Liz Highleyman
As pessoas seropositivas para a infecção VIH, co-infectadas com Hepatite C poderão ter mais possibilidade de desenvolver osteoporose (ossos porosos) e fracturas do que as pessoas que só têm um dos vírus, de acordo com um estudo norte-americano apresentado na XVIII Conferência Internacional sobre SIDA, em Viena.

Roger Bedimo, do Veterans Administration North Texas Healthcare System, observou facturas osteoporóticas ou fissuras no pulso, vértebras ou anca devido à perda de densidade mineral óssea.
Numerosos estudos observaram densidade abaixo da média e risco de osteoporose mais elevado entre as pessoas com VIH, embora continue a controvérsia sobre se isto pode ser atribuído ao próprio vírus, aos medicamentos anti-retrovirais ou a outros factores.
A perda de massa óssea pode estar relacionada com danos tóxicos ou com mudanças metabólicas que produzem um desequilíbrio no desenvolvimento normal do osso, levando a que o material ósseo velho seja reabsorvido mais rapidamente do que a produção de nova massa óssea para o substituir.
Aproximadamente 1/3 das pessoas seropositivas estão co-infectadas com Hepatite C crónica que pode também estar relacionada com baixa densidade mineral óssea e com o aumento do risco de fracturas. A perda de massa óssea é uma preocupação crescente na medida que esta população está a envelhecer. Bedino referiu que, enquanto as mulheres têm mais probabilidade de tolerar fracturas, os homens têm mais hipóteses de morrer de complicações relacionadas com as mesmas. Numerosos estudos relatam encontrar entre as pessoas seropositivas menor densidade mineral óssea e maior risco de osteoporose.
Utilizando os códigos de diagnóstico ICD9 nos registos médicos, os investigadores identificaram retrospectivamente todos os doentes do Veterans Administration North Texas Healthcare System, que tinham sido diagnosticados com VIH entre 1988 e 2009 e subsequentemente tiveram fracturas osteopáticas.
A análise incluiu 56 660 pessoas seropositivas para o VIH. Eram quse todos homens, a idade média era de 45 anos e 1/3 estava co-infectado com hepatite C. Cerca de 2/3 estivera sob tratamento anti-retroviral por um período médio de cerca de 4 anos. Os participantes foram seguidos em média durante 5 anos, com um período total de observação de 305 237 pessoas/ano.
Os investigadores compararam as taxas de fracturas entre pessoas com VIH e pessoas co-infectadas VIH/VHC. Investigaram então outros factores relacionados com a perda de massa óssea que pudessem influenciar os dados, tais como idade, raça/etnia, peso corporal, utilização da TARc, diabetes, doença renal crónica e tabagismo.
Bedino reconheceu que não podiam confiar nos dados referentes ao estado nutricional ou de utilização de álcool ou drogas baseados nos registos médicos, mas que estes seriam importantes factores de risco a considerar.
Durante o período de observação, 951 pessoas tiveram, pelo menos, uma fractura osteoporótica. A maior parte das fracturas (451) afectaram o pulso, seguidas por 308 episódios de fractura da anca e 106 fracturas das vértebras.
A taxa de fracturas para as pessoas infectadas pelo VIH foi de 2,54 pessoas/ano, subindo para 3,25 por 1000 pessoas entre as pessoas co-infectadas VIH/VHC. Olhando apenas para os dados da era da combinação terapêutica (1996 a 2009), as taxas correspondentes foram de 2,86 e 4,06 por 1000 pessoas/ano respectivamente.
Utilizando estes números, os investigadores calcularam então o impacto da co-infecção e de outros factores de confusão no risco de fracturas.
Enquanto que 51% das pessoas que sofreram fracturas eram co-infectadas este número desceu para 31% entre as pessoas que não tiveram fracturas. A análise a um único factor como a factores multivariados consideraram a co-existência da infecção VHC como um factor predictivo significativamente independente de facturas osteoporóticas, com rácios de acaso de 1,27 e 1,43 respectivamente. Por outras palavras, a co-infecção foi associada a um aumento de 27 a 43% risco.
De acordo com investigações anteriores as pessoas de descendência africana tinham menos hipótese de sofrer de fracturas, enquanto que o envelhecimento, menor massa corporal e tabagismo estão relacionados com um risco significativamente mais elevado. Bedimo explicou que a aparente redução nas fracturas do pulso em idades superiores tinha hipóteses de ser atribuível a uma redução das actividades vigorosas que podem levar ao trauma.
Neste estudo, contudo, a doença renal crónica e a diabetes não foram factores significativamente predictivos do risco de fracturas depois do ajuste para outros factores. O uso da terapêutica anti-retroviral foi considerado um factor protector. Durante a era da TARc ter uma fractura de origem osteoporótica aumenta o risco de morte em 77%.
Estas descobertas levaram Bedimo e colegas a concluir que a co-infecção com VHC é um factor de risco significativo para fracturas osteoporóticas em pessoas seropositivas para o VIH e que estas fracturas parecem estar a aumentar entre as pessoas co-infectadas VIH/VHC durante a era da TARc.
Uma limitação deste estudo é que os investigadores só olharam para as fracturas e não tiveram em conta as medições da densidade mineral óssea, que poderão revelar a perda de massa óssea em estádios precoces.
Na discussão que se seguiu à apresentação, o investigador da co-infecção Juan Macias sugeriu que o VHC provavelmente não causa mudanças ósseas mas a hepatite C crónica pode levar à cirrose do fígado, um conhecido factor de risco para os danos ósseos.
Referência
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