Cerca de 72% dos motoristas do país usam álcool
O álcool provoca nova tragédia. Agora em Belo Horizonte. Um médico alcoolizado e descontrolado ao volante atropela e mata uma pessoa. Infelizmente, fatos como esse estão virando rotina. O Brasil é um dos países que mais consomem álcool no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Dados do Instituto Nacional de Políticas Públicas do Álcool e outras Drogas (Unifest) mostram que 22 milhões dos homens abusam do álcool e 12 milhões são alcoólatras (aumento de 30% em 10 anos), 8 milhões das mulheres abusam da bebida e 5 milhões são alcoólatras (expansão de 50% em uma década). As mulheres também bebem muito álcool, desconhecendo que nelas os efeitos da droga são ainda piores. Cerca de 30 milhões de brasileiros são bebedores de risco.
Pesquisa da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) mostra que 12,3% das pessoas com idade entre 12 e 65 anos no Brasil são dependentes de bebidas alcoólicas havendo aumento do consumo de álcool entre jovens com idade entre 12 e 17 anos. Dados alarmantes, que têm relação direta com o aumento dos índices de agressões, violência doméstica, crimes diversos, mortes no trânsito e doenças graves decorrentes do uso. A ingestão abusiva do álcool acarreta distorção visual e do equilíbrio, perda dos reflexos, confusão mental, agressividade e letargia, podendo induzir ao sexo desprotegido com contaminação de AIDS/DSTS ou à gravidez indesejada, com desfechos dramáticos. Associado ao volante, é de altíssimo risco. Cerca de 72% dos motoristas no país ingerem bebidas alcoólicas e 40% deles fazem uso de forma abusiva.
Com a Lei Seca, o uso rotineiro do bafômetro confirma o altíssimo consumo de bebidas pelos motoristas. Ela precisa ser aprimorada para reeducar e punir que dirige alcoolizado. Segundo o Ministério Público, cerca de 70% das ocorrências na Vara da Infância e Juventude têm o álcool e outras drogas ilícitas como ingredientes. Considerado uma droga lícita, a verdade é que o abuso do álcool se tornou um grave problema social, que tem como causas a facilidade para comprar bebidas alcoólicas e o fascínio das propagandas, que associam a droga à alegria, prazer e sensualidade. Isso leva os jovens a experimentar novos e perigosos hábitos. Mania entre os adolescentes, a bebida ice é uma mistura de destilados com sucos e refrigerantes, constituindo perigoso modismo mundial. O adocicado dá sensação de pouco álcool, leva ao consumo exagerado e ao vício facilmente. O que fazer?
Pesquisadores testam um medicamento para inibir o uso do álcool em bebedores de risco, porém, sem conclusão sobre a sua eficácia. Penso que prevenir é a solução. Com certeza, é necessário implantar urgentemente eficazes políticas públicas preventivas nas escolas e na mídia, para evitar o contato com a droga, que vicia e conscientizar os bebedores. Estampar nos rótulos de bebidas fotos com doentes e tragédias advindos do seu uso, a exemplo dos maços de cigarro? Adotar uma política enérgica contra a veiculação de propagandas de bebidas na mídia, especialmente na TV, além do maior controle na venda de bebidas alcoólicas. Com certeza, a mídia tem uma influência enorme nesse vício e, sem dúvida, poderá ter papel importantíssimo na prevenção desse gravíssimo problema social.
Vivina Rios Balbino – Psicóloga, mestre em educação, e professora universitária
ESTADO DE MINAS – MG |
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OPINIÃO |
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21/Setembro/09 |
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