Fátima, Santarém, 8 dez (Lusa) – O presidente da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), D. Lúcio Andrice Muandula, disse nesta terça-feira que a banalização da sexualidade e a falta de informação explicam a alta ocorrência de Aids no país.
“Penso que foi esta banalização que trouxe depois uma difusão muito grande no seio da juventude, mas também dos adultos, da Aids“, afirmou o religioso à Agência Lusa. Ele, porém, destacou que a doença “não vem só da promiscuidade sexual”, mas também da “falta de conhecimento da população”.
A taxa de infecção pela doença em Moçambique baixou um ponto percentual, para 15%, este ano, de acordo com dados anunciados no dia 1º pelo ministro moçambicano da Saúde, Ivo Garrido.
Segundo ele, a taxa de infecção por HIV–Aids em Moçambique, país com 20,2 milhões de habitantes, tende a estacionar no central (9%) e norte (18%), enquanto no sul (21%) a tendência é crescente.
As projeções do governo moçambicano indicam que, a curto prazo, a capital, Maputo, cuja taxa de infecção é estimada em 23%, deverá chegar a 29%, enquanto a província de Maputo, com 26%, poderá subir até 34%.
Em Fátima, onde participou de uma conferência sobre o ano sacerdotal e a importância da formação de seminaristas em Moçambique, uma organização da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, o bispo destacou que a Igreja tem “sempre insistido no discurso da não banalização da sexualidade humana”.
Mudança de mentalidade
Segundo ele, “até alguns anos atrás”, a questão da sexualidade era “tabu” no país, mas “as coisas mudaram com a globalização”. Dos meios de comunicação social, afirmou, “chegam informações que difundem, por exemplo, o uso do preservativo”.
“Em algumas escolas (os preservativos) distribuem-se gratuitamente”, observou o presidente da Conferência Episcopal de Moçambique, que esclareceu que, “naturalmente, os jovens, se têm nas mãos o preservativo e se lhes diz que evita todos os perigos, querem experimentar”.
Além da banalização da sexualidade, o responsável mencionou a “pouca informação” que leva as pessoas a tratar “esta doença no curandeiro quando não deve ser ali”.
“Qualquer doença em Moçambique, se é uma doença que não é passageira, que perdura, leva o homem a perguntar-se, como em toda a África, ‘porque é que eu estou doente’, de onde vem este mal e, normalmente, segundo os costumes tradicionais locais, é preciso consultar um curandeiro”, explicou o bispo.
Muandula disse que as pessoas recorrem aos curandeiros por acreditarem que algumas doenças podem “ser uma mensagem do antepassado” ou causadas “por um feiticeiro”.
O presidente da CEM citou exemplos de casos de “homens que vão trabalhar na África do Sul nas minas” e “regressam infectados”.
Negando “estarem verdadeiramente doentes ou terem Aids“, estes homens “convidam a família a ir ao curandeiro para saber do que é que se trata”, o que resulta na vacinação do homem e respectiva família com o mesmo objeto.
“A contaminação aumenta também por esta via”, garantiu, mencionando ainda razões de higiene, quando, por exemplo, se corta o cabelo.
Depois de assegurar que a Igreja católica tem “procurado ajudar, informando as pessoas sobre as vias da contaminação”, o religioso disse desconhecer casos de homens que violentam menores virgens, acreditando que, desta forma, se curam da doença.
“Nunca ouvi esta aberração”, garantiu, dizendo estar “admirado” com notícias que relatam estes casos.
AGÊNCIA LUSA |
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09/DEZEMBRO/09 |
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