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A infecção pelo VIH está associada a uma função sexual reduzida nas mulheres

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Michael Carter
 
 
Investigadores dos E.U.A reportam num estudo publicado na edição online do Journal of Acquired Immune Deficiency Syndromes, que a função sexual é mais reduzida nas mulheres seropositivas para o VIH em comparação com as seronegativas.

Nas mulheres com a infecção pelo VIH o aumento da idade e a contagem das células CD4 foram associadas a um menor funcionamento sexual.

Segundo os investigadores, “A análise revela que o peso dos problemas sexuais nas mulheres seropositivas é significativamente maior em comparação com as mulheres seronegativas”.

Devido à terapêutica anti-retroviral, muitas mulheres com a infecção pelo VIH têm uma esperança de vida longa e com saúde. A maioria continua sexualmente activa após o diagnóstico e, dada a eficácia da terapêutica anti-retroviral, é muito provável que uma proporção significativa continuará a ser sexualmente activa por várias décadas.

Tem havido pouca investigação sobre a função e satisfação sexual entre as mulheres seropositivas. Apesar disso, há boas razões para acreditar que os problemas sexuais ocorrem mais frequentemente nas mulheres seropositivas do que nas que não estão infectadas pelo VIH. Outras doenças crónicas têm sido associadas a uma satisfação e funcionamento sexual reduzidos, assim como foram o uso de drogas ilícitas e álcool. Além disso, é também possível que o tratamento anti-retroviral possa ter um impacto prejudicial sobre a função sexual.

Portanto, investigadores do Women’s Interagency HIV Study (WIHS) conduziram um estudo transversal incluindo 1279 mulheres seropositivas e 526 seronegativas que foram inquiridas sobre a função e satisfação sexual. O estudo foi conduzido entre 2006 e 2007.

Todas as mulheres preencheram um questionário estabelecido (Índice da Função Sexual Feminina) que foi usado para avaliar várias áreas da satisfação sexual incluindo a excitação, desejo, lubrificação, orgasmo e dor durante a relação sexual. Pontuações elevadas (máximo 36) foram associadas a uma melhor função sexual e as pontuações mais baixas a uma função mais reduzida.

Também foram recolhidas informações sobre a idade, estatuto de menopausa, história prévia da saúde mental, co-morbilidades, contagem das células CD4, carga viral, o uso de terapêutica anti-retroviral e efeitos secundários do tratamento para verificar se algum destes factores tinha uma associação independente com a função sexual.

Globalmente, as mulheres com a infecção pelo VIH tinham uma pontuação correspondente a satisfação sexual significativamente mais baixa do que as mulheres seronegativa (média, 13,8 vs 18, p <0,001).

Tanto nas mulheres seropositivas como nas seronegativas, foram observadas pontuações mais elevadas relativamente à função sexual nas mulheres mais jovens, que eram casadas ou viviam com um parceiro fixo.

Pontuações mais baixas foram registadas nas mulheres seropositivas e seronegativas em menopausa, que tinham diabetes, estavam deprimidas ou que estavam sob medicação para tratar convulsões, tensão arterial elevada ou doença cardíaca.

Entre as mulheres seropositivas, foram observadas pontuações mais baixas relativamente à função sexual nas que tinham um índice da massa corporal abaixo do limite inferior de normalidade.

A análise estatística que controlou para factores aleatório potenciais mostrou que a infecção pelo VIH (p < 0,001), o facto de não se estar numa relação (p < 0,001), o estar em menopausa (p < 0,001) e a depressão (p < 0,001) estavam todos associados significativamente a pontuações mais baixas relativamente à função sexual.

De seguida, os investigadores analisaram a relação entre as pontuações relativas ao funcionamento sexual e o comportamento sexual reportado. Os resultados sugeriram que níveis elevados de função sexual estavam associados a uma vida sexual mais activa, a mulheres com níveis reportados de função e satisfação sexual mais elevados relatando um maior número de parceiros sexuais.

Por último, os investigadores restringiram a sua análise às mulheres seropositivas para verificar se alguns dos factores relacionados com a infecção pelo VIH estavam correlacionados com a função sexual.

A primeira análise estatística mostrou que a lipodistrofia (p = 0,003) e uma contagem de células CD4 abaixo de 500/mm3 (p = 0,005) estavam ambas associadas significativamente a pontuações mais baixas relativamente à função sexual.

No entanto, um modelo subsequente que incluiu a idade como uma variável mostrou que apenas a contagem de células CD4 (p = 0,02) e o aumento da idade eram significativos (p < 0,001).

Os investigadores comentam que “O estudo demonstra que, entre as mulheres, existe claramente uma relação entre a infecção pelo VIH e os problemas sexuais”.

Acreditam que esta investigação tem implicações para os cuidados de rotina das mulheres com a infecção pelo VIH e sugerem que “há um papel para a avaliação dos problemas sexuais nos cuidados globais das mulheres com infecção pelo VIH, particularmente nas que foram classificadas como tendo SIDA”.

Referência:

Wilson TE et al. HIV infection and women’s sexual functioning. J Acquire Immune Defic Synr (edição online), 2010.

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