Uma equipa internacional de investigadores reportou na edição de Janeiro de 2010 da revista AIDS que os doentes seropositivos para o VIH que fazem o tratamento anti-retroviral reduzem o seu risco de morte em 50%.
Michael Carter
14 de Janeiro de 2010
Uma equipa internacional de investigadores reportou na edição de Janeiro de 2010 da revista AIDS que os doentes seropositivos para o VIH que fazem o tratamento anti-retroviral reduzem o seu risco de morte em 50%. Foram observadas reduções na mortalidade especialmente substanciais nas pessoas que iniciaram o tratamento para o VIH quando a sua contagem de células CD4 era inferior a 100 células/mm3.
O estudo também demonstrou o valor de se iniciar o tratamento para o VIH com contagens de células CD4 mais elevadas. Os doentes com uma contagem de células CD4 de 100/mm3 ou menos quando iniciaram o tratamento para o VIH tinham maior probabilidade de morrerem nos cinco anos seguintes, do que iniciaram a terapêutica anti-retroviral quando a contagem de células CD4 era igual ou superior a 500/mm3.
Origem do Estudo
A introdução do tratamento anti-retroviral de combinação altamente eficaz em 1996 transformou as perspectivas das pessoas com infecção VIH. Existe agora um corpus substancial de literatura de investigação que demonstra que a terapêutica com os medicamentos anti-retrovirais faz descer a carga viral, aumenta a contagem de células CD4 e aumenta a sobrevivência sem evolução para SIDA.
No entanto, as doenças não relacionadas com o VIH estão a tornar-se uma causa cada vez mais frequente de doença e morte em doentes infectados pelo VIH. Assim, é importante compreender o impacto do tratamento para o VIH na sobrevivência das pessoas infectadas.
Estudos anteriores que tentaram examinar este problema apresentavam limitações devidas a vários factores.
Muitos não analisavam um número suficiente de doentes naïve para determinar correctamente o efeito do início do tratamento para o VIH sobre a mortalidade por qualquer causa. Muitas investigações anteriores não tomaram em conta os possíveis factores de confusão, tais como, o patamar inicial da contagem de células CD4, a carga viral e o grupo de transmissão do VIH.
Os investigadores da HIV-CASUAL Collaboration quiseram obter uma maior compreensão do início do tratamento para o VIH sobre o risco geral de mortalidade para doentes infectados pelo VIH.
Os investigadores estudaram os registos de 62 760 doentes que, entre 1996 e 1998, estiveram inscritos em doze estudos de coortes diferentes na Europa e nos Estados Unidos. Nenhum dos doentes tinha feito tratamento para o VIH, antes da inclusão nestes estudos.
Os investigadores compararam o risco de mortalidade para doentes que iniciaram o tratamento, com o risco dos que não iniciaram. As tendências de mortalidade foram também monitorizadas durante um período de cinco anos, de acordo com o facto de os medicamentos para o VIH terem sido tomados ou não. O efeito da contagem no patamar das células CD4 e outros factores incluindo a transmissão do VIH também foram incluidos.
Resultados
O tratamento para o VIH foi iniciado por 26% dos doentes nos três primeiros meses após a entrada num estudo de uma coorte e por 55% dos indivíduos no fim do estudo e durante o seguimento (follow-up) (2003-2007).
A duração média do seguimento (follow-up) foi de 3,3 anos.
Um total de 2039 doentes morreu, uma taxa de mortalidade de 10 por 1000 pessoas/ano.
Ao todo, o risco de morte por qualquer causa foi reduzido em 52% para os doentes que iniciaram a terapêutica anti-retroviral.
Iniciar o tratamento para o VIH foi especialmente benéfico para doentes com um sistema imunitário muito fraco, reduzindo o risco de morte em 71% para os que iniciaram a terapêutica anti-retroviral quando a sua contagem de células CD4 era inferior a 100 células/mm3.
Os benefícios também foram importantes para os doentes cujas contagens de células CD4 eram consideradas “normais”. Aqueles que iniciaram o tratamento para o VIH quando a sua contagem de células CD4 era igual ou superior a 500 células/mm3 viram o seu risco de morte por qualquer causa reduzido em 23%, comparado com os doentes que permaneceram sem tratamento.
Em seguida, os investigadores calcularam a probabilidade de sobreviverem cinco anos para os doentes que iniciaram a terapêutica anti-retroviral e para os que não o fizeram.
Em geral, a taxa de sobrevivência foi de 96% para os que aceitaram o tratamento e de 92% para os que o recusaram.
Mais uma vez, estes resultados variaram de acordo com a contagem de células CD4, com os maiores benefícios observados nos doentes com sistemas imunitários mais fracos.
A probabilidade de sobrevivência a cinco anos para aqueles que iniciaram o tratamento para o VIH quando a sua contagem de células CD4 era igual ou inferior a 100 células/mm3 foi de 83%, comparada com apenas 43% para os doentes com uma contagem de células CD4 deste nível e que não iniciaram o tratamento com anti-retrovirais.
Iniciar o tratamento para o VIH também aumentou as probabilidades de sobrevivência com contagens CD4 mais elevadas. Os doentes que iniciaram a terapêutica quando a sua contagem de células CD4 se encontrava entre 200 a 350/mm3 tinham 6% mais probabilidades de sobreviverem dos que não a iniciaram (97% vs. 91%).
Um ligeiro benefício para a sobrevivência foi também observado entre doentes que iniciaram o tratamento com medicamentos anti-retrovirais quando a sua contagem de células CD4 era superior a 350/mm3 (97% vs. 94%).
O tipo de transmissão do VIH também afectou as probabilidades de sobrevivência, mesmo quando era administrado o tratamento para o VIH. Os indivíduos com infecção VIH por transmissão heterossexual ou de sexo entre homens tinham mais probabilidades de estarem vivos nos cinco anos seguintes ao início do tratamento anti-retroviral. do que os por transmissão através da injecção de drogas (97% vs. 97% vs. 83%).
“Estimamos que a terapêutica de combinação anti-retroviral reduziu para metade a taxa de mortalidade dos indivíduos infectados pelo VIH nos países desenvolvidos, e que a redução absoluta na mortalidade era mais forte para aqueles com prognósticos piores no início do follow-up”, escrevem os investigadores.
No entanto, é enfatizado que tal conclusão não apoia o adiamento do início do tratamento para o VIH.
É verdade que os investigadores concluem que o risco da mortalidade a cinco anos de doentes tratados com menos de 100 células/mm3 no patamar inicial (11%) foi quase quatro vezes maior do que o risco dos doentes tratados com mais de 500 células/mm3 (3%).”
Referência
The HIV-CASUAL Collaboration. The effect of combined antiretroviral therapy overall mortality in HIV-infected individuals. AIDS 24: 123-37, 2010.
Tradução
GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
In aidsmap
14.1.2010
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