Travestis terão cirurgia em até 3 meses
Pelo menos 4 hospitais públicos de São Paulo manifestaram interesse em fazer colocação de prótese mamária
Fabiane Leite
Pelo menos quatro hospitais públicos manifestaram interesse em realizar cirurgias de colocação de prótese mamária em travestis e transexuais. Segundo a coordenadora do programa estadual de DSTS/AIDS do Estado, Maria Clara Gianna, ainda serão estabelecidos protocolos e em até três meses este procedimento e a terapia hormonal – administração de hormônios para conferir identidade feminina, como ausência de pelos no rosto – já estarão disponíveis.
A pasta inaugurou na tarde de ontem um ambulatório na zona sul da capital especial para o atendimento geral de saúde de travestis e transexuais e anunciou a disponibilização dos procedimentos, conforme informou o Estado ontem. O novo serviço, que terá capacidade para 300 atendimentos mensais de todos os tipos, é parte das comemorações do mês do orgulho LGBT (sigla para Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros).
“A orientação sexual e a identidade de gênero têm implicações sobre a saúde e o sistema tem de estar preparado para este tipo de atendimento”, disse o governador José Serra (PSDB).
Segundo Maria Clara, o serviço oferecerá clínica geral, urologia e proctologia, entre outras. Será realizada avaliação psicológica de todos os pacientes que quiserem se submeter à cirurgia de mamas, à hormonioterapia ou à cirurgia de mudança de sexo, já realizada em hospitais.”A inauguração é um grande avanço”, disse a TRAVESTI Taís Souza, de 27 anos, da ONG Centro de Referência da Diversidade e que já viu várias amigas se submeterem à injeções de silicone industrial para ganhar formas femininas. Os silicone pode se deslocar pelo corpo causando danos à saúde.
A iniciativa foi elogiada por responsáveis por serviços semelhantes. Segundo a endocrinologista Amanda Thayde, do ambulatório de Disforia de Gênero da Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia do RJ, o conselho de medicina só permite a terapia com hormônios para transexuais (indivíduo que nasceu no corpo de homem mas se considera mulher, por exemplo), antes e após a cirurgia de mudança de sexo, e não para travestis (um homem com identidade feminina, que não tem necessidade de mudar o sexo, por exemplo). Além disto, afirma Amanda, as cirurgias de mama nem sempre são necessárias porque os hormônios garantem seu desenvolvimento.
O ESTADO DE S.PAULO |
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10/JUNHO/09 |
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