Combate ao preconceito dá o tom a lançamento do projeto ‘Flores Vermelhas’

Nesta terça-feira (11), o Movimento Mulheres Posithivas (MNCP) organizou em parceria com frentes feministas e organizações que promovem apoio à mulher um encontro especial, para tratar de preconceito. Elas se reuniram na Escola de Enfermagem Anna Nery (EEAN), no centro do Rio, para o lançamento do projeto Flores Vermelhas, composto de livro e documentário sobre os 13 anos de atuação do grupo que junta mulheres vivendo com HIV em todo todo o Brasil.
O livro conta a história do movimento e tem ilustrações belíssimas, baseadas em oficinas das Cidadãs. O documentário traz depoimentos das mulheres do grupo. O encontro no Rio contou com a presença da coordenadora do Fundo de Investimento Social Elas, Madalena Guilhon, que fortaleceu o apoio às Cidadãs e aos mais de 250 grupos sociais apoiadores das causas da mulher brasileira. Madalena afirmou a importância de encontros entre mulheres soropositivas e a sociedade para pôr fim ao preconceito. “ É uma população vulnerável. Essas mulheres merecem ter apoio como qualquer outra pessoa.”
E reiterou que, desde agosto, a organização Elas já disponibilizou 3 milhões de reais em recursos para esses movimentos sociais. A aids ainda é um tabu perante a sociedade e, mesmo mais de 30 anos após sua descoberta, ainda exclui indivíduos e causa preocupação por causa do alto índice de mortalidade no município do Rio de Janeiro. Foi o que destacou a gerente da área de DST, Aids, Sangue e Hemoderivados da Secretaria Estadual do Rio de Janeiro, Denise Pires. “A mortalidade é um fator alarmante, como qual a saúde pública precisa se preocupar”, disse ela. “ Uma das armas poderosas para melhorar esses índices é o diagnóstico precoce.”
Heliana Moura, representante do Movimento Nacional de Cidadãs Positivas de Minas Gerais e Rosaria Rodriguez , da Bahia, contaram sobre suas experiências como portadoras do vírus HIV e do projeto “Sou Mãe e Apoio Todas as Mulheres que Desejam Ser Mães”. “Tenho 57 anos, 5 filhos, 15 netos e quatro bisnetos, uruguaia e moro na Bahia. Tenho HIV e esse projeto é importante para ensinar para outras mulheres muita coisa que a gente aprender”, disse Rosaria.
Heliana Moura também contou um pouco de sua história quando descobriu que estava grávida do segundo filho e denunciou a falta de preparo dos profissionais da saúde pública ao receberem no hospital uma soropositiva em trabalho de parto. “Ninguém no hospital acreditou quando eu contei que havia adquirido o vírus através da camisinha que estourou. Me xingaram porque eu não quis amamentar meu filho, pois eu já sabia que podia transmitir a doença pelo leite materno.
Eles falaram que meu filho, então, morreria de fome ou de aids.” Gustavo Magalhães, gerente da área de doenças infecciosas sexualmente transmissíveis da Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro disse que toda organização de apoio à mulheres soropositivas precisa ser enaltecida, alertou sobre a necessidade de acabar com o preconceito e garantiu trabalho pesado na prevenção das DSTs, apoio técnico para os profissionais de saúde no atendimento e controle dessas doenças. O evento, no Rio, vai até quinta-feira (13) e ainda abordará diversos temas ligados às mulheres vivendo com HIV. Ana Carolina Brito, Rio de Janeiro
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