A carga viral das pessoas infectadas recentemente pelo VIH apresenta uma relação estreita com a da pessoa que transmitiu o vírus, de acordo com um estudo norte-americano publicado na edição online da AIDS.
“Encontrámos uma forte correlação entre os níveis de RNA-VIH1 do parceiro fonte da infecção e do parceiro receptor”, referem os investigadores.
O estudo também permitiu perceber um pouco melhor alguns dos factores que contribuem para a manutenção da actividade da epidemia de VIH, como por exemplo, o facto de que cerca de dois terços dos indivíduos fonte que transmitiram o vírus tinham sido eles próprios infectados recentemente.
A carga viral nas fases mais precoces da infecção tem sido identificada como um factor com importância na progressão da doença, tendo os indivíduos com maior carga viral nesses estádios um prognóstico globalmente mais desfavorável.
A investigação sobre os factores que influenciam a carga viral na fase inicial da infecção tem-se, até aqui, centrado sobretudo nas características do indivíduo receptor. Desta feita, porém, um grupo de investigadores do UCSF Options Project quis explorar o impacto sobre a carga viral das características relacionadas com o vírus.
Foram por isso tentar determinar a relação entre a carga viral do doente fonte e do doente por ele infectado, em pares de parceiros devidamente identificados, numa investigação que envolveu 24 indivíduos receptores com evidência de infecção VIH recente.
Estes indivíduos forneceram informação sobre as pessoas que eles acreditavam terem sido a fonte de transmissão do VIH. Com o devido consentimento, essas pessoas foram contactadas pelos investigadores, e depois de terem concordado em participar no estudo, forneceram a sua história clínica da infecção (realização do teste, tratamentos, etc.) e realizaram diversas análises.
Deste modo foram identificados e incluídos no estudo um total de 23 indivíduos fonte (um deles havia transmitido o VIH a dois parceiros), num total de 47 indivíduos, todos homossexuais masculinos, tendo sido usada uma análise filogenética para confirmar a relação entre o vírus dos parceiros fonte e o vírus dos receptores.
Os indivíduos recentemente infectados apresentavam uma contagem de CD4s média de 528 células/mm3 e uma carga viral média de 86 332 cópias/ml.
Já nos indivíduos fonte a contagem de CD4s média era de 372 células/mm3 e a carga viral de 23 951 cópias/ml.
Refira-se que as características dos vírus de nove dos indivíduos transmissores revelavam que eles próprios haviam sido infectados há pouco tempo, facto que vem na linha das conclusões de outras investigações,, que sugerem que os indivíduos recém-infectados – e, por isso mesmo, geralmente indivíduos não diagnosticados – são de crucial importância na manutenção da epidemia do VIH.
Quatro dos transmissores tinham história de terapêutica ARV. Um deles tinha interrompido o tratamento ao fim de 3 meses, e outro pouco antes do início deste estudo. Nenhum tinha carga viral indetectável: esta variava entre as 6 776 e as 137 000 cópias/ml.
A análise posterior mostrou que as cargas virais dos doentes transmissores e dos doentes infectados apresentavam uma correlação estreita (p = 0.009).
Assim, a carga viral do parceiro recém-infectado aumentava em cerca de 0.43 log10 por cada log10 de aumento na carga viral do transmissor.
Em seguida, os investigadores conduziram uma análise para ver se esta relação se mantinha ao longo do tempo, um estudo que restringiram aos parceiros receptores que não haviam começado terapêutica ARV, tendo chegado à conclusão de que ao fim de 48 semanas existia uma correlação significativa entre a carga viral dos transmissores e a dos receptores.
Refira-se, ainda, que o ajustamento entretanto feito para outros factores potencialmente perturbadores do resultado – como a idade, raça e outras características virais – não afectou estas conclusões.
“Em resumo, as nossas observações sugerem a existência de uma forte influência de factores genéticos do vírus sobre os níveis de RNA-VIH1 durante as etapas iniciais da infecção”, concluem os investigadores.
Que acrescentam: “É necessária mais investigação para melhor identificar as características genéticas virais associadas a níveis mais ou menos elevados de RNA-VIH1, assim como para melhor compreender as respostas imunes do hospedeiro com influência na replicação viral ao longo do tempo”.
Referência:
Hecht FM et al. HIV RNA level in early infection is predicted by viral load in the transmission source. AIDS 24 (online edition), 2010.
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