Doença silenciosa e traiçoeira, em três décadas a Aids propagou-se pelo mundo atingindo todas as camadas sociais, a tal ponto, que derrubou a figura dos chamados grupos de riscos, ganhando dimensão descontrolada e deixando um trágico saldo de mortos e legiões de soropositivos infectados com seu vírus.
Mato Grosso não é exceção no tocante a Aids. A exemplo do que acontece no país inteiro, nos municípios mato-grossenses esse grave problema de saúde é realidade, com números preocupantes, mas que nunca serão os reais, porque o estigma que infelizmente cerca essa doença, leva infectados a tratamento fora do estado, para evitar exposição social, e com isso cria subnotificação dos casos.
O avanço da medicina permite sobrevida mais longa aos doentes da Aids, e com a vantagem de melhor qualidade de vida se comparado ao que acontecia no passado. No entanto, não existem vacina nem medicamento capaz de vencer essa doença. A melhor forma de evitá-la é a prevenção.
A letalidade da Aids a faz temida. Porém, as formas de contágio são perfeitamente evitáveis. O risco de contaminação em transfusão de sangue em tese é zero, pelo controle de qualidade dos hemocentros. Os profissionais da saúde que lidam com doentes e com outros pacientes contam com equipamentos de proteção individual que oferecem segurança absoluta. A relação sexual com o uso de camisinha é segura e tem recomendação médica.
A doença somente continuará vitimando enquanto houver descuido ou indiferença em relação aos riscos que oferece. Fora dessas situações, a Aids certamente será eliminada da face da Terra.
Que este Dia Mundial de Combate à Aids sirva de reflexão sobre essa doença, que exige mudanças de arraigados hábitos comportamentais e que não poderá ser vencida somente com as campanhas institucionais do governo, muito embora as mesmas sejam imprescindíveis.
O diálogo em família, a abordagem do tema nas escolas e faculdades, a troca de informações entre colegas de trabalho e convívio social, enfim, é preciso que haja uma grande mobilização nacional sobre Aids, para que a doença deixe se ser tabu e passe a ser tratada pelo ângulo da prevenção e sua consequente erradicação.
A ciência busca a cura da Aids, mas sua transmissão permanece ameaçadora. Nesse cenário, além da conscientização coletiva é preciso que a população aceite em seu convívio os portadores do vírus HIV, enquanto pessoas normais, merecedoras de tratamento digno.
A cura da Aids ainda pode demorar alguns anos, mas independentemente do prazo para tanto, suas vítimas não podem ser estigmatizadas e precisam integrar o contexto social mato-grossense.
O que acontece agora em relação a Aids aconteceu no passado com a hanseníase, que era vista como doença maldita. É hora de desestigmatizar o Virus HIV e passa da hora de se encontrar medicamento eficaz para vencê-lo.
“Suas vítimas não podem ser estigmatizadas e precisam integrar o contexto social”
Diário de Cuiabá – MT |
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