Início Ação Anti AIDS A mulher com HIV pode receber terapia oral anovulatória?

A mulher com HIV pode receber terapia oral anovulatória?

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A mulher com HIV pode receber terapia oral anovulatória?

 

O aumento da infecção pelo HIV em mulheres na idade reprodutiva acarreta um aumento da transmissão vertical do vírus, já que a taxa de fertilidade nestas mulheres parece não ser significativamente diferente da encontrada em mulheres HIV-negativas.

A maioria das discussões na escolha de métodos contraceptivos em mulheres HIV-positivas tem sido direcionada para os métodos de barreira, principalmente no uso de camisinha, que quando utilizado de forma correta e consistente permite proteção adicional contra a transmissão do vírus. Porém, sua ação como contraceptivo parece ser inferior à utilização de outros métodos, como por exemplo os anticoncepcionais orais (ACO). Deve-se pesar então o risco de transmissão do HIV e de concepção para decidir quando usar técnicas de barreira, outro método ou a associação dos dois.

A escolha do método contraceptivo deve levar em conta a eficácia não do mesmo em evitar a gestação, impedir a transmissão do HIV, atuar no curso natural da doença, piorando a imunossupressão ou acelerando a progressão para a AIDS, potencial interação do método com drogas utilizadas na infecção pelo HIV e a possibilidade de uso associado ao preservativo.

Existem vários fatores que levam a mulher HIV-positiva a escolher o ACO como método contraceptivo entre eles a experiência prévia satisfatória com o método, ou ainda o desejo de experimentar novos métodos.

O ACO apresenta considerável proteção contra câncer de endométrio, câncer de ovário, doenças benignas da mama e dismenorréia. É de significativa importância nas pacientes HIV-positivas a perda sangüínea regular e em menor quantidade, conseqüente ao uso de ACO, principalmente se utilizadas formulações que contenham derivados estrogênicos e progestogênicos, pois além, de diminuir a possibilidade de contato do parceiro com sangue menstrual rico em linfócitos e macrófagos, ocorre também um menor índice de anemia ferropriva. Além disso, o ACO possibilita a volta à acidez vaginal mais rápida após a menstruação curta, favorecendo assim uma proteção natural no meio vaginal.

A proteção do ACO à doença inflamatória pélvica (DIP) pode ser explicada pelo espessamento do muco endocervical, através da ação da progesterona. Tal fato impede a progressão dos agentes patogênicos do trato genital inferior para o superior. Parece que mulheres que utilizam ACO têm alteração na função imunológica que impedem lesão tubária e, conseqüentemente, apresentam menores índices de gestação ectópica.

Os estudos, até o presente momento, são contraditórios sobre a ação de hormônios reprodutivos no sistema imune, particularmente para os estrogênios que, segundo alguns autores, promovem aumento na resposta imune e, segundo outros, a diminuição desta. Os níveis aumentados de progesterona na gestação têm demonstrado estarem associados a resposta imune mais fraca contra algumas infecções virais e diminuição da resposta dos linfócitos T. A progesterona inibe a transformação de linfócitos T induzida por antígenos. além de aumentar a atividade de linfócitos T supressores. É descrita diminuição de até 50% na resposta de linfócitos T em usuárias de ACO oral por longa duração.

Os ACO facilitam a instalação de ectopia (exposição do epitélio colunar endocervical, vulnerável a traumas, ao meio vaginal hostil), que por sua vez é responsável pela proliferação de agentes sexualmente transmissíveis como Neisseria gonohrroeae e Chlamydia trachomatis. É reconhecido que qualquer DST, ulcerativa ou não, pode facilitar a transmissão do HIV.

Alguns estudos sugerem que os ACO podem influenciar a fármaco – cinética de outras drogas. Parece ocorrer aumento do bolismo e inativação da morfina, aumento dos efeitos colaterais dos antidepressivos tricíclicos. Pode ocorrer diminuição da eficácia dos ACO quando da utilização de rifampicina e tetraciclina. Até o momento não foi descrita nenhuma interação entre zidovudina (AZT) e ACO.

Os efeitos adversos dos ACO em mulheres HIV-positivas são ainda inconclusivos. Há necessidade de pesquisas prospectivas envolvendo um número grande de mulheres HIV positivas utilizando ACO por longa duração. Devem ser realizadas pesquisas de biologia básica dirigidas, principalmente, ao estudo da imunidade local e geral do trato genital feminino, das mudanças fisiológicas que ocorrem durante o ciclo menstrual e da provável ação dos ACO nesses mecanismos.

A proteção contra uma gestação não desejada e a transmissão do HIV podem requerer a utilização de dois métodos. Para tanto é necessário uma alta motivação do casal.

As informações atuais não são suficientes para contra-indicar o uso de ACO em mulheres HIV-positivas, desde que não haja qualquer outra contra-indicação para o uso de terapia hormonal, ou estado de imunossupressão importante. por outro lado, é importante ressaltar que o uso de contraceptivo hormonal não protege contra a transmissibilidade do HIV


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