O Professor Alan Whiteside, da Health Economics and HIV/AIDS Research Division (HEARD) da University of Kwazulu-Natal e o Dr. Justin Parkhurst, da London School of Hygiene and Tropical Medicine (LSHTM) afirmam que se os modelos matemáticos demonstram que a ideia tem possibilidades, o próximo passo seriam campanhas nacionais com o intuito de testar as hipóteses.
O Professor Whiteside diz que a Suazilândia já está a considerar a ideia.
Os níveis de carga viral são mais elevados durante o período que decorre entre um mês a seis semanas após a infecção, antes de a resposta imunitária começar a controlar o vírus. As pessoas, nesta fase da infecção, podem ser responsáveis por cerca de 10 a 45% das novas infecções pelo VIH.
Impedir, pelo período de um mês, que um elevado número de pessoas recém-infectadas transmita o vírus, poderá actuar como uma “barreira contra o fogo”, do mesmo modo que, nas florestas, durante um incêndio florestal, as árvores são cortadas para cortar a progressão dos danos.
O Prof. Whiteside e o Dr. Parkhurst especulam que, para além da circuncisão masculina, uma das razões pelas quais as nações muçulmanas têm uma prevalência mais baixa do VIH é porque durante o mês de jejum do Ramadão espera-se que os crentes muçulmanos se abstenham de ter relações sexuais durante o dia.
Contudo, embora a conversão das pessoas a uma religião não seja uma estratégia prática de saúde pública, os autores chamam a atenção para os dias “livres de tabaco” propostos pela OMS e sugerem que campanhas – mesmo temporárias – podem reduzir o comportamento de risco entre a população.
O Professor Alan Whiteside afirma que “ao testemunhar o orgulho nacional e a unidade partilhada pelos cidadãos da África do Sul durante o Campeonato Mundial de Futebol, acredito que as mobilizações comunitárias podem resultar. Isto pode ser um caminho a seguir por algumas das comunidades mais afectadas. Este tipo de iniciativas pode dar aos países hiper-endémicos um resultado a curto prazo que é custo-eficaz, fácil de monitorizar e que não cria nenhum estigma adicional”.
“É difícil mudar, permanentemente, o comportamento das pessoas mas, quando as comunidades são mobilizadas para agir em conjunto, não é impossível imaginar períodos regulares de mudança de comportamentos partilhados por comunidades inteiras, ou mesmo, por países.
A evidência demonstra que se todas as pessoas o fizessem em simultâneo, teria um efeito protector muito superior do que se as pessoas o tentassem fazer de modo isolado. É claro que um esforço deste tipo deverá ser desenhado para contextos e culturas locais, mas isto fornece outra estratégia potencial na resposta para o VIH” afirma Justin Parkhurst.
Os autores sublinham que um mês de “sexo seguro/abstinência sexual” pode também facilmente produzir dados verificáveis no que diz respeito à adesão, evidenciada pelo número de nascimentos ocorridos nove meses após a campanha.
“À luz das contínuas taxas elevadas de incidência existentes na África do Sul, podemos descobrir que este novo tipo de ideia para fazer frente à epidemia, oferece uma oportunidade real na área da prevenção”, acrescentou Whiteside.
Sugerem que a ideia poderia ser adaptada para diferentes populações, dependendo da epidemia. Entre os mineiros da África do Sul, por exemplo “um mês de abstinência sexual com trabalhadores do sexo comercial poderá ser mais apropriado. Em outros contextos, poderá valer a pena tentar promover o sexo seguro durante um mês”.
“Para alguns, a monogamia contínua poderá ser um desafio a longo prazo, mas “ser monogâmico durante um mês” pode ser um bom ponto de partida… Em países hiper-endémicos os decisores, as populações e os políticos estão abertos a novas ideias para controlar a epidemia”, concluem os autores.
Referência
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