A OIT e Alice, lentes cor de rosa
Estou entregando esta nova versão, que é definitiva, deste site com a sensação de quem cumpre bem um dever.
Em nove anos foram mais de 2.500.000 visitas.
Em maio de 2009 foram aproximadamente 50.000 visitas.
Mas esta sensação de dever cumprido é relativa, pois o que eu mais queria era ter fundado uma ONG que visasse recolocar portadores de HIV no mercado de trabalho formal.
Infelizmente, por “n” razões, eu não logrei êxito nesta proposta…
Segundo uma amiga, que está fazendo uma monografia baseada neste tema, a OIT (Organização Internacional do Trabalho) considera-se satisfeita com o quadro vigente.
A OIT acredita que os empregadores devem empregar e dar amplo tempo, o tempo necessário, para médicos, exames, condutas.
A OIT vê o mundo através das mesmas lentes com as quais Alice via o País das Maravilhas…
É óbvio, e basta se colocar no lugar do empregador, que um funcionário que se ausenta duas, três, e às vezes quatros vezes por mês para procedimentos médicos será sempre visto como um funcionário problemático, alvo primário de qualquer corte de pessoal num momento de crise maior ou menor.
Para que o empregador mantenha estes funcionários é necessário que Governos abram mão de suas partes no botim e dêem incentivos fiscais para quem empregue portadores de HIV ou doentes de AIDS.
No Brasil, manter um funcionário dentro da formalidade custa quase que dois funcionários em termos de encargos trabalhistas.
Abrir mão destes encargos seria uma boa idéia!
Analisemos.
O portador desempregado não consome. Não arrecada ICMS e IPI.
Torna-se “um peso” para a família.
Sente-se deprimido.
A ele é negada a aposentadoria porque com os tratamentos atuais a sobrevida é longa e a capacidade para o trabalho existe.
Por outro lado, negam-nos a oportunidade de trabalhar.
Estamos desamparados pelas leis e acabamos por nos tornar deficientes sociais, sem proteção alguma do Estado, senão a da medicação.
Mas nossas vidas não podem ficar resumidas a caixas de remédios e picadas de agulhas em hospitais.
Como quaisquer cidadãos, temos direito a sonhar, a ter aspirações, a fazer planos a, simplesmente, poder tomar um refrigerante no bar da esquina com nosso próprio dinheiro, coisa que nem sempre é possível.
Existe uma lei que obriga empresas com mais de cem funcionários a manterem um determinado percentual de pessoas com deficiências físicas e/ou sensórias em seus quadros de trabalho.
Esta lei não alcança os soropositivos.
Estamos à margem da sociedade e, parece-me, todos estão muito satisfeitos com isso, pouco se importando com nossos direitos.
Naturalmente, há exceções e não quero generalizar.
Mas a imensa maioria nega-nos tudo e, mais, nos persegue covardemente.
É, a minha sensação de dever cumprido é relativa e vaga, ainda há muito por fazer…
Cláudio Santos de Souza
Editor de Soropositivo.Org
+55 11 9528 5170
cau@soropositivo.org
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