SP mantém alta letalidade por HIV
Morte entre pacientes com aids ficou em 22%; índice de 7,5 óbitos por 100 mil habitantes é igual a de 10 anos atrás
Fabiane Leite
Boletim epidemiológico divulgado ontem pela Prefeitura de São Paulo confirma uma tendência de estabilidade no porcentual de mortes de doentes de aids na capital paulista, o que preocupa a Secretaria Municipal da Saúde.
De acordo com o relatório, a letalidade (porcentual de óbitos entre doentes) da aids em São Paulo ficou em torno dos 22% entre 2003 e 2006. É esse índice que aponta o maior ou menor poder de uma doença provocar a morte, permitindo avaliar sua gravidade. Já a taxa de mortalidade, que expressa o total de mortes por 100 mil habitantes, ficou em 7,5, e também com tendência à estabilidade. O valor é semelhante ao registrado no País uma década atrás. “É um dado que merece atenção”, afirmou Maria Cristina Abbate, coordenadora do Programa Municipal de DST/Aids.
O valor ficou acima da taxa nacional de 2004, último ano com dados consolidados para o país, de 6,2 – dados preliminares para o País apontavam taxa de 6 em 2005.
Segundo Maria Cristina, avaliações mensais da pasta apontam um dado ainda mais preocupante, um aumento das taxas, mas ainda é preciso esperar, afirma, pois pode se tratar de uma mera flutuação.
A prefeitura criou uma comissão para estudar os motivos os números preocupantes de óbitos.
EXPLICAÇÕES
A primeira hipótese é a de que o diagnóstico de infecção pelo HIV esteja ocorrendo tardiamente, afirmou a coordenadora. “O que estamos observando é que quando os doentes chegam ao serviço de saúde já estão muito mal e ainda sem o diagnóstico de infecção pelo HIV.”
Outra possibilidade em estudo é a de que a resistência do HIV aos medicamentos contra a aids, mesmo às drogas de segunda geração (que são justamente para quem já apresentou resistência), possa estar por trás da estabilidade das mortes. “O ideal é que estivéssemos diminuindo esses índices”, disse Maria Cristina.
“O que apontávamos é que mesmo os óbitos tendo estabilizado após o tratamento universal, estabilizaram em patamares muito altos. Achamos que passou da hora de decifrar a causa dessas mortes”, afirmou ontem Mário Scheffer, diretor Pela Vidda, ONG de apoio a portadores do HIV .
Possíveis falhas da assistência, diagnóstico tardio, falhas nas campanhas pela testagem são ainda apontados por ativistas como motivos para o número preocupantes de óbitos, além do tratamento inadequado de co-infecções como hepatite e tuberculose.
“Há ainda a pouca atenção para quem toma há muito tempo os remédios, ausência total de pesquisas e iniciativas para compreender por que tantos morrem”, completou Scheffer.
Para estimular o diagnóstico precoce, a cidade implantou recentemente, seguindo recomendação do Ministério da Saúde, serviços de testagem rápida para o HIV em 5 das 24 unidades especializadas em aids. A meta é universalizar o teste até o fim do ano. “Em vez do resultado sair em 15 dias, fica pronto em uma hora”, afirma a coordenadora.
O dado positivo mais destacado pela Prefeitura foi a queda das taxas de transmissão do HIV de mães para filhos (transmissão vertical), que ficou em 2,08%. “O ideal, claro, é 0, mas 2% já são aceitáveis pela Organização Mundial da Saúde”, disse ainda a coordenadora.
A Prefeitura criou uma outra comissão, para o controle da transmissão vertical. A principal preocupação é com a rede de atendimento médico privado, afirma, pois a testagem para o HIV para grávidas é propagada principalmente na rede pública.
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