Abuso Sexual a menores: Oportunidade perdida pela Igreja

A segunda etapa tem a ver com o fato de tratar o abuso sexual como um pecado: exigir o arrependimento e a promessa de reforma. Afinal, somos uma Igreja do perdão. Pensou-se que, se o sacerdote fosse afastado da “tentação”, indo para outra paróquia, o problema estaria resolvido. Em vez disso, muitos sacerdotes encontraram outras crianças para vitimar e abusar novamente. Em outras palavras, os bispos responderam ao sacerdote pastoralmente, mas ignoraram o risco para as crianças. A terceira foi lidar com o abuso como um problema psicológico que pudesse ser curado. Os sacerdotes foram enviados para aconselhamento e terapia. Psicólogos incompetentes asseguraram aos bispos que eles poderiam curar os sacerdotes. Eles argumentaram que era essencial, se o processo de terapia fosse dar certo, que os sacerdotes tivessem a chance de voltar ao ministério. Eles tentaram imitar o modelo bem-sucedido de tratar sacerdotes alcoólatras. Muitos sacerdotes, de fato, pararam de abusar, mas ninguém podia dizer com certeza quais sacerdotes eram confiáveis e quais não eram confiáveis. Embora uma taxa de reincidência de 10% pode ser considerada como um êxito extraordinário no sistema de justiça criminal, ela não é boa o suficiente quando falamos de colocar crianças em risco. Tolerância zero é a única opção segura. Ao mesmo tempo em que a Igreja estava respondendo inadequadamente aos sacerdotes, ela também estava respondendo inadequadamente às vítimas em pelo menos três maneiras. O primeiro erro foi ver as vítimas como um problema financeiro. Temendo prejuízos financeiros enormes, os bispos ouviram os advogados e companhias de seguros, que ameaçaram não pagar a diocese a menos que a diocese seguisse as suas estratégias legais. Esses temores eram reais, como se pode ver pelos bilhões pagos em indenizações e pelas 11 dioceses que tiveram que entrar em falência. Infelizmente, enquanto alguns veem esses pagamentos como forma de punir os bispos, na verdade, eles só puniram os doadores diocesanos e as pessoas que podiam ter sido ajudadas com esse dinheiro. Nenhum bispo jamais ficou sem uma refeição por causa de pagamentos. Mas, novamente, a incompetente assessoria jurídica piorou as coisas. “Não fale com a vítima. Não se desculpe. Bloqueie. Encubra tudo. Ataque a credibilidade da vítima.” Muitas vítimas de abuso sexual a menores – que teriam resolvido tudo com um pedido de desculpas, com ajuda na cobertura do custo da terapia, e a garantia de que outras crianças não seriam feridas – ficaram ainda mais furiosas pela forma que foram tratadas pela diocese. Elas procuraram advogados para processar. Relatório da ONU foi mal elaborado O relatório de 16 páginas da comissão da ONU é muito fácil de ser desconsiderado porque foi mal feito. Ele ainda disse que a Igreja deveria usar seu poder para fazer os pais católicos pararem de espancar seus filhos ou de não ouvi-los. Ao tocar em questões como aborto, controle de natalidade e homossexualidade, o relatório só colabora com aqueles na Igreja que se opõem a lidar com esta crise. O relatório será, sem dúvida, o golpe fatal de qualquer possibilidade de obter que a Convenção sobre os Direitos da Criança seja ratificada pelo senado dos EUA. Isso mesmo, a comissão estava repreendendo o Vaticano sobre uma convenção internacional que os EUA não ratificaram.
O Vaticano poderia ter argumentado legitimamente que, como signatário da convenção, só é responsável por fazer cumprir a convenção no território do estado da Cidade do Vaticano, onde as únicas crianças são os filhos de oficiais da Guarda Suíça. Embora essa resposta seria tecnicamente precisa, considerando o registro passado da Igreja, uma réplica desse tipo simplesmente não colaria. Tenho orgulho de trabalhar para um jornal que, desde meados da década de 1980, é o líder em expor essa crise na Igreja. Reconhecer melhorias não é desculpa para o passado, nem significa que uma vigilância contínua não é mais necessária. Eu fui enganado muitas vezes no passado por ter sido assegurado de que a Igreja tinha tudo sob controle. Medo levou a Igreja a cometer erros O segundo erro cometido pelo Vaticano foi enxergar o abuso como um escândalo. Bispos sabiam que os paroquianos ficariam chocados e horrorizados se descobrissem que seu sacerdote era um agressor. Os meios de comunicação iriam transmitir essas histórias por toda a diocese e talvez até mesmo por todo o país. Isso iria desafiar a fé das pessoas na bondade e na sabedoria do clero. Isso poderia reduzir doações. Mas, novamente, os bispos pioraram as coisas. Ao invés de expor tudo de uma vez só, as más notícias ficaram gotejando ao longo dos anos de modo que as pessoas eram constantemente lembradas da crise dos abusos. Toda vez que você pensava que tinha acabado, mais informações vinham à tona. Mesmo que a maioria dos casos fosse antiga, parecia que a igreja ainda não tinha se dado conta.
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