POR UMA POLÍTICA DE SOLIDARIEDADE E UM MUNDO SEM RACISMO, MACHISMO E HOMOFOBIA

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Concepção do Projeto
Editora Responsável

Roseli Tardelli

 

Agência de Notícias da AIDS

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Dia / Mês/Ano:

 

 

21/JUNHO/07

 
POR UMA POLÍTICA DE SOLIDARIEDADE E UM MUNDO SEM RACISMO, MACHISMO E HOMOFOBIA – Regina Facchini é Vice-presidente da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo
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Regina Fachini

Neste 10 de junho estaremos novamente nas ruas reivindicando direitos e cidadania para a população GLBT (gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais) e trazendo o tema “Por um mundo sem racismo, machismo e homofobia”. Dessa vez, nosso tema também é um convite a outros movimentos sociais para que, juntos, possamos combater o preconceito, a discriminação e a violência em todas as suas formas, afirmando que a diferença é típica do humano, mas a desigualdade, as opressões e as mais diversas formas de violência são absolutamente desumanas e desnecessárias.

A escolha desse tema expressa o reconhecimento de que gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais estão presentes e atuantes nos mais diversos movimentos sociais e de que isto ocorre porque, além da homofobia, sofrem o impacto de outras formas de opressão, que são também compartilhadas por outros grupos sociais. GLBT também são negros, brancos, judeus, indígenas, ciganos, orientais, homens, mulheres, jovens, adultos, idosos e podem estar em qualquer camada social. Quando colhemos dados sobre violência entre os/as GLBT nas paradas, pode-se perceber o quanto questões como gênero, classe, idade, cor/raça têm impacto na dinâmica pela qual a violência e a discriminação acontecem.

Por outro lado, em tempos de fundamentalismos e desrespeito aos direitos humanos é importante que vários movimentos possam unir suas forças, uma vez que um mesmo sujeito pode ter vários pertencimentos sociais e que o racismo, o machismo e a homofobia atingem não somente “o negro”, “a mulher” e “os/as homossexuais”, respectivamente.
Mulheres e homens, heterossexuais ou GLBT, negros, brancos, indígenas, ciganos, judeus, nordestinos, orientais ou integrantes de outras etnias sofrem cotidianamente o impacto do racismo no Brasil assim como em todo o mundo. Homens e mulheres de todas as raças/etnias, idades, inserções sócio-econômicas, orientações sexuais e identidades de gênero estão também sob o impacto das mais diferentes formas em que o machismo e as relações de poder desiguais entre os sexos se expressam.

O racismo e o machismo são formas de opressão que negam os direitos, a dignidade e a cidadania plena a seres humanos em todo o mundo e têm também impacto na forma como a homofobia – preconceito, discriminação e violência contra GLBT – ocorre. Por outro lado, a homofobia tem impacto tanto sobre a vida de GLBT quanto sobre a vida de homens e mulheres heterossexuais, conjugando-se ao machismo ao ditar normas estereotipadas de comportamento masculino e feminino.

As lutas contra o racismo, o machismo e a homofobia não precisam se dar de modo isolado, até porque não se trata de problemas que afetam isoladamente a um único ator social. Todos/as sofremos impactos negativos a partir dessas formas de opressão e, se olharmos para a história pessoal de cada um de nós, certamente encontraremos motivos para nos colocarmos na luta para que preconceitos não sejam causa de sofrimentos e violações aos direitos humanos.

É no intuito de gerar essa reflexão coletiva sobre essas múltiplas formas de opressão que se entrelaçam na vida real que, nesse ano, nós da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo planejamos ações que têm como objetivo estimular um debate público sobre o preconceito e exigir providências. A Parada do Orgulho GLBT terá a maior campanha educativa já realizada na sua história: são banners, faixas, cartazes, camisetas e postais que procuram trazer uma concepção articulada sobre o racismo, o machismo e o preconceito contra GLBT.

Durante o próprio trajeto da Parada, os trios contra a homofobia, contra o machismo e contra o racismo têm a missão de visibilizar o tema. Esperamos, dessa forma, estimular que uma política de solidariedade entre movimentos e pessoas se sobreponha ao individualismo e à política das “gavetas” isoladas que vem se fortalecendo nos últimos anos. Também temos como horizonte que todos/as que sofrem o peso da desigualdade, qualquer que seja ela, possam se reconhecer na Parada e somar-se numa mesma luta. Imbuídos desse espírito convidamos todos/as a comparecerem à Paulista, em defesa de um outro mundo: um mundo em que diferença não seja sinônimo de desigualdade.

Informações: http://www.paradasp.org.br

Regina Facchini é Vice-presidente da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo

 


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