Descoberta da doença completa três décadas neste domingo (05) e ameaça se espalhar para os integrantes da terceira idade – grupo que voltou a ter vida social (e sexual) ativa e que não é adepto da CAMISINHA
Neste domingo (05) completa-se 30 anos de luta contra a AIDS.
Se, em seu início, a doença foi diagnosticada em um grupo de homossexuais, hoje ela é prova que não escolhe cor, condição social, escolha sexual e idade.
Aliás, é para este último quesito que se voltam as preocupações das autoridades de saúde: com o surgimento do Viagra e também com uma terceira idade mais ativa em todos os sentidos, as pessoas maiores de 60 anos se tornaram novo grupo de risco – e, o que é pior, se mostram despreparadas para o perigo.
“Em Bauru, nós não temos dados em relação à terceira idade, mas há um crescimento visível. Nesse grupo, não é natural usar PRESERVATIVO, é uma questão cultural”, explica a coordenadora administrativa da Sapab (Sociedade de Apoio à Pessoa com AIDS de Bauru), Márcia Pereira da Silva.
As novas oportunidades à terceira idade são grande estímulo à vida sexualmente ativa. “A vovó deixou de fazer tricô”, ressalta Márcia. “Hoje, tem muita coisa para o pessoal desse grupo: cruzeiros, bailes, viagens. O slogan da terceira idade foi muito para a publicidade”, completa.
Em relação ao sexo, a prevenção é que é difícil. “Na mulher, por exemplo, ela não tem poder de negociação quando o assunto é usar PRESERVATIVO. Isso acontece porque ela sempre acatou o que o homem impôs”, explicou a coordenadora.
As novas formas de divertimento para a terceira idade tiveram seu auge na primeira década dos anos 2000 e os números do Ministério da Saúde mostram o boom nos casos de AIDS de pessoas com mais de 60 anos.
Foram 744 casos notificados em 1999 e o auge do crescimento foi em 2009, ano que foram notificados 1.624 novos casos de pessoas com mais de 60 anos.
A médica infectologista do Programa Municipal de AIDS de Bauru, Renata Roledo Masotti Arcelis, conta que, antes, não se falava em AIDS em pessoas que estão na terceira idade. “Todo mundo achava que não havia a doença na terceira idade. Mas há: eles estão mais ativos e mais expostos. Tem pessoa que descobre a AIDS aos 70 anos.”
SERVIÇO / A AIDS em Bauru é tratada de maneira adequada, segundo Renata, mas o grande desafio ainda é a adesão das pessoas ao tratamento. O grupo mais vulnerável é o que faz sexo sem PRESERVATIVO e dentro de casa.
“Principalmente em relacionamentos longos, a pessoa tem pacto de fidelidade. Pessoas casadas dificilmente usam PRESERVATIVOS“, conta.
Apesar de haver o tratamento gratuito, ainda faltam profissionais. “Temos poucos médicos, falta infectologista… Mas isso não é problema no tratamento da AIDS e sim da saúde em geral”, explicou Renata.
A cidade conta com serviços municipais para tratamento e diagnóstico. No CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento), é feito exame e encaminhamento de pessoas com HIV para acompanhamento em outro órgão municipal, o CRMI (Centro de Referência de Moléstias Infecciosas). “Qualquer pessoa que teve algum tipo de vulnerabilidade pode procurar o CTA que vai ser acolhida por médicos e psicólogos”, alertou Renata.
Para Marilena, usar CAMISINHA é ‘ter respeito’
A aluna da Uati (Universidade Aberta à Terceira Idade) da USC (Universidade do Sagrado Coração), Marilena Berriel Joaquim, não revela a idade por vaidade, mas concorda que ainda há barreiras entre a terceira idade e a CAMISINHA.
“A minha geração não está acostumada a usar CAMISINHA. Além disso, ainda há a submissão por parte da mulher, que têm medo de o homem deixá-la por ser contrariado. Mas é o que eu falo sempre para minhas amigas: quem for transar e o homem não quiser usar CAMISINHA, tira o time de campo”, ressalta.
Viúva há 16 anos, Marilena estaria no grupo vulnerável à AIDS se não fosse uma exceção à regra – já que demonstra estar bem informada sobre a doença. “Eu vejo que as pessoas não estão preparadas. Elas casam cedo e, depois, querem resgatar algo que não tiveram e vão com muita sede ao pote”, analisou. “Se eu tivesse um parceiro hoje, com certeza, usaria CAMISINHA. Quem diz que não usa eu considero uma falta de consideração com o parceiro”, destaca. E reforça: “Usar CAMISINHA é ter respeito com o seu corpo e o do outro.”
Com bom humor, ela instrui as amigas e vê o sexo como algo normal. “Sexo é natural, mas a AIDS na terceira idade está aí e prevenir é a melhor forma”, destaca Marilena.
AIDS em Bauru
1.884
Pessoas notificadas em tratamento de 1987 até 2010
1.378
homens
506
mulheres
50
crianças (transmissão de mãe para bebê)
228
jovens de 13 a 24 anos
1.884
Pessoas notificadas em tratamento de 1987 até 2010
1.378
homens
506
mulheres
50
crianças (transmissão de mãe para bebê)
228
jovens de 13 a 24 anos
AIDS no Brasil
592.914
Pessoas notificadas de 1980 a 2010
385.818
Homens
207.080
Mulheres
19.203
Crianças até 12 anos
66.751
Jovens de 13 a 24 anos
15.601
Maiores de 60 anos
10.096
Homens
5.504
Mulheres
CRMI
Onde Rua Silvério São João, s/nº
Atendimento Segunda a sexta, das 7h às 17h (atendimento feito por meio de encaminhamento)
CTA
Onde: Rua 15 de novembro, 3-36
Atendimento: Segunda a sexta-feira, das 7h às 17h (os exames são feitos de segunda a quinta, por meio de agendamento)
Informações (14) 3234-2576
Sapab
Onde: Rua Célio Daibem, 3-8
Informações: (14) 3226-2002
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