconhecem a sua infecção.
O diagnóstico precoce de VIH traria benefícios tanto de saúde individual como pública e torna-se uma prioridade para as autoridades de saúde na América do Norte, bem como em muitos países da Europa Ocidental.
Investigadores da Coorte NA-ACCORD examinaram a contagem de células CD4 de doentes recentemente diagnosticados com um período superior a 11 anos, entre o princípio de 1997 e o fim de 2007.
Um total de 44 500 doentes de 22 populações de estudos diferentes foi incluído nas análises dos investigadores.
Foram observadas algumas mudanças demográficas significativas. Com o passar do tempo, a idade média aumentou de 40 para 43 (p < 0,01), e a proporção de doentes brancos desceu de 30 para 24% (p < 0,01). Houve um aumento no número de doentes infectados heterossexualmente (16 para 23%, p < 0,01), e uma descida na percentagem de infecções atribuídas ao uso de drogas injectáveis (26 para 14%, p < 0,01).
No total, a contagem de células CD4 na altura do diagnóstico aumentou de 256 células/mm3 para 317 células/mm3 (p <0,01).
De acordo com registos demográficos e grupos em risco, notaram-se diferenças quando os investigadores observaram a contagem média de células CD4 em 2007.
As mulheres apresentaram uma contagem de células CD4 superior às dos homens (395 células/mm3 vs 353 células/mm3) e os doentes de raça negra apresentaram uma contagem de células CD4 mais baixa do que os doentes caucasianos ou Latinos (328 células/mm3 vs 382 células/mm3).
A contagem média de células CD4 em 2007 dos homens gay era superior à dos outros grupos em risco.
“A maioria dos doentes continua a apresentar-se pela primeira vez ao tratamento para o VIH com uma contagem de células CD4 inferior a 350 células/mm3, nível esse em que o inicio da terapêutica anti-retroviral é recomendada”, escrevem os investigadores.
Adicionam, “um atraso no inicio do tratamento, não só aumenta a hipótese da progressão clínica da doença para o doente em causa, como também aumenta o risco de transmissão.”
O autor do editorial que acompanha o estudo acredita que as suas conclusões são “robustas” e que “oferecem um incentivo adicional para um aumento de investimento num rastreio mais abrangente do VIH”.
Referência:
Gay CL The gap between human immunodeficiency infection (HIV) and advances in treatment. Clin Infect Dis 50: 1521-23, 2010.
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