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Devemos promover “só-a-abstinência” em programas de educação sexual para prevenir a infecção pelo HIV?
As escolas tornaram-se um campo de batalha nas guerras culturais nacionais. Na luta para a conquista pelo coração, mente e libido de nossos adolescentes, a última batalha envolve educação sexual. A questão não é se a educação sobre sexualidade cabe nas escolas (sobre isso, estamos todos de acordo) (1), mas como abordá-la.
Apenas com o “Diga não!” um número crescente de campeões do currículo de “total abstinência” acha que encontrou a solução. Abordagens de “só-a-abstinência” estariam focalizando valores, colaborando na construção de caráter e aprendizagem de técnicas para dizer não ao sexo, ao mesmo tempo que evitariam tópicos como contracepção e sexo seguro.
A educação sexual compreensiva começa com abstinência mas também leva em conta que diversos adolescentes escolherão fazer sexo e portanto devem ser conscientes das conseqüências dele e de como se protegerem. Tais programas incluem informação sobre comportamento sexual seguro, entre estas, sobre o uso do preservativo e outros anticoncepcionais (2)
O movimento pela educação sexual “só-a-abstinência” tem origem na noção errada e persistente de que a educação sexual completa e compreensiva vai, de alguma forma, seduzir os adolescentes para iniciarem a atividade sexual. Por este motivo, afirma-se que as escolas deveriam ignorar o assunto ou discutir os mesmos a partir do medo e das doenças. Os perdedores nessa guerra são ainda os próprios adolescentes, aos quais é negada a informação sobre como prevenir gravidez ou doenças sexualmente transmissíveis na eventualidade altamente provável que é a da ocorrência da relação sexual entre eles.
Desenvolvimento de uma política
As pessoas que propunham os movimentos “só-a-abstinência” tiveram um grande incentivo quando, como parte da reforma de legislação federal norte-americana, o Congresso dos EUA designou 50 milhões de dólares por ano para os próximos cinco anos para programas escolares “só-a-abstinência”. Oito elementos foram estabelecidos especificamente para os programas, incluindo restrição dos seus “objetivos exclusivos” ao ensino dos “ganhos sociais, psicológicos e de saúde”, a serem obtidos através da abstinência. A lei garante ainda mais 75% de verbas vindas de outros fundos públicos e privados, mais de 87 milhões de dólares (3). Alguns esperam usá-la apenas para crianças das séries do ensino fundamental I (primeiro grau), ou para campanhas de mídia, uma estratégia que evita colocar os professores na posição desagradável de não ser capazes de responder perguntas de estudantes que envolvam contracepção ou métodos de sexo protegido (4).
Abstinência para quem? Até quando?
Os currículos de “só-a-abstinência” tipicamente visam encorajar a abstinência sexual até o casamento. Para assegurar a , eles usam argumentos “científicos” ou experiências humanas. A lei federal dos EUA que rege a proposta inclui a declaração: “Atividade sexual fora do contexto de casamento pode provocar efeitos danosos psicológica e fisicamente.” Esta conclusão não só é infundada como assustadora, uma vez que um estudo mostrou que 93% dos homens norte-americanos e 80% das mulheres entre idades de 18 a 59 anos não eram virgens em sua noite nupcial.(4)
No debate sobre o papel da abstinência, pouco se faz, na educação sexual, par distinguir, por exemplo, entre os programas de abstinência para crianças de 12 ou 13 anos e a abstinência entre jovens de 17 e 18 anos. Poucos poderiam se opor à abstinência para crianças de 12 e 13 anos.
Entretanto, adolescentes mais velhos acham que a educação sexual deve ser relevante para o número grande de adolescentes que optam por ter relações sexuais nessa idade. Dois terços dos americanos nestas idades já tiveram relações sexuais (5).
Quanto a apelos para abstinência até o casamento, deve-se considerar que as mulheres norte-americanas se casam em média com 24 anos, e os homens com 26 (6). Além disso, a idéia de evitar o sexo até o casamento tem pouco, senão nenhum, sentido para os adolescentes homossexuais.
Grandes Expectativas?
O debate sobre educação sexual, às vezes, se inflama perdendo o bom senso. Grandes expectativas são colocadas para os programas realizados nas escolas. A maior parte do ensino focaliza a transmissão de informações, ao invés de visar o comportamento fora das salas de aula (7).
Espera-se que seja estabelecida uma relação positiva entre a educação sexual nas escolas e a promoção de mudanças de comportamento como atrasar o início da atividade sexual ou aumentar o uso de contraceptivos. A instrução em sala de aula deve ser apoiada por um conjunto de influências dos pares e amigos, dos pais, das igrejas e pela limitação da mídia com mensagens pró-sexo.
Se todos os jovens levassem vidas pouco arriscadas e saudáveis, uma mensagem do tipo “somente diga não” sozinha seria útil. Mas para a maioria, correr riscos faz parte da constelação de influências externas e internas. Uma pesquisa nacional realizada em 1995 nos EUA relatou que 16% das meninas cuja primeira relação sexual foi antes dos 16 anos de idade não optaram por isso voluntariamente(8). Programas escolares também falham em atingir aqueles que estão correndo risco máximo, como os jovens que fogem ou são expulsos de casa (9).
“Só-a- abstinência” ou “abstinência e algo mais”?
A melhor educação sexual começa com a abstinência como ponto de partida, apoiando os jovens que não estão prontos para iniciar a vida sexual e praticá-la, e apoiando àqueles que a escolhem por qualquer razão. Claramente, o melhor programa de educação sexual enfoca mais que a biologia do sexo e do risco (embora os jovens e crianças tenham o direito de saber como seus corpos funcionam e como se proteger contra uma gravidez indesejada e doenças sexualmente transmissíveis).
Até agora, programas de só-a-abstinência têm falhado nos testes experimentais que comprovariam sua eficácia. Uma recente revisão da literatura descobriu que apenas seis estudos sobre programas “só-a-abstinência” foram publicados em revistas com julgamento acadêmico (10). Nenhum deles foi considerado eficaz, em parte por que tiveram uma avaliação pobre e um deles demonstrou-se claramente ineficiente.
O novo programa federal dos EUA que investe 250 milhões de dólares em projetos “só-a-abstinência” é político e religioso, e não de saúde pública (11). Agendas políticas e o desconforto com relação à sexualidade dos adolescentes obstruem capacidade de conduzir pesquisas que tentam desvendar quais programas são realmente eficientes na prevenção do HIV e da gravidez indesejada. Currículos politicamente aceitáveis embora ineficientes, podem servir para agradar os ouvidos adultos, mas vai enganar uma série de jovens.
O que realmente funciona?
Apesar de toda antipatia, os militantes de “só-a-abstinência” e os “compreensivos da sexualidade” têm s em comum: a prevenção da gravidez indesejada, da infecção pelo HIV e de outras DST.
Um número considerável de análises de currículos de educadores em sexualidade mostra que estes, quando examinados por rigorosos estudos, conseguiram sucessos modestos no retardamento do início da atividade sexual, na redução no número de parceiros e no aumento do uso de contraceptivos. Uma revisão da literatura nacional realizada nos EUA, apontou uma série de iniciativas eficientes em programas do gênero: a adaptação do conteúdo do programa à i
dade da audiência; focalizar nos comportamentos sexuais de risco; ter claros pressupostos teóricos; incluir fatos básicos da prevenção e do sexo sem proteção ou de risco; o reconhecimento de pressões sociais ao fazer sexo e o treino de comunicação, em negociação e técnicas de recusa (dizer não) (12).
Os guardiões da educação de qualidade, incluindo pais, professores, conselhos escolares e legisladores, têm a obrigação de considerar mais do que os ideais de um ou outro grupo.
Evidências objetivas e verossímeis sobre a habilidade de programas específicos em atingir suas s é essencial. As pessoas que tomam decisões devem separar os seus valores das questões de eficácia em educação sexual e encontrar um terreno comum.
Preparado por Pámela de Castro
Tradução: Francisco R.A. de Moura
Revisão técnica: Prof. Dra. Vera Paiva
As pessoas HIV+ são mais vulneráveis às DSTs?
Existem vários trabalhos científicos demonstrando que os pacientes com úlceras genitais, uretrite por gonococo, uretrite por clamídia, cervicites e tricomoníase apresentam maior risco de adquirir outras DST, principalmente a infecção pelo HIV. Por outro lado, pouco se conhece ainda se o paciente com HIV possui maior risco de adquirir outras DST. Entretanto, o risco de adquirir qualquer DST está diretamente relacionado aos comportamentos e tipos de prática de sexo (segura ou não).
A pessoa que já desenvolveu a AIDS pode apresentar evoluções clínicas e laboratoriais atípicas da sífilis. Nesta situação, o paciente após aquisição da infecção com o Treponema pallidum pode evoluir para formas neurológicas complexas e de difícil tratamento.
Há vários estudos descritivos alertando sobre a possível existência de uma interação biológica entre o HIV e outras DST. Verficamos que o citomegalovírus, o vírus da hepatite B, é capaz de, em conjunto com o HIV, desencadear o decréscimo progressivo da imunidade celular, isto é, as células de defesas do organismo humano até chegar à AIDS.
Dr. Paulo Vieira Damasco
Infectologista – Doenças Infecto-Parasitárias – Hospital Universitário Pedro Ernesto – Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
A Verdade Sobre Preservativos
Várias pessoas dizem que os preservativos são inseguros e a educação sexual é ineficiente para prevenir doenças sexualmente transmissíveis e gravidez indesejada. Eles estão errados, e está bem na hora de clarear as coisas de uma maneira direta.
É importante saber onde vem as afirmações, de forma que você possa verificar e possa julgar a probidade da fonte. Assim, para informação sobre a confiabilidade do preservativo, vejamos o que o CDC (Centro para Controle Prevenção de Doenças –um departamento do governo de EUA) realmente tem que dizer.
Abaixo citações de panfletos de CDC:
Houveram recentes relatórios de ocorrência de poros (furos) no látex dos preservativos e que estes poros seriam grandes o bastante para o HIV atravessar. Por que CDC recomendam ainda preservativos para prevenir infecção de HIV?
A Verdade Sobre Os Preservativos e furos em Látex
Os relatórios sobre furos em látex parecem ter se originado de um artigo em uma Revista Científica sobre luvas de látex, não preservativos. Buracos tão grande quanto 5 mícrons de diâmetro foram identificados em látex usado em luvas. Porém, as luvas só são imergidas uma vez no látex quando são feitas, enquanto os preservativos são imergidos duas vezes no látex. É aceitável que as luvas de látex falhem em testes de vazamento de água a uma taxa de 40 por mil, enquanto são permitidos apenas 4 fracassos no teste de vazamento de água por mil preservativos antes que o grupo inteiro seja rejeitado. Enquanto foram encontrados furos que permitissem a passagem do HIV em preservativos de membrana naturais (como os de tripa de cordeiro), os preservativos de látex não permitem ao HIV esta passagem, a menos que o preservativo esteja estragado ou rasgado. Usado corretamente, preservativos de látex são efetivos na redução do risco de infecção por HIV.
(CDC Boletim, 1 de julho de 1992.)
1.Pode o HIV “escoar” por furos microscópicos em preservativos de látex?
O FDA publicou um estudo feito entre julho e agosto 1992 sobre DST determinou que o HIV poderia passar pelos furos do preservativo em condições laboratoriais, de intenso “stress”. Estas condições incluíram concentrações mais altas do ” vírus ” (carga viral) do que normalmente se encontra no sêmen humano, e forças que simularam 10 minutos de pressão DEPOIS DA ejaculação. A maioria preservativos de látex não permitiram o vazamento de absolutamente nada. O pior preservativo achado ainda reduziria o risco de exposição cerca de 10,000 vezes, só 1 vírus HIV poderia escoar em 1 de todos os 90 preservativos. Em outros testes executados debaixo de ” condições normais “, o HIV não atravessa um preservativo de látex que não esteja rasgado ou quebrado.
2.Quão freqüentemente preservativos estouram?
Os estudos não concordam em uma taxa exata de estouro. Muitos estudos sobre a efetividade do preservativo contaram com que freqüência mulheres cujos os parceiros usaram preservativos para controle de natalidade e engravidaram. Esta ” taxa ” de falha inclui casos onde o casal não usou um preservativo toda vez que tiveram relações ou que não tenha usado os preservativos corretamente. Alguns estudos incluíram as vezes em que o preservativo era acidentalmente rasgado pelas pessoas que os utilizaram. Estudos em outros países, sobre estouro causado por defeitos no próprio preservativo mostram uma taxa de estouro que varia de 0% a 7%. Nos Estados Unidos, mostram a maioria dos estudos, que a taxa de estouro é de menos de 2 para cada 100 preservativos, provavelmente menos que 1 para 100.
(CDC Boletim, 28 de janeiro de 1993.)
Estudos mostraram que preservativos são 98% efetivos quando usados corretamente. (J. Trussel; Fracasso anticoncepcional nos Estados Unidos: Uma Atualização, Estudo de controle de natalidade, 21(1), 1990.) (Outros estudos mostram efetividade até melhor).
Assim se você está tendo relações sexuais, use camisinha, e aprenda a usa – las corretamente.
Agora, sobre educação sexual: nenhum estudo científico comprovou a efetividade de estratégias que ensinam a abstinência sexual. Na realidade, três estudos mostraram que a educação fundamentada na abstinência sexual não está surtindo nenhum efeito; os adolescentes continuam mantendo relações sexuais. (S. Christopher e M. Roosa, ” Uma Avaliação de um Programa de Prevenção de Gravidez Adolescente,: E ” Só Diga não é o bastante? Relações Familiares, 39 (1990): 68-72; M. Roosa e S
. Christopher, ” Avaliação de um Programa de Prevenção de Gravidez Adolescente com abstinência sexual,)
Por outro lado, há evidências bastante convincentes que a “educação inclusiva” ou ” baseada em realidade ” (o tipo que nós defendemos) é bastante efetiva. Países como a Inglaterra, Gales, França, e o Países Baixos que se adaptaram à educação sexual baseada na realidade dos fatos tiveram as taxas de gravidez adolescente reduzidas de duas a sete vezes embora as taxas de atividade sexual continuem aproximadamente as mesmas (50-60%), ! (E. F. o Jones al de et., gravidez “Adolescentes em países desenvolvidos: fatores determinantes e implicações da política educacional”.
Preservativos e as perspectivas de controle de natalidade, 17(2), 1985, 53-63.)
Assim, por que as pessoas afirmam que o exatamente oposto é verdade? É duro dizer; mas eu sei que há grupos muito conservadores e fanaticamente religiosos que estão espalhando mentiras sobre sexo seguro e educação sexual num esforço para impor seu sistema moral em todo o mundo sem consideração para as conseqüências catastróficas em nossas vidas, nossa liberdade, e a busca de felicidade
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