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As armadilhas dos planos de saúde

As armadilhas dos planos de saúde:

Des­de 2007, 10 mi­lhões de bra­si­lei­ros con­tra­ta­ram pla­nos de saúde par­ti­cu­la­res que nem sem­pre en­tre­gam o que pro­me­tem. Por is­so, o go­ver­no pu­niu 268 de­les

Na­da pre­o­cu­pa mais os bra­si­lei­ros do que a saúde. Ao me­nos des­de 2008, a questão ocu­pa o pri­mei­ro lu­gar no ran­king das aflições na­ci­o­nais. à fren­te de as­sun­tos não me­nos tor­men­to­sos, co­mo edu­cação e se­gu­rança. As­sim, é na­tu­ral que, com a es­ta­bi­li­da­de da eco­no­mia e o au­men­to da ren­da da po­pu­lação, os bra­si­lei­ros te­nham saído em dis­pa­ra­da na bus­ca pe­la con­tra­tação de pla­nos de saúde par­ti­cu­la­res. Só nos últi­mos cin­co anos, 10 mi­lhões de pes­so­as fu­gi­ram do sis­te­ma públi­co pa­ra com­prar um pla­no pri­va­do. Ho­je, um em ca­da qua­tro bra­si­lei­ros tem um convênio par­ti­cu­lar – é um con­tin­gen­te de qua­se 50 mi­lhões de pes­so­as, o equi­va­len­te à po­pu­lação da Es­pa­nha.

Pa­ra res­pon­de­rem a es­sa gi­gan­tes­ca de­man­da, as ope­ra­do­ras de planos de saúde ti­ve­ram de se ade­quar ra­pi­da­men­te – e ho­je está cla­ro que, em al­guns ca­sos, elas se adap­ta­ram rápi­do de­mais. Na ten­ta­ti­va de aten­der à en­xur­ra­da de no­vos cli­en­tes, lançan­do pla­nos mais sim­ples e a preços mais acessíveis, mui­tas em­pre­sas aca­ba­ram afrou­xan­do a qua­li­da­de dos ser­viços. Um le­van­ta­men­to da As­so­ciação Bra­si­lei­ra de Me­di­ci­na de Gru­po com qua­se me­ta­de dos pla­nos do país cons­ta­tou que, en­tre 2009 e 2011, o núme­ro de cli­en­tes dos convêni­os par­ti­cu­la­res au­men­tou 13% (mais de 2 mi­lhões de pes­so­as), en­quan­to a quan­ti­da­de de médi­cos cre­den­ci­a­dos su­biu ape­nas 6% e a de lei­tos em hos­pi­tais, 3%. Não é pre­ci­so mui­ta ma­temáti­ca nem co­nhe­ci­men­to de cau­sa pa­ra adi­vi­nhar o que ocor­reu em se­gui­da: nes­ses dois anos. as re­cla­mações so­bre os ser­viços su­bi­ram 112%.

O de­sem­pe­nho do go­ver­no fe­de­ral no cam­po da saúde não é vis­to com bons olhos. Se­gun­do di­vul­gou o Da­ta­fo­lha no início des­te ano. qua­tro em ca­da dez bra­si­lei­ros con­si­de­ram que, nes­sa área, a gestão Dil­ma Rous­seff exi­be a sua pi­or per­for­man­ce. Ao me­nos nes­se ca­so, no en­tan­to, ela não es­pe­rou a si­tuação se tor­nar críti­ca pa­ra co­meçar a agir. Em fe­ve­rei­ro de 2011, o Mi­nistério da Saúde lançou um pro­gra­ma pa­ra mo­ni­to­rar o ser­viço ofe­re­ci­do pe­las em­pre­sas e pu­nir as que não cum­pri­rem me­tas míni­mas. Até então, ha­via ape­nas um índi­ce de qua­li­da­de dos pla­nos. que não pre­via sanção al­gu­ma pa­ra as ine­fi­ci­en­tes e, no máxi­mo, ser­via de bússo­la pa­ra os usuári­os.

Des­de o ano pas­sa­do, no en­tan­to, as em­pre­sas têm um pra­zo pa­ra mar­car con­sul­tas e obri­gações co­mo for­ne­cer ao usuário na ci­da­de em que ele com­prou o pla­no de saúde to­dos os ser­viços pre­vis­tos em con­tra­to. Mais im­por­tan­te: as re­cla­mações dos cli­en­tes pas­sa­ram a ser­vir de parâme­tro pa­ra as pu­nições, que vão des­de a proi­bição de ven­der no­vos pla­nos até. em ca­sos ex­tre­mos. a in­ter­venção do go­ver­no nas ad­mi­nis­tra­do­ras. De­pois de um período de adap­tação, o pri­mei­ro re­sul­ta­do práti­co veio à to­na na se­ma­na pas­sa­da. O go­ver­no di­vul­gou uma re­lação de 268 pla­nos de saúde. per­ten­cen­tes a 37 ope­ra­do­ras, que a par­tir de ago­ra estão im­pe­di­dos de atrair no­vos cli­en­tes. da­do que não de­mons­tra­ram ca­pa­ci­da­de de aten­der sa­tis­fa­to­ri­a­men­te os atu­ais. A próxi­ma ava­liação sai em ou­tu­bro. Os pla­nos que me­lho­ra­rem su­as ava­liações po­derão vol­tar a ven­der con­tra­tos. Os que man­ti­ve­rem a no­ta ruim es­tarão su­jei­tos a sanções mais drásti­cas, co­mo uma in­ter­venção. “É uma me­di­da pe­dagógi­ca. Quem não in­ves­tir pa­ra su­pe­rar seus pro­ble­mas con­ti­nu­ará so­fren­do pu­nições”, diz o Mi­nis­tro da Saúde, Ale­xan­dre Pa­di­lha.

A ofer­ta de no­vos pla­nos de saúde ho­je é vi­tal pa­ra o Bra­sil. “Se ela não exis­tis­se, ape­nas uma ínti­ma par­te da po­pu­lação con­ti­nu­a­ria ten­do aces­so a cer­tos tra­ta­men­tos”, afir­ma José Mar­cus Ro­ma, pre­si­den­te da So­ci­e­da­de Bra­si­lei­ra de Neu­ro­ci­rur­gia. “Mas é pre­ci­so en­con­trar um equilíbrio en­tre a saúde fi­nan­cei­ra dos pla­nos, a dos pa­ci­en­tes e as con­dições de tra­ba­lho dos médi­cos diz. Nes­te mo­men­to, o aper­to na fis­ca­li­zação às em­pre­sas se jus­ti­fi­ca. São mui­tas ain­da as zo­nas cin­zen­tas que per­mi­tem aos pla­nos di­fi­cul­tar a vi­da de seus cli­en­tes. Quei­xas de pro­ce­di­men­tos ne­ga­dos e ci­rur­gi­as atra­sa­das são as mais co­muns – o ti­po de dor de ca­beça que as pes­so­as pen­sa­ram que evi­ta­ri­am ao con­tra­tar um pla­no par­ti­cu­lar. A me­lhor saída, de acor­do com en­ti­da­des de de­fe­sa do con­su­mi­dor e ad­vo­ga­dos que atu­am na área. é re­cor­rer à Jus­tiça — o Pro­con-SP ad­mi­te que sua ta­xa de su­ces­so na re­so­lução des­se ti­po de ca­so é bai­xa. Um núme­ro cres­cen­te de bra­si­lei­ros está sa­cri­fi­can­do par­te do orçamen­to fa­mi­li­ar pa­ra ga­ran­tir um me­lhor aten­di­men­to na área de saúde. E jus­to exi­gir que os pres­ta­do­res des­se ser­viço cor­res­pon­dam ao es­forço. COM RE­POR­TA­GEM DE RA­FA­EL FOL­TRAM

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A CO­BER­TU­RA DO SER­VIÇO SU­MIU

O pa­ci­en­te es­co­lhe o pla­no em razão de sua pre­ferência por al­gum hos­pi­tal. Ocor­re que, pa­ra re­du­zir cus­tos, a em­pre­sa po­de cor­tar al­gu­mas das es­pe­ci­a­li­da­des dos hos­pi­tais sem ter de des­cre­den­ciá-los (o que exi­gi­ria au­to­ri­zação do go­ver­no) nem co­mu­ni­car o cli­en­te, que sai per­den­do. Se ele re­cor­rer à Jus­tiça, no en­tan­to, tem bo­as chan­ces de ga­nhar

PRO­CE­DI­MEN­TOS PROI­BI­DOS

O pla­no co­bre tra­ta­men­to de qui­mi­o­te­ra­pia, mas o médi­co in­di­ca uma for­ma mais avançada de pro­ce­di­men­to (me­nos agres­si­va, por ex­em­plo) que não está na lis­ta obri­gatória do go­ver­no. O pla­no cos­tu­ma ne­gar o pe­di­do, mas a Jus­tiça qua­se sem­pre or­de­na o aten­di­men­to.

BAR­REI­RAS PA­RA EXA­MES MAIS CA­ROS

Se o pa­ci­en­te pre­ci­sa de um exa­me mais so­fis­ti­ca­do, os pla­nos co­bram re­latóri­os mi­nu­ci­o­sos dos médi­cos, es­pe­ci­al­men­te quan­do um tes­te mais ba­ra­to te­ria função se­me­lhan­te. Por is­so, mui­tos médi­cos de­sis­tem de in­di­car exa­mes de al­ta tec­no­lo­gia

HOS­PI­TAL TRO­CA­DO

O cli­en­te tem di­rei­to a um de­ter­mi­na­do hos­pi­tal em seu pla­no, mas, quan­do ele é in­ter­na­do, a em­pre­sa po­de dar pre­ferência e até im­por a sua trans­ferência pa­ra uni­da­des própri­as do convênio pa­ra re­du­zir cus­tos. Se o con­su­mi­dor aci­o­nar a Jus­tiça, é qua­se cer­to que ga­nhe a cau­sa

DE­POIS DA CI­RUR­GIA, A CON­TA

Após o cli­en­te so­frer uma ci­rur­gia, o pla­no po­de ques­ti­o­nar o uso de al­guns me­di­ca­men­tos ou ma­te­ri­ais. Is­so ocor­re, por ex­em­plo, quan­do um remédio é da­do pa­ra pre­venção de da­nos (co­mo he­mor­ra­gi­as) ou o médi­co usou uma próte­se mais efi­ci­en­te – e mais ca­ra. O hos­pi­tal co­bra, então, do cli­en­te. Mas é o pla­no que de­ve pa­gar.

AU­TO­RI­ZAÇÃO EM CI­MA DA HO­RA

O cli­en­te pre­ci­sa pas­sar por uma ci­rur­gia, mar­ca a da­ta, mas o pla­no de saúde es­pe­ra até a últi­ma ho­ra pa­ra au­to­rizá-la. Só que, na véspe­ra da da­ta mar­ca­da pa­ra o pro­ce­di­men­to, o médi­co, sem a au­to­ri­zação, aca­ba por adiá-lo. Nes­se ca­so, uma li­mi­nar ob­ti­da na Jus­tiça po­de ga­ran­tir a re­a­li­zação da ci­rur­gia

LI­MI­TE PA­RA IN­TER­NAÇÃO

Al­guns con­tra­tos mais an­ti­gos impõem li­mi­te de tem­po pa­ra in­ter­nação em cer­tos hos­pi­tais, nor­mal­men­te os me­lho­res. A Jus­tiça já en­ten­deu que es­sa cláusu­la é abu­si­va.

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