soropositivoorg : O aconselhamento e o tratamento de substituição opiácea são necessários para reduzir comportamentos de risco em jovens utilizadores de droga

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Michael Carter
De acordo com o estudo norte-americano publicado na edição on-line do Journal of Acquired Immune Deficiency Syndromes, prolongar o tratamento com buprenorfina/naloxona ajuda a reduzir os níveis de consumo de opiáceos por via injectável e de actividade sexual nos jovens.

Contudo, a terapêutica não reduziu as taxas de consumo por via injectável envolvendo riscos de transmissão do VIH, nem reduziu os casos de relações sexuais desprotegidas.

“Aconselhamento adicional sobre práticas de risco poderá ser necessário para promover uma maior diminuição tanto no consumo de drogas como nos comportamentos sexuais de risco”, comentam os investigadores.

Nos E.U.A., o número de jovens a consumir opiáceos ilícitos aumentou nos últimos anos. Uma das potenciais consequências deste uso é a exposição ao VIH e a outras doenças infecciosas, tais como a hepatite B e/ou C.

Um estudo conduzido em adultos consumidores de droga indica que as mulheres têm uma maior probabilidade, comparadas com os homens, de partilhar material de injecção e de terem mais comportamentos sexuais de risco.

Contudo, não se sabe se estas diferenças de género também ocorrem nos jovens consumidores de opiáceos, assim como não se sabe também se o tratamento de substituição opiácea com buprenorfina/naloxona reduz os comportamentos de risco na transmissão do VIH entre os jovens.

Assim, os investigadores do US National Institute on Drug Abuse Clinical Trials Network levaram a cabo um estudo que envolveu utilizadores de opiáceos com idades compreendidas entre os 15 e 21 anos.

Os participantes foram randomizados para receber duas semanas de desintoxicação com buprenorfina/naloxona ou doze semanas de terapêutica com buprenorfina/naloxona.

Os efeitos destes dois tratamentos no consumo de droga e comportamentos sexuais foram comparados e os resultados estratificados de acordo com o género.

Um total de 150 pessoas com uma média de idade de 19 anos foi recrutado para o estudo. A maioria (89) era do sexo masculino e caucasiana (72).

Todos eram consumidores de opiáceos. Na contagem inicial, 51% das mulheres injectava opiáceos em comparação com 45% dos homens. Mais, 77% das mulheres que injectavam, tinham comportamentos de risco que envolviam risco de transmissão do VIH em comparação com 35% dos homens (p <0.001).

A actividade sexual foi, inicialmente, reportada por 82% das mulheres e 74% dos homens. Proporções iguais de mulheres (68%) e de homens (64%) reportaram sexo desprotegido anal e vaginal nos 30 dias que antecederam o estudo.

Na fase final do estudo, apenas 57% dos participantes reportaram a utilização de opiáceos. Maiores reduções no uso de opiáceos ilegais foram observadas entre aqueles que integravam o braço do estudo com tratamento prolongado. Por exemplo, na oitava semana, 67% dos doentes no braço da desintoxicação reportaram utilizar opiáceos ilegais em comparação com 33% dos doentes a receber tratamento de longa duração com buprenorfina/naloxona.

O consumo por via injectada diminuiu em ambos os braços, mas a maior descida foi observada nos participantes a receber a terapêutica prolongada (p = 0.03). Na oitava semana, 9% dos participante reportaram consumir droga por via injectada, em comparação com os 30% dos participantes que receberam tratamento apenas durante as duas semanas.

Mais, houve uma redução significativa na percentagem de mulheres, em comparação com os homens, a reportar consumo por via injectada (p < 0.05).

Contudo, não houve, no geral, redução nos comportamentos dos que continuavam a consumir por via injectada que envolvesse o risco de exposição ao VIH ou a outras doenças infecciosas. A acrescentar, no decorrer do estudo, as mulheres tinham mais probabilidades do que os homens de reportar práticas de injecção envolvendo risco de transmissão pelo VIH ou de hepatites virais (p = 0.001).

Apesar de haver, no geral, redução na actividade sexual durante o estudo (p < 0.01) tal não foi associado à redução de comportamentos sexuais de risco. No final do estudo, 70% das mulheres e 65% dos homens reportaram sexo com penetração desprotegido.

“Estender o período de tratamento com buprenorfina/naloxona foi associado a um aumento significativo na redução do uso de opiáceos e de drogas por via injectada, devendo ser considerado como seguro e eficaz considerar o tratamento como opção em jovens dependentes de opiáceos”, comentam os investigadores.

Acrescentam que, ”adicionar o aconselhamento na redução de riscos poderá ser necessário para promover um decréscimo no que diz respeito ao consumo por via injectada e comportamentos sexuais de risco”.

Os investigadores chamam a atenção para a necessidade de estudos adicionais que determinem a continuidade do uso da terapêutica com buprenorfina/naloxona e ”identificar intervenções de redução de riscos para jovens dependentes de opiáceos, conjugando o tratamento prolongado com este fármaco e o aconselhamento”

Referência

Meade CS et al. HIV risk behavior in treatment-seeking opioid-dependent youth: results from a NIDA Clinical Trials Network multisite study. J Acquir Immune Defic Syndr (advance online publication), 2010.

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