Toxoplasmose – Risco maior no início
Ele explica que, nesse período gestacional, a placenta é muito espessa, o que dificulta a passagem do parasita. Caso ele consiga ultrapassá-la, no entanto, a criança pode...
Toxoplasmose
De acordo com o médico infectologista da Secretaria de Saúde José David Urbaez Brito, o diagnóstico precoce da toxoplasmose é fundamental para evitar que a situação se agrave. “Se ocorrer nos três primeiros meses de gestação, ela é gravíssima, podendo levar a um aborto”, afirma. Com o passar do tempo, o bebê está mais bem formado e as consequências são outras. Elas se manifestam entre os 10 e os 20 anos de vida do filho contaminado na gravidez.
Ele explica que, nesse período gestacional, a placenta é muito espessa, o que dificulta a passagem do parasita. Caso ele consiga ultrapassá-la, no entanto, a criança pode nascer com má-formação, como microcefalia – quando a cabeça não atinge o tamanho ideal e o cérebro não se desenvolve completamente. O tratamento é eficaz, desde que o diagnóstico seja rápido
. “A falta dos exames é um problema para as gestantes. Sem ele, uma porta fica aberta para uma infecção que pode ser trágica”, defende Urbaez. Pacientes com Aids também requerem tratamento e atenção especial para controlar a progressão da depressão imunológica associada à doença.
Transmissão por gatos
A orientação da maioria dos médicos para as grávidas que não têm imunidade contra o parasita é evitar alimentos crus ou malpassados e contato com gatos, maior transmissor da toxoplasma. Alguns veterinários, no entanto, rejeitam essa teoria. “É preciso uma série de coincidências infelizes para que uma mulher seja contaminada pelos gatos. Eles só jogam o parasita no ambiente por três semanas de toda a vida deles. Quando têm um ano, quase todos estão imunes e não transmitem mais”, explica Christine Souza Martins, professora de medicina veterinária da Universidade de Brasília (UnB).
De acordo com ela, o grupo profissional que mais pega toxoplasmose não é o que tem contato com gatos, mas os trabalhadores de matadouros e açougues, que manuseiam carne crua. A veterinária explica que o gato precisa excretar o parasita pelas fezes e a grávida ingerir, de alguma forma, alguma coisa contaminada por esse material três dias depois. “Caso uma grávida tenha um gato em casa e não seja imune à doença, a minha recomendação é que outra pessoa, que não ela, limpe a caixa de areia do animal”, afirma. (AP)
CORREIO BRAZILIENSE – DF | CIDADES
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