Este Informativo contém informações básicas sobre os testes que avaliam o grau de resistência do vírus aos medicamentos anti-HIV. Para maiores informações, veja o Informativo 26 da NAM sobre Resistência, atualizado em janeiro de 2003.
Os testes de resistência já vêm sendo usados em pesquisas sobre o HIV para esclarecer como a resistência aos medicamentos anti-HIV se desenvolve. Além disso, esses testes vêm sendo utilizados em clínicas como uma forma de orientação na escolha do tratamento, principalmente depois da Associação Britânica para o HIV ter aconselhado os testes de resistência sempre que uma combinação de medicamentos anti-HIV for mudada. Em caso de dúvidas com relação ao seu tratamento, pergunte se um teste de resistência está sendo realizado.
Os testes de resistência são bastante caros, e seus resultados lentos; são difíceis de ser feitos e analisados; falta padronização e controle de qualidade; não podem ser realizados se o nível da carga viral estiver abaixo de mil; há a possibilidade de não detectarem sub-famílias de vírus resistentes que são minoria no número total de HIV em uma amostra; e alguns desses testes são menos eficazes quando usados nas variações de HIV não-pertencentes à classe B, tipos de vírus comuns na Europa e na América do Norte.
Entretanto, as pessoas que trocam de medicamentos, conscientes dos resultados do teste de resistência, têm maior probabilidade de responder positivamente ao novo tratamento, pelo menos a curto prazo, do que as que mudam sem saber.
Tipos de teste de resistência
Há duas formas de testar a resistência aos medicamentos:
- Através dos testes genotípicos que procuram mudanças específicas, ou mutações, na transcriptase reversa do HIV ou nos genes de protease, os quais são associados à resistência aos medicamentos anti-HIV; ou,
- através dos testes fenotípicos que calculam a concentração de medicamentos necessária para reduzir a replicação viral. Para impedir o crescimento da população viral, quantidades maiores de medicamentos serão necessárias de acordo com o desenvolvimento da resistência.
Até o momento, nada indica que um dos testes seja mais útil do que o outro. Ambos têm prós e contras.
Testes genotípicos
Os testes genotípicos têm as seguintes vantagens: os resultados são relativamente rápidos, estando disponíveis em 4 ou 5 dias; são mais baratos do que os testes fenotípicos, custando em média £200 cada um; a tecnologia usada é relativamente simples; não requerem mão-de-obra altamente qualificada; e, além disso, eles prevêem as mudanças fenotípicas, já que estas ocorrem depois das mudanças genotípicas. Por outro lado, os testes genotípicos calculam a resistência indiretamente; requerem uma análise complexa; são menos eficazes quando usados em alguns sub-tipos de HIV, por exemplo os não-pertencentes à classe B; não podem ser realizados se a carga viral estiver abaixo de mil cópias; e há a possiblidade de não detectarem os vírus resistentes, totalizados entre 10% e 20% da amostra.
Testes fenotípicos
As vantagens dos testes fenotípicos são as seguintes: a sensibilidade do vírus aos medicamentos é calculada diretamente e sua análise é relativamente fácil. Por outro lado, os resultados são lentos, levando de 2 a 3 semanas; são mais caros do que os testes genotípicos, custando entre £400 e £600 cada um; requerem um complexo equipamento de laboratório; são menos eficazes quando usados em alguns sub-tipos de HIV, por exemplo os não-pertencentes à classe B; não podem ser realizados se a carga viral estiver abaixo de mil cópias; e há a possiblidade de não detectarem os vírus resistentes que formam entre 10% e 20% da amostra.
Guia para os testes de resistência
- Por serem novos no tratamento contra o HIV, os resultados dos testes de resistência devem ser analisados e explicados por pessoas com experiência neles.
- Os resultados dos testes devem ser analisados paralelamente ao tratamento e o histórico completos do paciente, ao invés de isoladamente.
- A falha do tratamento não se deve unicamente à resistência. Doses não tomadas, pouca absorção e a interação dos medicamentos são outras possíveis causas a ser consideradas.
- Os testes de resistência não poderão ser realizados se a carga viral estiver abaixo de mil cópias.
- Os testes de resistência serão mais precisos se realizados enquanto você estiver tomando uma combinação que esteja falhando do que após parar de tomar os medicamentos, pois quando você interrompe a medicação, a possibilidade dos vírus resistentes reproduzirem-se é menor do que a dos vírus sensíveis. Conseqüentemente, o número de vírus resistentes que eram predominantes, aumentará juntamente com o número de vírus sensíveis, formando, desta forma, um dos muitos sub-grupos de vírus dentro do organismo. Contudo, a maioria dos testes não identifica os sub-grupos resistentes que estão entre 10% e 20% da população viral e, por isso, recomeçar um medicamento ao qual um grupo de vírus é resistente permitirá que esse grupo cresça novamente, provocando a falha do tratamento.
- É muito importante testar a resistência antes de você iniciar um tratamento anti-HIV, pois se você tiver sido infectado por um tipo de HIV resistente a um dos medicamentos da sua primeira combinação, é provável que seu tratamento falhe rapidamente. No entanto, os testes de resistência realizados em pessoas que ainda não começaram o tratamento são mais difíceis de ser analisados do que os realizados em pessoas que estão mudando de combinação. Nestes casos, há a possibilidade dos testes só detectarem os vírus resistentes que não desaparecem logo após a infecção, por exemplo os resistentes ao AZT. Entretanto, com o passar do tempo, a população viral evolui, havendo a possibilidade dos vírus resistentes formarem apenas uma pequena minoria da população total, o que significa que eles podem ser indetectáveis antes do início do tratamento, podendo aumentar rapidamente neste período.
- Contudo, os testes de resistência podem auxiliar as pessoas recém-infectadas na escolha do tratamento, já que os vírus resistentes ainda não terão desaparecido.
- No Reino Unido, recomenda-se que os testes de resistência sejam realizados sempre que houver mudança de tratamento.
Tradução Ana Paula Veloso Dias
Informativo 46 – Revisto janeiro 2004
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