Início Categoria Padrão A gravidez com menos ansiedade 28/11/2009

A gravidez com menos ansiedade 28/11/2009

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Hilton Cardim: “A mulher precisa de suporte emocional para engravidar”

 

Um em cada seis casais enfrenta dificuldades para engravidar. Os níveis de ansiedade e depressão causados são comparáveis aos das pessoas que sofrem de câncer ou AIDS.

 

 

A orientação do senso comum de que basta não pensar na gravidez para que a fertilização ocorra aumenta a pressão que já corrói as esperanças de mulheres com mais de 35 anos, o maior público que peregrina pelas clínicas de fertilização em busca de tratamento para realizar o sonho de uma vida: ter um filho.

 

 

“Vencendo a dificuldade de engravidar”, de Hilton José Pereira Cardim, livro publicado pela editora Cultrix e lançado na sexta-feira em Maringá, explica a fertilidade feminina, apresenta as maneiras disponíveis pela Medicina para melhorá-la e orienta as mulheres a vencer a ansiedade por meio da acupuntura, ioga e meditação.

 

 

Com 15 anos de atuação em reprodução assistida, Cardim é graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, com mestrado e doutorado em Ginecologia e Obstetrícia pela mesma instituição. Especialista em reprodução humana, o médico é professor associado do Departamento de Medicina da Universidade Estadual de Maringá (UEM), membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida e Sociedade Europeia de Reprodução Humana, entre outros. “Vejo a infertilidade como um problema não só orgânico, mas emocional”.

 

 

Abaixo, os principais trechos da entrevista concedida a O Diário.

 

 

 

O Diário – Por que o senhor decidiu publicar o livro?

 

 

Hilton Cardim – No consultório, esse é um problema que eu reconheço ter cultivado durante toda a minha carreira, focamos a parte técnica. Que exames o paciente deve fazer, quais medicamentos deve tomar, como acompanhar a ovulação. Eu vejo a infertilidade como um problema não só orgânico, mas emocional.

 

 

Não estou querendo dizer que o emocional leva à infertilidade, ao contrário. É muito mais comum a infertilidade levar ao problema emocional. Mas não podemos esquecer essa parte. Cada pessoa reage de uma forma, mas sempre haverá um grau de ansiedade e até de depressão. Há estudos que chegam a comparar ao mesmo grau de ansiedade e depressão sofrido por um paciente com AIDS ou câncer.

 

 

Eu ficava muito intrigado tentando entender por que uma mulher que tenta engravidar sofre tanto. Não conseguia explicação, mas agora encontrei.

 

 

E qual é?

 

 

Faz parte do instinto. Primeiro, sobreviver. Depois, reproduzir e procriar. A sensação ou a ideia de que nunca vai poder ter filhos passa a ser tão desesperadora quanto à certeza de que algo irá lhe matar em pouco tempo.

 

 

Comparo a luta de uma paciente com infertilidade como a de alguém que tem um revólver apontado para a cabeça ou com quem está se afogando. É uma relação de luta e fuga, é o mesmo grau de estresse que leva a qualquer coisa para tentar vencer essa dificuldade.

 

 

Nessa situação, racionalizar fica em segundo plano?

 

 

Sim, porque o aspecto emocional fala mais alto. Essa mulher precisa de suporte. O mais comum é ela ouvir “quando você esquecer, vai engravidar”. Mas como esquecer? É semelhante a te pedir para nunca pensar em um elefante andando de patins. Qual é a primeira ideia que vem à cabeça?

 

 

O elefante andando de patins.

 

 

Exatamente. Quanto mais a pessoa coloca na cabeça que tem de esquecer, mais martiriza a ideia. O objetivo do livro é justamente trazer técnicas que ajudem a acalmar a mente – acupuntura, ioga, meditação, grupos de pacientes.

 

 

Não que isso aumente a taxa de sucesso da gravidez, mas vai devolver a vida, a tranquilidade, a paz de espírito ao casal.

 

 

Qual é a origem da dificuldade de engravidar que atinge cerca de 20% dos casais?

 

 

A mulher deixa para engravidar cada vez mais tarde, em função da carreira profissional. Faz graduação, pós-graduação. Quando casa ajuda o marido a construir o patrimônio e só depois pensa em ter filhos. O que acontece? Os óvulos são formados desde que a mulher é um embrião no ventre da mãe. O processo de formação fica estacionado durante anos.

 

 

Assim, os óvulos que são gerados tardiamente apresentam mais problemas e dificultam a gravidez. Além disso, o próprio estresse contribui, bem como a endometriose, doença muito frequente em mulheres que não conseguem engravidar e os fatores masculinos.

 

 

A dificuldade feminina é maior do que a masculina?

 

 

Eu diria que 40% é exclusivamente feminina, 30% exclusivamente masculina, 20% dos dois e 10% têm causa desconhecida. O homem está envolvido em 50% dos casos e é importante que seja investigado sempre.

 

 

Como se dá a queda da fertilidade no homem?

 

 

De maneira mais lenta e tardia. A fertilidade masculina só começa a cair a partir dos 55 anos, mas alguns estudos mostram que pode ser a partir dos 65 anos. É uma diferença fundamental.

 

 

O espermatozóide é formado todo dia, ao passo que o óvulo de uma mulher de 35 anos liberado hoje iniciou a formação há 35 anos. A queda da fertilidade feminina é muito mais acentuada a partir dos 35 anos e a partir dos 38, despenca.

 

 

Qual é a idade mais frequente da mulher que busca tratamento e em que condições ela se encontra?

 

 

Em média, ela tem 35 anos, vem acompanhada pelo marido, e chega ansiosa, com um certo grau de melancolia.

 

 

E o homem?

 

 

Ele tem uma atitude mais tranquila, até para tentar confortar a esposa. Talvez esse seja o principal papel dele na relação. Esse comportamento irrita algumas mulheres, porque parece que o marido não deseja a gravidez tanto quanto elas.

 

 

O senhor já passou pela experiência de assistir um casal que se separou por não conseguir engravidar depois do tratamento?

 

 

Sim, várias vezes. Por isso, o suporte psicológico é importante. A maior resistência em aceitar a impossibilidade de gerar um filho é da mulher?

 

Aparentemente, para o homem a ideia não é tão difícil. Muitos homens confundem fertilidade com virilidade, que são muito distintas, o que cria obstáculos para o homem colher o exame.

 

 

Qual é o valor do tratamento?

 

 

Depende do problema. Algumas pacientes só precisam de um comprimido para ovular. Nestes casos a solução pode custar R$ 20. Quem precisa da fertilização in vitro pode gastar entre R$ 12 e R$ 15 mil, incluindo a medicação.

 

 

Qual é a taxa de sucesso da fertilização?

 

 

Cerca de 15% dos casais submetidos à fertilização in vitro têm sucesso. O fator determinante é a idade da mulher. Temos taxas que chegam a 50% e, às vezes, a 70% em mulheres com menos de 35 anos de idade e de 10%, em média, nas com mais de 40 anos. Se pegarmos todas, a taxa gira em torno de 40%.

 

 

Qual é o sinal de que o casal enfrenta dificuldade para engravidar?

 

 

Um ano de tentativas sem sucesso. A partir daí, começamos a investigar. Às vezes, investigamos antes. Quando a mulher não menstrua significa que ela não está ovulando, então não podemos esperar muito tempo. A regra é menstruar 14 dias depois de ovular.

 

 

 

DCI ONLINE-SP

Editoria: Pág. Dia / Mês/Ano:

29/NOVEMBRO/09


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