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28/NOVEMBRO/07 |
Custos da assistência oncológica duplicaram no país entre 2000 e 2005
Camila Vieira
Atendência é que, nos próximos três anos, o tratamento do câncer em estágio avançado se torne oito vezes mais caro do que se esses mesmos pacientes tivessem detectado a doença na fase inicial. Para o mesmo período, as projeções indicam que os custos de tratamento serão sete vezes maiores do que as despesas com ações de prevenção. A conclusão foi adquirida através da análise de dados dos usuários de um plano de saúde privado e apresentada durante o 2º Congresso Internacional de Controle de Câncer, que termina hoje no Rio de Janeiro. O evento marcou o Dia Nacional de Combate ao Câncer.
No último ano, foram registrados 130 mil óbitos e estimados 470 mil casos novos de câncer no Brasil. Um volume maior do que o número de casos de Aids acumulados em 24 anos. Entre 1979 e 2003, a taxa de mortalidade pela doença cresceu 30% e os custos do poder público na assistência oncológica de alta complexidade aumentaram 103% entre 2000 e 2005. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Brasil gasta hoje – entre internação hospitalar, quimioterapia e radioterapia – em torno de R$1,2 bilhão por ano.
O envelhecimento da população somado à chegada de terapias inovadoras, medicamentos e equipamentos são considerados como os fatores que gerarão grande impacto nos custos do tratamento do câncer nos próximos anos. Tanto para o setor público como para o segmento de saúde privada. Por conta disso, algumas operadoras de saúde começaram a adotar programas de educação para a saúde e para detecção nos estágios iniciais de alguns tipos de câncer.
O estudo que concluiu o aumento de gastos foi feito pela Unimed de Belo Horizonte, através de informações relacionadas a 447 pacientes de câncer atendidos pelo plano de saúde. De acordo com as projeções dos pesquisadores, o custo do tratamento de estágios avançados da doença entre 2008 a 2010 para a operadora será de R$35 milhões. Se a doença fosse detectada na fase inicial nesses casos, o tratamento sairia por R$5 milhões.
Prevenção – Para ampliar a detecção precoce da doença, a operadora começou a desenvolver ações para a prevenção do câncer. Uma das ações iniciadas recentemente foi o estímulo para que os usuários realizem exames de prevenção como a mamografia (câncer de mama), o papanicolau (colo de útero) e o teste para verificação de exame de sangue oculto nas fezes, que pode indicar câncer de cólon e reto.
O diretor geral do Inca, Luiz Antônio Santini, assinala que a informação para a prevenção é determinante em várias questões que vão desde a saúde até os custos com a doença. Hoje, o câncer do colo de útero – prevenível, tratável e curável – é o segundo de maior incidência e a quarta causa de morte em mulheres no Brasil.
Um dos problemas identificados é que se atua em uma fase tardia da doença, quando os sintomas e sinais já estão instalados. “No caso das mulheres, tomar consciência da importância do exame preventivo pode representar a diferença entre vida e morte”, explica Santini.
Estimativas do Inca
No próximo ano, 470 mil pessoas terão câncer no Brasil. A estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) foi apresentada no 2º Congresso Internacional de Controle de Câncer. O tipo mais incidente será o câncer de pele do tipo não-melanoma, com cerca de 115 mil casos a cada ano.
Com exceção deste tipo de neoplasia, os tipos da doença com maior número de novos casos no sexo masculino serão os de próstata e pulmão, enquanto em mulheres a incidência será maior dos cânceres de mama e colo de útero. Ainda segundo a previsão do Inca, o Norte e Nordeste terão o câncer de estômago como o segundo mais prevalente entre homens.
Com intuito de alertar sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce, algumas ações foram realizadas em Salvador. O Hospital Português, por exemplo, ministrou uma palestra com o tema Prevenir para viver melhor e especialistas prestaram informações ao público sobre como evitar o aparecimento de células cancerosas.
A oncologista Clarissa Mathias, do Núcleo de Oncologia da Bahia (NOB) do Hospital Português, falou sobre os cuidados essenciais para evitar o aparecimento de tumores: a adoção de uma alimentação saudável, limites na ingestão de bebida alcoólica, não fumar, proteger-se do sol, praticar exercícios físicos regularmente e controlar o peso.
Ela lembrou que o controle das DSTs, a exemplo do HPV e Aids pode evitar o aparecimento do câncer do colo do útero. “A população deve fazer exames importantes como a colonocospia, auto-exame da mama, e o PSA (toque retal). Eles são fundamentais no diagnóstico precoce”, assinalou a oncologista. Segundo ela, o aparecimento do câncer está ligado à questão do gen somado à exposição aos fatores de riscos. “Se as pessoas procuram obter hábitos saudáveis, as chances diminuem”, considerou.
No Hospital Espanhol, na Barra, palestras de orientações gerais sobre a doença também foram ministradas durante toda a tarde. Quem passou pelo local pôde tirar dúvidas sobre os tipos mais incidentes da doença. A previsão da Organização Mundial de Saúde (OMS) é que o câncer deve matar 84 milhões de pessoas em todo mundo, na próxima década. Mais de 70% dos óbitos ocorrem em países em desenvolvimento e do terceiro mundo, onde os recursos necessários para a prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer são limitados ou inexistentes.
DICAS
Formas de prevenir o câncer
Pare de fumar. O cigarro é responsável por 30% dos casos de câncer
Alimente-se bem. Uma dieta saudável reduz em 40% o risco de a doença surgir. Coma mais frutas, legumes e cereais e menos carnes e alimentos gordurosos
Limite a ingestão de bebidas alcoólicas. Não ultrapasse um ou dois drinques por dia
Pratique atividade física cinco vezes por semana por pelo menos 30 minutos
Mulheres acima de 40 anos devem fazer mamografia anualmente
O exame preventivo do câncer do colo do útero (papanicolau) deve ser feito todos os anos
Depois dos 50 anos, homens e mulheres devem realizar exames de detecção precoce de câncer de intestino
Homens acima de 50 anos devem passar por exames preventivos do câncer de próstata
Evite a exposição prolongada ao sol. Use filtro com protetor solar fator 15 ou superior
Examine regularmente a boca e a pele e procure o médico em caso de alterações
Fonte: Inca
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