A perda de tecido ósseo, após o início da menopausa, pode colocar as mulheres que vivem com VIH em situações de risco para fracturas

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Kelly Safreed-Harmon

Após a menopausa as mulheres que vivem com VIH, podem correr um maior risco de vir a ter uma fractura devido à baixa densidade mineral óssea (DMO ou BMD, em inglês), de acordo com um estudo publicado no The Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism.

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O artigo relata diferenças significativas observadas por investigadores norte-americanos, que compararam mulheres hispânicas e afro-americanas seronegativas e seropositivas para a infecção pelo VIH, em menopausa

A coorte composta por mulheres seropositivas teve valores mais baixos de DMO em comparação com a coorte composta por mulheres seronegativas, parecendo mostrar ainda variações mais rápidas de alterações metabólicas no tecido ósseo.

Com uma população crescente de pessoas seropositivas na faixa etária dos 50 anos ou mais, há uma necessidade cada vez maior de compreender a interacção entre o VIH e as doenças relacionadas com a idade.

Com o envelhecimento, tanto as mulheres como os homens perdem densidade mineral óssea, contudo, as mulheres encontram-se em maior risco de desenvolver osteoporose. Uma das razões é a diminuição da produção de estrogénio após a menopausa. Os elevados níveis de estrogénio, presentes quando se é mais jovem, têm um efeito protector dos ossos.

O recente estudo norte-americano contou com a participação de 108 mulheres seronegativas e 110 seropositivas para o VIH em período de pós-menopausa, com idade superior a 40 anos, todas elas hispânicas ou afro-americanas. As mulheres eram seguidas em duas clínicas de Nova Iorque. Aproximadamente, quatro quintos das mulheres seropositivas para o VIH tomavam terapêutica anti-retroviral, com 28% em regime com inibidores da transcriptase reversa análogos não-nucleósidos e 39% em regimes de inibidores da protease.

Após efectuar os ajustes para idade, etnia e índice de massa corporal (IMC), os investigadores concluíram que as mulheres seropositivas para o VIH tinham uma DMO da coluna lombar (lower lumbar spine – LS) 4,5% menor do que as mulheres seronegativas para a infecção (p = 0,04). Havia também tendências não significativas em relação à DMO total da anca (TH) e à DMO do rádio do braço não dominante.

Mais mulheres seropositivas para o VIH do que as seronegativas tinham valores de T-score abaixo de -1,0 (78% vs 64% em LS; 45% vs 29% em TH; e 64% vs 46% no colo do fémur [FN, em inglês], todas p < 0,05). Após ajuste do IMC, as mulheres seropositivas para o VIH também tinham valores de Z-score significativamente menores no LS, TH e FN.

Os valores de T-score são uma medida amplamente utilizada para avaliar como varia a densidade óssea de uma pessoa a partir da densidade descrita em pessoas jovens saudáveis com a diferença descrita em unidades de desvio padrão em relação à média. Os Z-scores são baseados em comparações da densidade óssea em pessoas da mesma idade, género e peso.

A DMO, e os valores de T-score e Z-score encontrados em mulheres seropositivas para a infecção pelo VIH a fazer terapêutica anti-retroviral (TARV) foram comparáveis aos daquelas que não estavam sob TARV.

O tecido ósseo é destruído e substituído continuamente e o desgaste ósseo ocorre quando a perda supera a formação de tecido. O processo metabólico de renovação do tecido ósseo pode ser assinalado por biomarcadores conhecidos como marcadores de formação e reabsorção óssea (BTMs, em inglês).

Quando os investigadores compararam o número de BTM nas duas coortes, concluíram que alguns BTMs divergiam significativamente de acordo com o estatuto serológico positivo para a infecção pelo VIH. As mulheres seropositivas tinham níveis mais elevados de telopeptídeos N e telopeptídeos C, dois subprodutos de destruição óssea em comparação com as mulheres seronegativas.

As mulheres seropositivas tinham também níveis elevados de serum TNFα, uma proteína que afecta o metabolismo ósseo.

Após efectuar os controlos relativos à idade, IMC, raça e consumo de álcool, os investigadores concluíram que o estatuto serológico positivo para o VIH era um indicador preditivo independente de DMO no LS e TH.

Análises adicionais sugerem que a rápida degradação óssea e os elevados níveis de TNFα e interleucina-6 podem ser factores mediadores do desgaste ósseo relacionado com o VIH.

A DMO não foi relacionada com a contagem de células CD4, níveis plasmáticos de ARN do VIH-1, critérios de SIDA, período de tempo sob terapêutica anti-retroviral ou classe de medicamentos.

Outras pessoas sugeriram que o generalizado menor peso das pessoas seropositivas para o VIH estava fortemente relacionado com os níveis de DMO. Os autores do estudo questionam esta interpretação, após terem observado que a DMO permanece baixa após ajustar o IMC.

“Importante é que o baixo peso é um factor de risco poderoso para a fractura osteopática”, comentam. “Assim, o facto de a DMO ser menor em pessoas que vivem com VIH tem relevância clínica, seja ou não directamente atribuível ao VIH ou mediado indirectamente pelo efeitos do VIH no peso ou noutros parâmetros”.

Outros estudos encontraram baixas DMO em pessoas que vivem com VIH, mas a maioria destes estudos centraram-se em coortes jovens. É plausível que, tanto a infecção pelo VIH como a terapêutica anti-retroviral possam ter efeitos prejudiciais sobre a saúde óssea. Os autores notam que a DMO normalmente desce nos primeiros dois anos após o início do tratamento anti-retroviral, e depois normaliza.

z-score, o desvio padrão acima ou abaixo da media para a idade, sexo e etnia

t-score, o desvio padrão acima ou abaixo da media para um adulto saudável de 30 anos do mesmo sexo e etnia

Referência

Yin MT et al. Low bone mass and high bone turnover in postmenopausal HIV-infected women. J Clin Endocrinol Metab (advance online publication, January 2010) doi:10.1210/jc.2009-0708.

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