Uma equipa internacional de investigadores desenvolveu um modelo para prever o risco de morte durante o primeiro ano de terapêutica para o VIH em doentes africanos.
O primeiro modelo inclui a contagem de células CD4, mas, devido ao custo, este teste raramente se encontra disponível em contextos desfavorecidos. Assim, no segundo modelo, a contagem de células CD4 foi substituída pela contagem de linfócitos totais e pela medição da hemoglobina.
Ambos os modelos eram igualmente fiáveis a prever o risco de mortalidade dos doentes no primeiro ano de terapêutica anti-retroviral.
Os investigadores detectaram uma taxa de mortalidade de 8% nos primeiros doze meses de tratamento e afirmaram: “os nossos modelos predizem que a mortalidade é substancialmente mais alta para os doentes da África Subsaariana do que nos países desenvolvidos”, acrescentaram ainda, “o prognóstico de muitos doentes melhoraria com o início atempado da TARc [terapêutica anti-retroviral de combinação].”
O acesso à terapêutica anti-retroviral está a aumentar em muitos contextos de recursos limitados. Todavia, ao contrário dos países com mais recursos, não existem modelos que prevejam o prognóstico dos doentes que iniciam este tratamento. O desenvolvimento destas ferramentas pode ajudar a decidir quais os doentes que beneficiariam da terapêutica e também a identificar os marcadores iniciais e laboratoriais que estão associados a esse resultado.
Os investigadores analisaram então os dados de quatro coortes da África subsaariana. Duas eram da África do Sul, uma do Malawi e uma da Costa do Marfim. Todas incluíam doentes que tinham iniciado a terapêutica anti-retroviral entre 2004 e 2007.
Os doentes da coorte sul-africana eram elegíveis para iniciar o tratamento para o VIH se tivessem uma contagem de células CD4 inferior a 200 /mm3 ou o estádio 4 de doença definido pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Os doentes nas outras coortes seriam elegíveis para o tratamento se a sua contagem de células CD4 fosse inferior a 200/mm3 ou se estivessem no estádio 3 de doença definido pela OMS.
Para prever o risco de mortalidade nos doentes a iniciar tratamento durante os primeiros doze meses foram introduzidos dados iniciais, em dois modelos, dos 10 331 doentes incluídos nas coortes e que são seguidos.
O primeiro modelo incluía a contagem de células CD4, estádio clínico, peso, idade e sexo.
Porém, as pressões financeiras indicam que não é possível utilizar a contagem de células CD4 nestes contextos. Assim sendo, esta variável foi substituída no segundo modelo, pela contagem de linfócitos totais e da hemoglobina. Outras pesquisas demonstraram que estes poderiam prever quais os doentes infectados pelo VIH que teriam risco de mortalidade aumentada.
Os doentes estavam em más condições de saúde quando iniciaram o tratamento, o que era consistente com os critérios de elegibilidade para iniciar o tratamento para a infecção pelo VIH, em contextos de recursos limitados.
No total, 85% foi classificado como estando num estádio avançado de doença pelo VIH, sendo a contagem média de CD4 de 111 cél./mm3. A média da contagem de linfócitos totais foi de 1394 cél./mm3 e a hemoglobina média foi de 6,5 mmol/l.
A contagem média de células CD4 foi de 117 /mm3 nos doentes que estavam vivos ao final de doze meses, e 50 cél./mm3 para os que faleceram.
Em ambos os modelos, a idade acima dos 40 anos, sexo masculino, peso baixo e doença pelo VIH avançada estavam significativamente associados ao aumento do risco de morte durante o primeiro ano de tratamento.
A mortalidade estava fortemente associada com a contagem inicial de células CD4 e era 79% mais baixa para os que tinham uma contagem acima das 200 células/mm3, do que para os que tinham uma contagem abaixo das 25 cél./mm3 (ratio de perigo ajustado [RPA]= 0,21; 95% IC, 0,17-0,27).
Da mesma forma, uma contagem de linfócitos totais baixa e presença de anemia moderada ou severa aumentava o risco de morte.
Os investigadores descobriram que tanto o modelo dos CD4, como o dos linfócitos/anemia eram igualmente fiáveis ao prever os riscos de mortalidade.
No modelo dos CD4 a probabilidade de morte durante um ano situava-se entre 0,9% para os que tinham as contagens mais altas de células CD4, e melhor estado clínico, até 52,5% para os que tinham células imunitárias mais fracas e uma condição de saúde inicial pior.
O risco de mortalidade no segundo modelo variava entre 0,9% e 59,6%.
“Ambos os modelos prevêem mortalidade precoce em doentes a iniciar TARc na África Subsaariana quando comparado com os dados observados”, comentaram os investigadores.
Medir a hemoglobina pode ser um bom guia de prognóstico, conforme afirmaram os autores do estudo, “a anemia na infecção pelo VIH pode ser uma manifestação de doença crónica, infecções na medula óssea ou de fármacos mielossupressivos.”
A contagem total de linfócitos é um bom prognóstico devido “à sua correlação com a contagem de células CD4.”
Apesar de os investigadores não incluírem a carga viral no seu modelo, sugerem que “as alterações de peso reflectem alterações na taxa de replicação viral.” Alem disso, a perda de peso pode indicar a presença de infecções graves.
As taxas de mortalidade mais baixas nas mulheres do que nos homens podem ser explicadas pelo facto de estas serem mais novas e terem iniciado o tratamento mais cedo que os homens.
“O aumento de estratégias de saúde pública que permitam acesso à terapêutica mais cedo na África subsaariana é urgente”, concluem os investigadores.
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