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SUS realizou 57 cirurgias de troca de sexo em dois anos

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LGBT23/09/2010 

O procedimento foi Incluído na lista de gratuitos no ano de 2008

 

 

Walquíria Cassiano

A cirurgia de mudança de sexo gratuita é uma realidade possível para a comunidade TRANSEXUAL desde 2008. Apesar da lista de espera ser relativamente grande no Sistema Único de Saúde (SUS), estima-se que, desde 2008, 57 procedimentos cirúrgicos do tipo foram realizados, segundo o Ministério da Saúde. A estatística indica que, de janeiro a junho deste ano, uma pessoa fez a troca de sexo no país a cada 11 dias. No Distrito Federal o Hospital Universitário de Brasília (HUB) possui um grupo de apoio a quem pretende se submeter à cirurgia.

O procedimento foi feito experimentalmente no Brasil a partir de 1971, em centros universitários do país. Somente em 2008, a cirurgia de redesignação sexual entrou para a lista de procedimentos cirúrgicos gratuitos com cobertura do SUS. “Muita gente não fazia por não ter dinheiro, porque a cirurgia era cara. Em 1997 fui convidada para trabalhar fora do Brasil. Vi uma oportunidade de ganhar dinheiro e juntar para fazer a cirurgia fora também”, lembra a TRANSEXUAL Juliana Marjorie.

No primeiro ano de serviço oferecido pelo SUS, foram feitas 10 cirurgias de redesignação sexual. Em 2009, este número subiu para 31, e até junho de 2010, dezesseis pacientes trocaram de sexo. No Hospital Universitário de Brasília (HUB), existe um grupo que acompanha os pacientes antes da cirurgia. Entre casos comprovados como verdadeiros, com toda documentação necessária, a estimativa é que 200 pessoas estejam aguardando na fila de espera.

Alguns pré-requisitos são necessários para conseguir uma vaga na rede pública. É preciso ter mais de 21 anos e um laudo médico que comprove a necessidade da cirurgia. “Eu sei de um caso daqui [Ribeirão Preto] em que a moça fez a cirurgia, e dois anos depois se suicidou”, contou Juliana. Por isso, dois anos de acompanhamento terapêutico são uma exigência.

Segundo os movimentos de defesa dos transexuais do Brasil, no país, a maioria das operações são feitas em pessoas do sexo masculino. No sexo feminino, tais entidades acreditam que o procedimento só foi realizado cinco vezes. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a condição TRANSEXUAL é considerada um transtorno de gênero.

A psicóloga, mestre e doutoranda em Psicologia Social e do Trabalho pela Universidade de Brasília (UnB), Jaqueline Jesus, atribui os dados a dois pontos principais. “O primeiro é a maior visibilidade que o homem TRANSEXUAL tem. Eles são muito discriminados e não tem reconhecimento da sociedade. O segundo é que a ciência está mais avançada para as mulheres. A cirurgia de criação de órgão genital masculino é mais complexa”, disse.

Segundo o Ministério da Saúde, apenas quatro centros universitários estão autorizados a fazer estas cirurgias no Brasil, sendo um localizado em São Paulo, um em Porto Alegre, um em Goiás, e o último, no Rio de Janeiro. Recentemente, o Conselho Federal de Medicina autorizou clínicas particulares a realizar o procedimento.

Diferenças

Segundo a psicóloga Jaqueline Jesus, o conhecido grupo de gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis tem uma história de luta conjunta. Por esta razão, são difíceis de diferenciar. “Os motivos são diferentes. Os gays e lésbicas querem exercer o direito de livre expressão da opção sexual, enquanto os outros lutam para poder trocar de nome, sem precisar de cirurgia, por exemplo”, explicou.

Ela esclarece que existe diferença entre os grupos. “Os homossexuais se sentem atraídos por pessoas do mesmo sexo. Os travestis têm prazer em agir como mulher. Transexuais sentem que seu corpo não está adequado à forma como pensam e se sentem, e querem corrigir isso adequando seu corpo ao seu estado psíquico”, informou.

De acordo com estudos científicos, a transexualidade é uma questão de identidade. “Não é uma doença mental, não é uma perversão sexual, não é uma doença debilitante ou contagiosa. Não tem nada a ver com orientação sexual, como geralmente se pensa, não é uma escolha nem é um capricho”, completou a psicóloga.

“Sou mulher”

A TRANSEXUAL Juliana Marjorie sabia que havia alguma coisa errada com o seu corpo desde os 13 anos. “O TRANSEXUAL já nasce assim, foi comprovado cientificamente que não é genético. O cérebro não combina com o corpo”, disse.

Há dez anos, Juliano virou Juliana, de corpo e alma. A moça ficou sabendo que no Hospital de Base de Rio Preto seriam feitas cirurgias experimentais. Juliana teve de enfrentar a família e ter paciência para se submeter à cirurgia, que foi paga. Hoje, Juliana é casada, depois de uma batalha na Justiça, e tem o nome “Juliana Marjorie” estampado na identidade.

TRIBUNA DO BRASIL – DF | GRANDE BRASÍLIA


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