Investigadores norte-americanos publicam em Junho, na 15ª edição do Clinical Infectious Diseases, um estudo onde concluem que os suplementos de zinco reduzem significativamente o risco de descida de células CD4 abaixo das 200 células/mm3.
Reportam também que doses diárias de zinco diminuem episódios de diarreia.
“Níveis nutricionais de suplementos de zinco administrados em adultos seropositivos para o VIH tiveram como resultado uma descida de quarto vezes no risco de falência imunológica” comentam os investigadores.
Níveis adequados de zinco são essenciais para uma boa função imunológica e a investigação demonstrou que cerca de 50% das pessoas que vivem com VIH têm baixos níveis de zinco, o que é associado a uma mais rápida progressão da doença e a um aumento do risco de morte.
Suplementos de zinco demonstraram retardar a progressão de doença pelo VIH.
O risco de infecções oportunistas graves é elevado nos doentes com VIH quando as células CD4 descem das 200/mm3. Esta situação é definida como falência imunológica, tal como nas pessoas cuja contagem de células CD4 não aumenta após iniciarem a terapêutica anti-retroviral.
Os investigadores queriam observar se o suplemento diário de zinco ajudava a reduzir o risco de falência imunológica, doença e morte numa coorte composta por 231 doentes seropositivos para o VIH nos E.U.A..
Os participantes foram randomizados em dois grupos para tomar uma dose diária de zinco (15 mg para os homens, 12 mg para as mulheres). O estudo teve a duração de 18 meses, e os doentes foram monitorizados em intervalos regulares.
A idade média dos participaram no estudo foi de 43 anos, 77% eram negros e 73% do sexo masculino.
A terapêutica anti-retroviral foi administrada em 62% dos doentes, mas apenas 29% destes apresentavam uma carga viral indetectável.
No fim do estudo, os doentes que tinham recebido o suplemento tinham níveis significativamente mais elevados de zinco em comparação com os participantes randomizados para receber placebo (p = 0.047).
O suplemento de zinco foi seguro e não foram reportados efeitos secundários graves.
Não houve evidência de que os suplementos de zinco diminuíssem a carga viral. Proporções semelhantes de doentes medicados com terapêutica anti-retroviral em ambos os braços do estudo tinham carga viral detectável.
Contudo, os investigadores concluíram que o suplemento de zinco reduziu o risco de falência imunológica em aproximadamente 75% (RR = 0.24; 95% CI, 0.10-0.56, p = 0.002).
No início do estudo, um terço dos doentes reportou episódios de diarreia nos 12 meses precedentes e 12% afirmaram não terem sido graves. O suplemento de zinco reduziu o risco de diarreia em 60% (p = 0.19) e os investigadores observaram uma forte relação entre os níveis de zinco e os casos de diarreia reportados (p < 0.001).
Não houve evidência de que o suplemento de zinco reduzisse o risco de morte. Um total de onze doentes no braço do tratamento morreu, em comparação com oito doentes que morreram no braço com placebo.
Uma análise de subgrupo foi levada a cabo nos doentes a tomar a terapêutica anti-retroviral e com carga viral indetectável. No total, no braço com placebo, quatro doentes apresentaram falência imunológica.
Os investigadores sugerem que o suplemento de zinco preveniu a falência imunológica, por melhorar a função tímica.
Concluem que “esta evidência apoia a recomendação de que a terapêutica com zinco é segura, simples, sendo uma ferramenta custo-eficaz para melhorar a resposta imunológica e reduzir a morbilidade, devendo ser considerada como uma terapêutica adjuvante na infecção pelo VIH”.
Referência
Baum MK et al. Randomized, controlled clinical trial of zinc supplementation to prevent immunological failure in HIV-infected adults. Clin Infect Dis 50: online edition, 2010.
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